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quinta-feira, julho 9, 2026

FMI prevê que o Brasil vai crescer mais do que em 2025

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Guerra no Irã interrompeu o fluxo de comércio no vital Estreito de Ormuz — Foto: Reuters/Stringer

Apesar dos sucessivos choques, a economia global mostrou uma notável resistência, com o impulso dos investimentos em tecnologia (inteligência artificial) contrabalançando o freio da tensão geopolítica. Ela vai crescer praticamente ao mesmo ritmo previsto pelo Fundo Monetário Internacional em abril — 3%, ante os 3,1% anteriores. Na revisão de projeções, porém, a inflação global deu um salto para 4,7% (4,4% em abril), pelos efeitos da guerra no Irã. Nas previsões de crescimento, a revisão do Brasil foi a segunda maior de todas — após a Coreia do Sul —, de 0,5 ponto, para 2,4% em 2026. Se confirmada, o país não só não terá desacelerado o crescimento em relação a 2025 (2,3%), como crescido um pouco mais, contrariando os prognósticos privados domésticos, de 1,99% (Focus).

Três meses depois do seu início, o pior cenário da guerra lançada por EUA e Israel contra o Irã acabou não se concretizando, e o cenário base projetado pelo FMI em abril se mantém por ora, embora o órgão multilateral alerte que o balanço de riscos ainda esteja mais inclinado para o lado negativo diante do temor de “reescalada” do conflito no Oriente Médio. Horas antes da divulgação do novo World Economic Outlook (WEO) do FMI, o presidente Donald Trump afirmou que considerava o memorando de entendimento com o Irã como “encerrado” depois de o Irã atacar, na segunda-feira, navios no Estreito de Ormuz. Os EUA revidaram e, na terça, os iranianos fizeram ofensivas contra instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Os EUA reiniciaram ao longo do dia de ontem os bombardeios ao país.

A nova ameaça de Trump fez o barril do petróleo Brent saltar 8,5%, subindo brevemente acima de US$ 80 por barril, na máxima do dia. Trump alertou ainda que os preços do petróleo podem subir mais, uma vez que seu governo fará mais ataques ao Irã, que podem incluir como alvo importante polo de exportação da Ilha de Kharg. Os preços do Brent logo retornaram para abaixo de US$ 80, mantendo um padrão de reação limitada. Mesmo no auge do conflito, o petróleo chegou a US$ 126 o barril, bem distante das projeções mais pessimistas de US$ 200 ou mais.

O FMI atribui essa alta limitada dos preços globais do petróleo ao alívio temporário proporcionado pela utilização de estoques estratégicos e comerciais, assim como a redução na atividade econômica e do consumo em resposta ao choque nos preços — em especial na Ásia, principal importadora de energia do Oriente Médio.

No entanto, o FMI alerta que a transmissão dos efeitos da guerra nos preços das commodities ainda está em estágios iniciais. O Fundo estima que os preços da energia vão permanecer em níveis elevados, bem acima dos projetados antes do conflito, com os preços do petróleo e do gás 9% e 5% acima da projeção de referência feita em abril, respectivamente. Isso corresponde a um aumento anual de 32% nos preços do petróleo e de 22% nos preços do gás natural em 2026. Para os preços dos fertilizantes, o FMI projeta uma alta de 26%, que combinada com o encarecimento do transporte deve elevar em 8% os preços dos alimentos.

A guerra no Oriente Médio definitivamente inverteu a tendência global de desinflação. No entanto, o FMI ressalta que apesar da maior pressão nos preços, até o momento há poucas evidências de descolamento nas expectativas. Segundo o novo WEO, o aumento nos preços de energia e alimentos deve elevar a inflação global para 4,7% este ano, 0,3 ponto percentual acima da previsão de abril e acima dos 4,1% em 2025.

O FMI elevou as projeções de crescimento para os quatro maiores exportadores de hardware relacionado à IA — Taiwan, Coreia do Sul, Tailândia e Malásia —, em média, em 4,4 pontos percentuais, enquanto para os demais países do mundo o ajuste médio foi de -0,3 ponto percentual. A Coreia do Sul, apesar de sua forte dependência de energia importada do Oriente Médio, surpreendeu com uma taxa de crescimento anualizada de 7,5%, mais de quatro vezes o 1,8% projetado em abril e acima da previsão de expansão anual de 2,6%. Outro destaque asiático, o Vietnã teve sua projeção elevada em 0,4 ponto percentual, para 7,5% este ano, impulsionada por exportações de tecnologia acima do esperado — na lista do FMI é o país que mais cresce no mundo hoje.

O FMI aponta que a economia global se debate entre duas forças, a do choque de energia e a do choque de tecnologia, que “empurram em direções contrárias, mas com efeitos assimétricos sobre os países”. Além da continuidade da guerra, outro risco de peso é a reversão do ciclo de investimentos e valorização de ações da IA. Ela provocaria uma forte reação em cadeia nos preços dos ativos, eliminaria o efeito riqueza atual, e teria efeito contracionista sobre as economias, com possíveis impactos sobre o sistema financeiro e os títulos soberanos de países em geral hoje muito mais endividados que na crise financeira de 2008.

A elevação do crescimento do Brasil foi uma surpresa, pois ela não decorre de investimentos em tecnologia, mas do crescente pacote de bondades do governo federal em ano de eleições. Manter o ritmo da economia com anabolizantes, além de impedir a queda da inflação, tem efeitos limitados e nocivos sobre a dívida pública. Falta sustentabilidade à atual expansão.

[Fonte Original]

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