Bom dia. Estamos na sexta-feira, 10 de julho.
Cenários
A semana se encerra com a divulgação da inflação “oficial” de junho. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, nesta sexta-feira (10), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo Banco Central (BC) para definir o cumprimento da meta de inflação.
A expectativa do mercado é de uma desaceleração. A projeção de junho oscila entre 0,32% e 0,39%, abaixo dos 0,58% observados em maio. No entanto, a inflação acumulada em 12 meses deve subir. A expectativa é de uma inflação acumulada de até 4,80%, acima dos 4,72% acumulados nos 12 meses até maio, e também superando o teto da meta de inflação, que é de 4,50%.
Os investidores estão levemente otimistas. O mercado financeiro reduziu, na última segunda-feira (6), a projeção para o IPCA de 2026, de 5,33% para 5,30%. Foi o primeiro recuo em quatro meses, segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras. A mudança de tom reflete um conjunto de sinais recentes de desaceleração nos preços.
O principal deles veio da prévia da inflação. O IPCA-15 de junho, divulgado em 25 de junho, subiu 0,41%, abaixo dos 0,44% esperados pelo mercado e também abaixo da alta de 0,62% registrada em maio. Para Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), “o dado de hoje é compatível com um cenário de desinflação gradual”.
Parte do alívio veio dos combustíveis. Em junho, o etanol recuou 5,30%, a gasolina caiu 0,73% e o diesel, 1,47%, favorecidos pelo avanço, à época, das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno de um acordo para reduzir as tensões no Golfo Pérsico. Os núcleos de inflação, que filtram itens mais voláteis, também mostraram sinais de acomodação: a média subiu 0,34% em junho, ritmo inferior ao dos meses anteriores.
Ainda assim, a desaceleração não é uniforme. Alimentação e energia elétrica seguem como os principais focos de pressão. A conta de luz subiu 2,04% em junho, com a manutenção da bandeira tarifária amarela e reajustes em capitais como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador. Já alimentos in natura, como tomate, batata-inglesa e feijão-carioca, tiveram altas superiores a 14% no mês, atribuídas a fatores climáticos. Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, “a tendência subjacente sugere que o processo de desinflação segue lento e desafiador”.
Há, porém, um risco relevante no horizonte, que ainda não aparece nos números de junho, mas pode pressionar os próximos levantamentos do IPCA. Na quarta-feira (8), os Estados Unidos retomaram ataques contra o Irã, na região do Estreito de Ormuz, após uma escalada de hostilidades que já eram dadas como parcialmente resolvidas. Os preços do petróleo dispararam: o Brent subiu 5,2%, para US$ 78,02 o barril, e o WTI avançou 4,37%, para US$ 73,52. Caso a tensão no Golfo Pérsico se prolongue, o alívio recente nos preços dos combustíveis pode ser revertido, com efeitos sobre a inflação dos próximos meses.
Perspectivas
A sexta-feira se encerra sem uma tendência definida para os contratos futuros dos índices americanos no pré-mercado. Os investidores seguem à espera de mais clareza na situação do Oriente Médio. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil estão estáveis. Os investidores esperam notícias da inflação e aguardam movimentações no Oriente Médio, e podem realizar os lucros da véspera.
Indicadores
BRASIL
IPCA (Jun)
Esperado: 0,32%
Anterior: 0,58%
IPCA (12M)
Esperado: 4,80%
Anterior: 4,72%
Estados Unidos
Sem indicadores relevantes