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terça-feira, julho 7, 2026

Crítica | Star Wars: Rogue One – Saw Gerrera – Plano Crítico

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Depois de contar histórias que imediatamente antecedem os momentos em que vemos Cassian Andor e Jyn Erso em Rogue One, o terceiro one-shot comemorativo do 10º aniversário do filme pela Marvel Comics foca em Saw Gerrera e vai mais ao passado do guerreiro revolucionário, em um momento em que ele ainda não dependia dos aparatos mecânicos para sobreviver. É uma escolha que faz pleno sentido e Marc Bernardin entrega um roteiro que não só não trai o personagem, como reitera seu jeito de ser, ainda que também não traga nada de exatamente novo sobre ele e suas estratégias que o fazem ser tão radical que nem mesmo a Rebelião o aceita em seu ventre.

Como uma poderosa página inicial tomada pelo rosto de Gerrera afirmando para alguém que não sabemos que é que essa pessoa não é qualificada para julgá-lo ou suas ações, a narrativa rebobina para dois dias antes, com o guerreiro, disfarçado de Stormtrooper morto, infiltrando-se em um hospital da República que foi tomado pelo Império, com o objetivo de inserir um transmissor na rede interna com o objetivo de espionar a movimentação de tropas. A missão é toda narrada por Gerrera e, mesmo que tensa, em momento nenhum tem a ação que podemos esperar de uma história assim, com o protagonista usando de todo o seu sangue frio para somente andar pelas instalações e fazer o que tem que fazer, em um belo exemplo de economia de diálogos que deixa a bela arte de Gabriel Guzman, com traços fortes, ríspidos e levemente “sujos”, falar por si mesma.

Quando Gerrera, depois, presta contas do ocorrido ao seu interlocutor que não vemos na primeira página, discordando fortemente da bronca que ele leva por ter feito o que fez da forma como fez, passamos a entender o escopo real da missão e todo o sacrifício desse esforço de guerra, além do que podemos facilmente classificar como a obsessão de Gerrera com seus métodos radicais. É, para todos os efeitos, um pequeno vislumbre do preço da guerra, do que é necessário fazer para uma revolução ser mais do que palavras ao vento,  algo que vemos com ricos detalhes tanto em Rogue One quanto em Star Wars: Andor. Sabemos do que Gerrera é capaz, mas raramente tivemos real oportunidade de ver e, com esse one-shot, Bernardin e Guzman nos oferece essa oportunidade que, não tenho dúvida alguma, teria merecido uma minissérie para ganhar um desenvolvimento mais detalhado.

Além de ser uma história boa demais para uma mera edição única, o roteirista ainda se sentiu forçado em, ao final, criar uma conexão familiar com Rogue One que é completamente desnecessária e que só não quebra por completo o ritmo por ser um epílogo que apenas lembra o leitor – aparentemente um desmemoriado – do objetivo do one-shot. Seja como for, a dupla criativa consegue usar a oportunidade da comemoração dos 10 anos do filme para oferecer material de real qualidade para além de apenas pequenos momentos de seus personagens, material esse que ousa ao sair completamente do padrão de ação com pancadaria e tiroteio e que, em poucas páginas, faz o leitor ficar pensativo e até um pouco assustado com o que Saw Gerrera é capaz de fazer pela causa.

Star Wars: Rogue One – Saw Gerrera (Idem – EUA, 2026)
Roteiro: Marc Bernardin
Arte: Gabriel Guzman
Cores: Federico Blee
Letras: Ariana Maher
Editoria: Mikey J. Basso, Mark Paniccia, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Data de publicação: 1º de julho de 2026
Páginas: 22



[Fonte Original]

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