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quinta-feira, julho 2, 2026

Venda de Bitcoin pela Strategy aumenta risco para mercado cripto, diz JPMorgan

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A nova política da Strategy para permitir vendas seletivas de Bitcoin aumentou a incerteza no mercado cripto, segundo o JPMorgan. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o banco afirmou que a decisão da empresa de Michael Saylor criou um risco “de duas vias” para o preço do BTC, já que a companhia passa a ser vista não apenas como uma grande compradora, mas também como uma possível fonte de oferta do ativo.

A Strategy formalizou nesta semana uma política que permite vender bitcoins para financiar dividendos de ações preferenciais quando considerar apropriado. A empresa também autorizou recompras de ações preferenciais e de ações ordinárias como parte de uma estratégia mais ampla de gestão de capital.

A companhia definiu ainda uma meta mínima de reserva de caixa equivalente a 12 meses de dividendos preferenciais e despesas com juros. Atualmente, a reserva é de US$ 2,55 bilhões, suficiente para cobrir cerca de 17 meses dessas obrigações.

Para o JPMorgan, porém, esse colchão ainda não é suficiente para tranquilizar investidores. A equipe liderada por Nikolaos Panigirtzoglou afirmou que uma cobertura entre 24 e 36 meses seria necessária para deixar o mercado mais confortável com a ideia de que a Strategy não precisaria vender bitcoins no futuro previsível. Segundo o banco, isso poderia ser feito por meio de emissão de ações ordinárias para ampliar as reservas em dólar, mesmo que as ações passem a negociar com desconto em relação ao valor dos ativos líquidos.

A avaliação é relevante porque a Strategy se tornou uma das maiores detentoras corporativas de Bitcoin do mundo. A empresa tem 847.363 BTC em seu balanço, o equivalente a cerca de 4% da oferta total da criptomoeda. Ao longo dos últimos anos, a estratégia agressiva de acumulação transformou a companhia em uma das principais fontes de demanda pelo BTC.

Leia também: Strategy anuncia plano para vender Bitcoin, recomprar ações e aumentar dividendos

Segundo o JPMorgan, a Strategy comprou aproximadamente US$ 13,7 bilhões em Bitcoin desde o início do ano, valor que representa cerca de 70% da estimativa do banco para os fluxos líquidos totais direcionados a ativos digitais no período. Por isso, qualquer mudança na percepção sobre a postura da companhia pode ter impacto relevante sobre liquidez, preço e sentimento dos investidores.

O problema, segundo os analistas, é que o mercado passa a conviver com uma dinâmica menos previsível. Até agora, a Strategy era vista quase exclusivamente como compradora estrutural de Bitcoin. Com a nova política, passa a existir a possibilidade de a empresa comprar em alguns momentos e vender em outros, ainda que de forma seletiva e limitada.

Essa mudança cria o que o JPMorgan chamou de risco “two-way”, ou seja, de fluxo em duas direções. Na prática, o investidor deixa de enxergar a Strategy apenas como uma fonte constante de demanda e passa a considerar também o risco de vendas eventuais, especialmente em momentos de pressão sobre caixa, dividendos ou estrutura de capital.

O banco afirma que esse risco era evitável e pode aumentar a volatilidade do mercado cripto. A própria Strategy pode ser prejudicada por esse efeito, já que uma volatilidade maior tende a encarecer futuras captações de dívida e de capital usadas para financiar novas compras de Bitcoin.

A preocupação aparece em um momento em que outras fontes importantes de demanda institucional também enfraqueceram. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos, que se tornaram o principal canal de entrada institucional no mercado desde o lançamento em 2024, registraram saídas líquidas recordes de US$ 4 bilhões em junho. Uma sequência de 13 dias de resgates levou os fluxos acumulados no ano ao campo negativo pela primeira vez.

Segundo o JPMorgan, o Bitcoin já havia sofrido pressão no fim de maio e no início de junho, depois que a Strategy informou em documento regulatório de 1º de junho ter vendido 32 BTC entre 26 e 31 de maio para financiar pagamentos de dividendos. As vendas ocorreram em um ambiente já desfavorável, marcado pela reprecificação das expectativas de juros do Federal Reserve, que também pressionou Bitcoin e ouro.

A combinação entre saídas dos ETFs, juros americanos mais altos e dúvidas sobre a postura da Strategy ajudou a aumentar a aversão ao risco no mercado cripto. Para o JPMorgan, o tamanho da empresa torna qualquer sinal de venda especialmente relevante, mesmo que os volumes iniciais sejam pequenos em relação ao total mantido em tesouraria.

O relatório também aponta que o sentimento pessimista atual pode acabar funcionando como um sinal contrário positivo para o mercado. Ainda assim, uma recuperação mais forte do Bitcoin no segundo semestre dependeria de alguns fatores, como a ampliação das reservas de caixa da Strategy e a aprovação, nos Estados Unidos, de projetos pendentes de estrutura de mercado para criptoativos.

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