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segunda-feira, agosto 3, 2026

Depois da Nvidia, próxima aposta para ganhar com IA pode estar em cripto, diz Franklin Templeton

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A inteligência artificial virou uma das principais teses de investimento dos últimos anos, impulsionando ações de fabricantes de chips, empresas de nuvem e data centers. Mas a próxima fase dessa corrida pode beneficiar também redes blockchain e criptomoedas, segundo Sandy Kaul, chefe de ativos digitais e inovação da Franklin Templeton.

Em uma publicação recente, Kaul afirmou que investidores institucionais têm concentrado suas apostas em empresas como Nvidia e grandes provedoras de infraestrutura, mas podem estar deixando de lado uma camada importante: os sistemas que permitirão que agentes de IA façam pagamentos, comprem serviços e interajam economicamente entre si.

A tese gira em torno da chamada IA agêntica. Diferentemente da IA generativa, que responde a comandos criando textos, imagens ou códigos, agentes de IA são desenhados para executar tarefas com pouca intervenção humana. Eles podem reservar viagens, comparar preços, comprar capacidade computacional, acessar bases de dados ou gerenciar fluxos de trabalho em nome de uma pessoa ou empresa.

Esse movimento já começou a aparecer em produtos financeiros. Em maio, a Robinhood lançou ferramentas de investimento com IA que permitem a agentes negociar ações e realizar compras para usuários. O CEO da empresa, Vlad Tenev, já afirmou que agentes de IA poderão um dia competir com a capacidade de traders humanos, enquanto OpenAI e Anthropic avançam no desenvolvimento de sistemas cada vez mais autônomos.

O problema, segundo Kaul, é que esses agentes precisarão de uma infraestrutura de pagamentos diferente da atual. Muitas transações entre sistemas de IA podem valer frações de centavo, como o pagamento por uma chamada de API, alguns segundos de processamento em nuvem ou acesso pontual a um conjunto de dados. Redes tradicionais de pagamento, com intermediários e taxas fixas, podem se tornar caras demais para esse tipo de operação.

Blockchain pode virar trilho de pagamento para agentes de IA

É nesse ponto que entram as blockchains. Para Kaul, redes públicas são mais adequadas a pagamentos entre máquinas porque oferecem transações programáveis, identidade criptográfica e liquidação quase instantânea. Em vez de depender de bancos ou bandeiras de cartão, agentes de IA poderiam manter ativos digitais e pagar diretamente uns aos outros por meio de redes blockchain.

Se esse modelo ganhar escala, a adoção de IA poderia aumentar também a demanda por redes descentralizadas. Como agentes precisariam usar criptomoedas nativas para pagar taxas de transação, o crescimento do volume movimentado poderia elevar a demanda por esses tokens e gerar mais receita para segurança da rede, desenvolvedores e aplicativos descentralizados.

A leitura da Franklin Templeton se conecta a uma visão defendida por Jeremy Allaire, CEO da Circle, emissora do USDC. Para ele, IA agêntica e blockchain não são duas tendências separadas, mas partes de uma mesma mudança tecnológica.

Allaire argumenta que a IA está reduzindo o custo do trabalho intelectual, enquanto blockchain e dinheiro digital programável fazem algo parecido com pagamentos, liquidação e coordenação econômica. Nesse cenário, agentes de IA deixariam de ser apenas ferramentas e passariam a funcionar como participantes econômicos, capazes de comprar serviços, contratar outros agentes e trocar valor de forma autônoma.

Essa visão vai além dos pagamentos. Empresas nativas de IA poderiam operar cada vez mais on-chain, com tokens representando participação, governança e acesso a serviços. Ao mesmo tempo, modelos de cobrança por assinatura poderiam dar lugar a estruturas de pagamento por tarefa, em que agentes de IA compram e vendem serviços digitais em tempo real.

Para investidores, a conclusão de Kaul é que a tese de IA pode estar entrando em uma nova fase. Até agora, grande parte do capital foi direcionada a empresas listadas em bolsa que constroem modelos, chips, nuvem e data centers. Mas, se agentes autônomos se tornarem parte relevante da economia digital, blockchains e criptomoedas podem virar uma nova forma de exposição ao crescimento da inteligência artificial.

Isso não significa que qualquer token ligado a IA ou blockchain será beneficiado. O mercado cripto continua volátil, e muitas narrativas acabam atraindo projetos especulativos sem uso real. A diferença, neste caso, está na infraestrutura: se agentes de IA realmente precisarem de pagamentos instantâneos, programáveis e de baixo custo, redes blockchain podem deixar de ser apenas uma tese cripto e passar a ocupar um papel mais concreto na economia digital.

A disputa, portanto, pode não ser apenas sobre qual empresa venderá mais chips ou qual modelo de IA será mais usado. A próxima pergunta para investidores é qual infraestrutura permitirá que esses agentes funcionem, paguem e negociem em escala. Para a Franklin Templeton, parte dessa resposta pode estar nas criptomoedas.

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[Fonte Original]

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