O mercado doméstico de câmbio se descolou da tendência global de fortalecimento do dólar e, neste início de tarde, o real se destaca como a moeda de melhor desempenho do dia entre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Embora o dólar também tenha perdido força contra outras moedas emergentes, o recuo ante o real vai na contramão da recuperação após o feriado do Dia de Independência nos Estados Unidos.
Por volta de 13h35, o dólar à vista recuava 0,34%, a R$ 5,1504, após ter tocado a mínima intradiária de R$ 5,1474 e a máxima de R$ 5,1839. Já o euro comercial anotava queda de 0,42%, a R$ 5,8852.
Em relação a moedas pares do real, o dólar depreciava 0,30% contra o peso mexicano e oscilava em leve queda de 0,07% contra o rand sul-africano. Já em relação aos pesos colombiano e chileno, tinha alta de 0,66% e 0,40%, respectivamente. Já o DXY, índice que mede a força do dólar contra seis moedas pares, subia 0,12%, a 100,980 pontos.
O movimento desta segunda-feira dá sequência à retirada de prêmios de risco observada nos ativos locais na última sexta-feira, quando os mercados americanos ficaram fechados por conta do feriado de Independência. O bom desempenho do real ocorre mesmo sem gatilhos domésticos, o que denota certa força da moeda brasileira em relação a outras geografias nesta sessão.
De qualquer forma, participantes do mercado ainda apontam para alguns riscos que podem levar a um fortalecimento do dólar no curto prazo. No cenário externo, a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed) casada ao ciclo de flexibilização monetária do Banco Central do Brasil tende a reduzir o valor relativo do real.
“A divergência de política monetária entre o Fed, que está com viés de alta de juros, e do BC, com viés de corte de juros, enfraquece o real. O DXY reverteu a tendência de longo prazo, que agora é de alta. Além disso, o índice de commodities está muito fraco, na região de reversão de longo prazo”, comenta José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos, em relatório.
Do ponto de vista doméstico, além da possibilidade de o BC realizar cortes adicionais da Selic nos próximos meses, as eleições já tem adicionado volatilidade aos ativos, segundo nota a equipe de profissionais do Bank of America (BofA) liderada por David Beker, chefe de economia para Brasil e de estratégia para a América Latina do banco.
“Os investidores locais não estão dispostos a aumentar suas posições estruturais neste momento, uma vez que há muita incerteza no cenário internacional e que eles esperam que as eleições no Brasil sejam muito acirradas”, diz o relatório dos profissionais do BofA, que visitaram clientes na última semana em busca das visões dos participantes do mercado.