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segunda-feira, julho 6, 2026

Por Que a Noruega Levou 580 Quilos de Alimentos para a Copa do Mundo (e Jantou o Brasil)

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Não se deixe levar tão rapidamente pelas alegações que circulam na internet de que a seleção da Noruega supostamente não confia nos alimentos dos Estados Unidos. Existem razões plausíveis relacionadas ao desempenho esportivo para que a equipe norueguesa de futebol tenha enviado cerca de 580 quilogramas de alimentos de seu país para sua sede temporária em Greensboro, na Carolina do Norte, durante a Copa do Mundo FIFA de 2026.

Até agora, a seleção da Noruega, apelidada de Vikings, tem apresentado um bom desempenho em sua primeira participação na Copa do Mundo, principal competição do futebol, desde 1998.

Na fase de grupos, a Noruega terminou em segundo lugar no Grupo I, atrás apenas da favorita ao título antes do torneio, a França. Em seguida, derrotou a Costa do Marfim por 2 a 1 e avançou às oitavas de final da fase eliminatória, na qual enfrentou a tradicional potência do futebol, o Brasil, no domingo (5), e “jantou” os pentacampeões do mundo.

Enquanto isso, o ritual de remada inspirado nos vikings, realizado pelos torcedores noruegueses durante e entre as partidas, tornou-se viral.

No entanto, pode-se dizer que muitas pessoas nas redes sociais estão criando polêmica em torno do que vem sendo dito sobre os hábitos alimentares da seleção norueguesa. Diversas publicações interpretaram a decisão da equipe de transportar parte de seus alimentos como uma suposta crítica à qualidade da comida americana. Mas essa interpretação não parece corresponder aos fatos.

Nem toda a dieta dos jogadores da Noruega coube na mala

Um dos fatos é que a equipe continua consumindo alimentos dos Estados Unidos. A maior parte dos produtos importados da Noruega era composta por peixes.

Isso incluiu 300 quilogramas de salmão e truta noruegueses e 100 quilogramas de alabote, segundo Melissa Goldin, da Associated Press. Parte da carga também era composta por queijos, incluindo 80 quilogramas de queijo marrom norueguês e 100 quilogramas de queijo Jarlsberg. Isso significa que a seleção continuou obtendo muitos outros alimentos, como frutas, verduras, legumes, grãos e outras carnes, de fornecedores locais dos Estados Unidos.

Também circularam na internet alegações de que a seleção da Noruega levou laranjas do próprio país. Mas acreditar em tudo o que aparece na internet é um pouco como acreditar em tudo o que está escrito nas paredes dos banheiros públicos.

O chef da seleção norueguesa, Aron Espeland, afirmou a Goldin que os Vikings têm tomado todas as manhãs suco de laranja fresco preparado exatamente como gostam, espremido de laranjas cultivadas nos Estados Unidos.

Bagagem alimentar não é exclusividade norueguesa

Anadolu/Getty ImagesHaaland comemora com seus companheiros de equipe após vitória sobre Brasil, batendo um tambor e fazendo a remada viking

Pode-se dizer que a forma como a Noruega lidou com a alimentação para a Copa do Mundo não é algo incomum. Basta observar o que aconteceu na Copa do Mundo FIFA de 2014. Quando a seleção da Itália embarcou para o Brasil, já sabia que receberia muito mais do que apenas uma tábua de frios com queijo parmesão, azeite de oliva e presunto cru.

A seleção do México também levou seus próprios ingredientes, entre eles os necessários para preparar pozole, pimentas, pimentas chipotle e nopales. Enquanto isso, a seleção dos Estados Unidos também levou seus próprios produtos, incluindo molho A1 Steak Sauce, aveia, Cheerios e manteiga de amendoim.

E isso não aconteceu apenas no Brasil. Outras Copas do Mundo realizadas em diferentes países também registraram iniciativas semelhantes. Por exemplo, para a Copa do Mundo de 2022, no Catar, Argentina e Uruguai tentaram atender às suas necessidades enviando cerca de 1.814 quilogramas de carne. Essas iniciativas também não se limitam ao futebol.

O Comitê Olímpico e Esportivo da Coreia montou instalações próprias para preparação de alimentos em Milão, Cortina e Livigno durante os Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026, garantindo um fornecimento constante de arroz, kimchi e outros alimentos tradicionais coreanos.

Tudo isso mostra o quanto a competitividade no esporte também chegou às cozinhas. Atletas e equipes esportivas de diferentes níveis utilizam estratégias de alimentação e nutrição para obter qualquer vantagem possível. Muitos programas esportivos da Divisão I da NCAA criaram áreas e refeitórios exclusivos para seus atletas universitários, oferecendo cardápios especiais de “alto desempenho” elaborados por nutricionistas esportivos.

Isso também acontece nas equipes profissionais, onde os valores envolvidos são ainda maiores. Provavelmente você já ouviu falar das dietas especiais seguidas por muitos atletas de elite. Algumas têm sólido respaldo científico; outras, nem tanto.

Por exemplo, publiquei na Forbes uma análise sobre a dieta rigorosa seguida por Tom Brady quando atuava como quarterback do New England Patriots e do Tampa Bay Buccaneers, destacando o que fazia sentido e o que levantava dúvidas.

Existem princípios nutricionais bem estabelecidos para otimizar o desempenho esportivo. Um deles é manter uma boa hidratação tanto por meio das bebidas quanto dos alimentos consumidos.

Outro conjunto de princípios consiste em ingerir quantidades adequadas de carboidratos complexos, como batata-doce e grãos integrais, para fornecer energia; proteínas magras, como salmão e ovos, para a recuperação muscular; e gorduras saudáveis, que ajudam na regulação hormonal.

Também é recomendado evitar alimentos que possam prejudicar o desempenho, como os ultraprocessados, ricos em aditivos de nomes difíceis até de pronunciar.

Equipes como a Noruega procuram recriar as condições de casa

Naturalmente, uma boa alimentação não é a única motivação por trás do que a Noruega e outras seleções fazem. Existe também a questão da regularidade, tanto no funcionamento do intestino quanto na previsibilidade da rotina. Quando você consome os mesmos alimentos que costuma ingerir em casa, já conhece como seu corpo e sua mente tendem a reagir.

Com alimentos diferentes, isso não acontece. As equipes provavelmente não querem correr o risco de que seus atletas se sintam um pouco mais lentos, com coceira, prisão de ventre, diarreia ou qualquer outro desconforto.

Portanto, para todos que ficaram ofendidos com a decisão da seleção da Noruega de importar cerca de 580 quilos de alimentos, e não aproximadamente 907 quilogramas, como algumas pessoas afirmaram, mantenham a calma.

Em norueguês, existe a expressão “Å ta det for god fisk”, que significa “aceitar algo como um bom peixe” ou acreditar no que alguém diz sem questionar se é verdade. Pelo visto, a seleção da Noruega simplesmente queria contar com peixes e queijos bons e familiares.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.br

[Fonte Original]

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