17 C
Brasília
quarta-feira, julho 1, 2026

Crítica | X-Men: Elsewhen – Vol. 1 – Plano Crítico

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Pode ser que alguém discorde, mas, pessoalmente, considero a parceria criativa de Chris Claremont e John Byrne no comando dos X-Men de 1977 a 1981 aquela que definitivamente moldou os mutantes da Marvel Comics, mesmo levando em conta as diversas outras mentes que avançaram com as histórias ao longo das décadas seguintes. O dueto foi infelizmente desfeito em 1981 não muito tempo depois do fim da fenomenal Saga da Fênix Negra em razão das clássicas “diferenças criativas”, com a saída de Byrne e a continuidade das histórias somente por Claremont que, uma década depois, sairia também do título em razão de mais diferenças criativas, desta vez com o então editor Jim Lee. Claremont, porém, retornou à Marvel e aos X-Men tempos depois, mas Byrne não, pelo menos não oficialmente.

Extraoficialmente, porém, a história foi outra. Como Byrne explica na introdução do primeiro volume de X-Men: Elsewhen, o roteirista e artista, como resposta à provocação de um leitor em seu site byrnerobotics.com, ele desenhou o que acabou se tornando a capa de onde tirei a imagem principal que ilustra esta crítica, o que o levou a desenhar mais e mais, só lápis, sem finalização. Isso fez com que o veterano tomasse gosto pela coisa novamente e, em junho de 2019, resolveu arregaçar as mangas para se divertir com os X-Men novamente a partir de 06 de junho de 2019, ele passou a publicar em seu site uma página por dia do que ele próprio denominou como sua fanfic que passou a contar a história dos mutantes a partir do final original da Saga da Fênix Negra, em que Jean Grey não morria (e que foi publicada pela Marvel em 1984 como o one-shot Phoenix: The Untold Story, lançado por aqui com o título Retorno às Cinzas! como parte do encadernado de 2016 que compilou a saga), que fora rejeitado por Jim Shooter.

De acordo com ele, sua intenção não era publicar oficialmente, mas seu projeto tomou uma proporção tão grande que ele acabou lançando online gratuitamente o equivalente a 31 edições de quadrinhos normais, o que obviamente chamaria a atenção da indústria. Dito e feito, a editora Abrams ComicArts, que iniciara o selo Marvel Arts em 2022 com Quarteto Fantástico: Ciclos, por sua vez a estreia do novo estilo artístico de Alex Ross, interessou-se pelo projeto e, junto com a Marvel e Byrne, organizou o lançamento desse mega fanfic na forma de três encadernados de luxo com a arte finalizada e colorida, o que acabou ocorrendo, com toda a pompa e circunstância, em 23 de junho de 2026. Como o título deixa claro, trata-se de uma “realidade alternativa”, um “o que aconteceria se Jean Grey não morresse e John Byrne e não Chris Claremont permanecesse escrevendo e desenhando os mutantes para a Marvel”, pelo que não há o que falar aqui de continuidade ou coisas do gênero.

O resultado é uma diversão sem fim para quem aprecia os X-Men, especialmente no estilo clássico do final dos anos 70 e começo dos anos 90. Elsewhen, apesar de começar com uma história completamente solta passada na Terra Selvagem e que envolve M.O.D.O.K. e a I.M.A., já estabelece na largada que Jean Grey está sim viva, mas no estado mental de uma criança de cinco anos depois de a Força Fênix ter sido retirada cirurgicamente pelo Império Shi’ar conforme o final original da saga citado acima. E, já na edição seguinte, continuando pelas oito seguintes (são 10 edições nesse primeiro volume), começa a trabalhar três linhas narrativas centrais e uma subsidiária. A primeira delas é justamente a situação de Jean Grey, que volta a viver com seus pais e irmãs, com o Professor X dizendo que não há nada a fazer a não ser aguardar que sua mente se reconstrua. A segunda é Lilandra lidando com entidade extraída de Jean Grey, agora contida em uma base de seu império. A terceira e a que mais ocupa espaço no volume, é a união maligna de Henry Peter Gyrich com Sebastian Shaw para reviver o Projeto Sentinela, mas com robôs evoluídos, que contam com escudos de força e nenhum preocupação em ferir e até matar humanos, com ataques ocorrendo no mundo todo para recolher mutantes. Finalmente, a linha narrativa subsidiária lida com um enfraquecido Magneto ressurgindo para causar problemas para os X-Men.

Os “dois lados” da história da Fênix – Jean infantilizada e Lilandra no espaço – funcionam muito bem nos pequenos incrementos que Byrne estabelece a cada edição, com a de Jean acabando, pelo momento, sem finalização e a de Lilandra chegando a um clímax esperado, mas mesmo assim bem construído. A história dos Sentinelas, apesar de fundamentalmente batida, serve para criar crossovers orgânicos com os Vingadores e com o Quarteto Fantástico em razão dos mutantes em seu meio, ou seja, a Feiticeira Escarlate e Franklin Richards, e para, claro, garantir a pancadaria titânica que se espera de uma história de super-heróis. Apenas a história protagonizada por Magneto me pareceu especialmente perdida ao longo das edições e, mesmo que ela venha a ganhar desenvolvimento relevante nos dois volumes posteriores, ela me pareceu mais atrapalhar do que realmente ajudar nesse terço inicial.

John Byrne, no alto de seus 69 anos na época em que começou a desenhar as edições – agora ele tem 75 – mostra que ainda tem o comando de sua arte, com traços dinâmicos e poderosos, mesmo que, por vezes, as proporções corporais e os rostos fiquem aquém do que se espera. Seu trabalho é detalhado, com uma distribuição cuidadosa de personagens pelas páginas e uma fluidez excelente na ação. No roteiro, sua abordagem é mais simplista, mas que não sofre de solução de continuidade alguma se tivermos em mente o estilo setentista e oitentista de se escrever quadrinhos. Na verdade, com apenas uma única exceção em que, em determinado momento, Byrne desnecessariamente cita Harry Potter, todo o restante desse primeiro volume parece se passar no começo da década de 80, o que ajuda na impressão de continuidade e, claro, naquela sensação de nostalgia para quem viveu a época ou gosta dos quadrinhos da época.

Elsewhen é uma bem-vinda, vibrante e luxuosa finalização da fanfic de John Byrne que realmente merecida vir à luz do dia assim, completa, com as tintas de Byrne e Paul Wills e as cores vibrantes de uma ótima quadra de coloristas. Agora é esperar o lançamento dos dois volumes seguintes para ver como a história continua e acaba, já que Byrne informa que teve que mexer no que foi publicado online para efetivamente levar a narrativa a um fim.

X-Men: Elsewhen – Vol. 1 (Idem – EUA, 2026)
Roteiro: John Byrne
Arte: John Byrne
Arte-final: John Byrne, Paul Wills, Walter Simonson (p. 202), Scott Williams (p. 204 e 205)
Cores: Lovern Kindzierski, Carlos Lopez, Leonard O’Grady, Ruth Redmond
Letras: Patrick Brosseau
Editoria: Chry Ryall, Lydia Nguyen, Andre Forte (Abrams), Tom Brevoort, C.B. Cebulski (Marvel)
Editora original: Abrams ComicArts (Marvel Arts)
Data original de publicação: ao longo de 2019 (lápis apenas pelo website de John Byrne); 23 de junho de 2026 (versão encadernada, finalizada e colorida lida para a presente crítica)
Páginas: 238



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img