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sábado, julho 25, 2026

‘Trump Trade’ está se tornando uma aposta perdedora no mercado de ações

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Quando Donald Trump foi eleito para um segundo mandato como presidente, investidores amadores e profissionais correram para identificar quais ações se beneficiariam de suas políticas econômicas agressivas.

Embora essa estratégia tenha começado de forma promissora, o chamado “Trump Trade” agora está aos trapos. O Índice Trump Trade, da Ned Davis Research — composto por uma dúzia de fundos negociados em bolsa (ETFs) que deveriam se beneficiar das políticas da Casa Branca para construção de moradias, aumento dos gastos com defesa e repatriação da manufatura para os Estados Unidos — recuou cerca de 16% desde maio, após superar com folga o índice S&P 500 no início do ano. Vários dos ETFs que compõem o indicador agora acumulam queda no ano.

O desmonte do Trump Trade é, em grande parte, resultado do conflito dos Estados Unidos com o Irã, que elevou os preços da energia, as expectativas de inflação, as taxas de juros e o valor do dólar americano, escreveu a Ned Davis Research em um relatório divulgado nesta semana.

“Tudo isso está ligado à guerra com o Irã e à inflação”, disse Pat Tschosik, estrategista-chefe de temas da Ned Davis Research. “Será que podemos simplesmente passar três meses sem algum tipo de choque inflacionário? Entre alguma tarifa, uma guerra ou uma interrupção nas cadeias de suprimentos, será que podemos passar apenas três meses sem algum tipo de choque de oferta?”, questionou.

A queda ocorre depois de muitas das apostas do Trump Trade terem registrado ganhos de dois dígitos percentuais nos três primeiros meses do ano. ETFs como o “VanEck Rare Earth and Strategic Metals”, o “Global X Uranium” e o “Global X Defense Tech” chegaram a acumular altas de pelo menos 20% em diferentes momentos do primeiro trimestre e mantiveram parte desses ganhos no segundo trimestre, antes de acabarem entrando no vermelho.

Os investidores que apostaram no sucesso da agenda de Trump enfrentaram diversas decepções neste ano, segundo Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research. Entre elas estão os efeitos negativos da guerra com o Irã sobre a economia, como a alta da inflação, que prejudicou os investimentos na indústria manufatureira e no setor imobiliário, além do desempenho superior dos temas ligados à inteligência artificial (IA), em detrimento de ações cujo desempenho está atrelado ao ciclo econômico.

“Os investidores que apostaram em IA e contra os setores cíclicos tradicionais tiveram desempenho superior, enquanto aqueles que viram Trump como um defensor da manufatura americana, da indústria pesada e do consumo da classe trabalhadora saíram perdendo”, disse Gertken.

Os fluxos de recursos indicam que um número constante de investidores está abandonando algumas dessas apostas. O ETF “Truth Social God Bless America” tem registrado saídas líquidas de recursos todos os meses desde o início da guerra. Negociado sob o código “YALL” e com forte exposição aos setores de energia, indústria e financeiro, o fundo acumula queda de mais de 4% neste ano, enquanto o S&P 500 sobe cerca de 8%.

Vale destacar que o fundo não detém ações da “Trump Media & Technology”, controladora da Truth Social, cujos papéis atingiram sucessivas mínimas históricas neste ano, embora tenham se recuperado em julho. Ainda assim, a ação acumula queda de 35% no ano.

Nem todos os ETFs ligados a Trump, porém, estão no vermelho. O ETF “Point Bridge America First”, que opera sob o código “MAGA”, caiu menos do que o mercado acionário americano como um todo em março, no início da guerra com o Irã, e continua acumulando alta no ano.

“A guerra com o Irã está gerando alguma preocupação em relação aos preços da energia”, disse Hal Lambert, fundador da Point Bridge Capital. Embora isso tenha representado um desafio de curto prazo para as teses de repatriação da manufatura, “há uma forte exposição ao setor de energia no ETF MAGA”, e isso ajudou o fundo a apresentar um desempenho praticamente em linha com o do S&P 500.

Outro desafio é que os investidores estão tendo cada vez mais dificuldade para interpretar as estratégias de política da Casa Branca e como elas serão implementadas. Desde que Trump tomou posse, investidores em ações foram obrigados a acompanhar uma série de publicações nas redes sociais e ordens executivas do presidente, tentando identificar os potenciais vencedores e perdedores no mercado decorrentes dessas medidas, apenas para ver Trump recuar de seus planos ou mudar de rumo.

“Sempre há alguma coisa — a guerra com o Irã, as tarifas”, disse Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading Institutional Services. “Chegou a um ponto em que os investidores estão simplesmente tentando ignorar essas políticas na medida do possível, porque realmente não conseguem avaliar seus impactos.”

A fonte mais recente de incerteza é a decisão do governo Trump, tomada nesta semana, de substituir a tarifa global temporária de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos, que havia expirado, por medidas direcionadas com base na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Trump também impôs nesta semana tarifas de 50% ao Canadá, o maior mercado individual para as exportações americanas, sobre uma série de produtos, incluindo cerveja, vinho, papel e tacos de hóquei. Outros países também devem ser alvo de tarifas específicas com base na Seção 338, sendo China e Europa os próximos alvos mais prováveis, escreveu o analista Chris Krueger, da TD Cowen, em relatório de 20 de julho.

“Este realmente não é o momento para insistir nisso”, disse Mark Malek, diretor de investimentos da Muriel Siebert, referindo-se ao cenário de inflação e preços do petróleo elevados e às preocupações dos investidores de que a expansão das margens corporativas possa desacelerar. “Precisamos ser muito, muito cautelosos neste momento.” Ele acrescentou que o mercado acionário já subiu apesar do fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra com o Irã, consumindo seu único “cartão para sair da cadeia”.

Ainda assim, embora o Trump Trade pareça estar em dificuldades, alguns apoiadores mais fiéis do presidente acreditam que seria um erro abandoná-la agora. Hal Lambert, da Point Bridge Capital, republicano de longa data e integrante do comitê de posse de Trump, acredita que as políticas do presidente ainda criarão vencedores no mercado acionário. “É uma aposta de longo prazo”, disse. “Não se constrói uma fábrica da noite para o dia.”

‘Trump Trade’ está se tornando uma aposta perdedora no mercado de ações — Foto: Michael Nagle/Bloomberg

[Fonte Original]

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