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quarta-feira, julho 8, 2026

5 erros fatais na entrevista de emprego que custam a sua vaga, segundo especialistas em RH

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Mentir no currículo, falar mal do antigo chefe ou chegar à entrevista de emprego sem conhecer a empresa estão entre os erros que mais comprometem as chances de contratação.

Especialistas em recursos humanos afirmam que os processos seletivos têm valorizado cada vez mais aspectos comportamentais, como ética, autoconhecimento, comunicação assertiva e alinhamento com as expectativas da organização.

O Valor ouviu gestores e especialistas em recursos humanos para entender quais são as posturas que mais prejudicam os candidatos em entrevistas de emprego e processos seletivos.

Mentir ou superestimar suas habilidades é unanimidade entre as fontes ouvidas pelo Valor como uma postura prejudicial ao candidato. “É muito incômodo para quem está entrevistando. Mentiras, falta de transparência sobre as experiências passadas, quando é percebido, é ruim para o candidato e dificulta o processo de seleção”, afirma Janine Goulart, sócia da KPMG

Caroline C. Locks Andriani, gestora na Bornhausen & Zimmer Advogados e sócia da Primorerh, complementa o alerta e diz que tentar agradar o recrutador de forma artificial também é uma conduta que frequentemente tira pontos dos candidatos. “Quando a pessoa tenta parecer quem ela não é, começa a tentar moldar as respostas para agradar o recrutador. Isso é percebido logo de cara e gera um desconforto, um desalinhamento com o que é esperado”.

A postura do entrevistado sobre sua própria história e habilidades é um dos fatores que pode diferenciar ou desclassificar um candidato. “Autoconhecimento hoje é um fator decisivo, saber falar de si”, diz Débora Barem, professora do departamento de administração da UnB e especialista em mercado de trabalho.

“Você está indo buscar uma vaga de um cargo específico, mas não sabe falar sobre como você pode ajudar a desempenhar aquela função, suas qualidades que se encaixam ali, sem recorrer aos clichês. Sua candidatura perde substância se você demonstra não ter esse conhecimento tanto sobre a função quanto sobre suas próprias habilidades”, continua a especialista.

2. Não conhecer a empresa

Se não saber enquadrar suas habilidades nos requisitos de uma vaga de emprego pode gerar prejuízos, outro erro que pode complicar o candidato é não conhecer os valores da empresa para qual se está pleiteando a vaga.

“Não ter o cuidado de pesquisar informações sobre empresa e sobre a vaga em si. É muito ruim chegar a uma entrevista e demonstrar que você não conhece nada sobre a empresa. Isso mostra uma falta de interesse real na vaga para o entrevistador. O contrário, no entanto, quando demonstra um interesse mais específico pela cultura da empresa, costuma ser muito positivo”, diz Débora.

Os recrutadores afirmam estar atentos a alguns sinais sutis, mas que podem entregar esse desinteresse.

“São respostas negativas, que podem gerar uma impressão errada sobre você. Frases como ‘quero trabalhar aqui porque tenho contas para pagar’, ou ‘não conheço muito o trabalho da empresa’”, revela Janine Goulart. “Nesse momento, é mais interessante focar na experiência e habilidades que você pode conseguir com aquela vaga, e também no que você pode entregar como profissional”.

“Quando o candidato não sabe o que perguntar ao final da entrevista, não tem dúvidas sobre a vaga ou a empresa, demonstra uma falta de interesse e preparo em relação a esse conhecimento também”, conta Caroline C. Locks.

3. Não fale mais e nem menos do que o necessário

A postura durante a conversa também é observada pelos recrutadores. Janine Goulart alerta que falar demais sobre o que não interessa não é bom sinal.

“Não é interessante compartilhar informações pessoais exageradamente. Tente se ater ao contexto, compartilhar coisas que tenham relações com a conversa e agreguem valor à entrevista. Se você se desvirtuar demais da entrevista, pode ser que você deixe de falar coisas que eram realmente importantes”, recomenda.

Na outra ponta, uma entrevista de poucas palavras também pode ser mal vista. “A timidez é compreensível, é normal ficar nervoso, mas é importante que o profissional se prepare e consiga compartilhar sua experiência e habilidades. Você não precisa mudar seu jeito, mas não pode deixar a timidez impedir que ele transmita as informações relevantes para a vaga”, alega Janine.

“Respostas vagas, monossilábicas sem especificidade são ruins até em encontros pessoais. Profissionalmente também não são bem vistos”, completa Débora Barem.

4. Demissões e antigos chefes

Alguns temas mais delicados podem surgir durante a entrevista. As gestoras afirmam que, nesse momento, é importante demonstrar maturidade para tratar dos assuntos sem comprometer a imagem de terceiros.

“Sempre aborde os processos, não as pessoas. Falar mal de pessoas é muito ruim, evite. Não adianta falar mal de um chefe antigo, é provável que ninguém conheça ele nesse novo local. Fale dos processos, o que era ruim? O que você faria diferente se tivesse a decisão?”, recomenda Débora Barem. “Na realidade, é a sua imagem que você expõe quando fala mal de alguém, aquele terceiro citado não está ali. É você quem está sendo avaliado”.

Nesse sentido, Caroline C. Locks afirma que não assumir a responsabilidade pela sua própria trajetória é um ponto muito negativo. “Aquele candidato que sempre quer terceirizar suas falhas e momentos de mais dificuldade profissional. Sempre a culpa é de um colega, um ex-chefe. Ele não olha para si e para qual papel ele desempenhou no próprio caminho”.

Para Janine Goulart, a melhor forma de abordar situações desagradáveis do passado é mantendo o respeito. “Se você teve uma experiência ruim, não precisa mentir sobre o que aconteceu, mas é importante tomar cuidado com as palavras e demonstrar inteligência emocional e maturidade. Coloque as questões de forma respeitosa, e tente focar nos aprendizados que você adquiriu na situação”.

5. Expectativas desajustadas

A remuneração deve ser a última questão a ser abordada. Os três especialistas concordam que é muito importante deixar os valores e benefícios acertados, mas que esse assunto deve ser reservado para os momentos finais ou quando a vaga já está encaminhada ao pretendente.

“É claro que é muito importante. Não é que não pode perguntar sobre isso, mas tem que esperar o momento certo, geralmente no final. Isso pode ser visto como um fator de comportamento também. O foco da entrevista deve ser as suas qualidades, o que você tem a entregar, e não o contrário”, comenta Débora Barem.

Caroline C. Locks também acrescenta que é importante alinhar as expectativas com o mercado antes de entrar no tema. “Negociar é natural, é uma forma de posicionamento do profissional. Mas a expectativa de remuneração tem que estar justificada pela experiência, responsabilidades que vão ser assumidas e sua formação”.

*Estagiário sob supervisão de Diogo Max

[Fonte Original]

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