Nesta terça-feira (4), a SpaceX divulgou que teve alta de 91,9% na receita do segundo trimestre, no primeiro balanço apresentado desde a abertura de capital. Por outro lado, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 541 milhões no trimestre. A redução foi de 46,3% em relação ao prejuízo de US$ 1,01 bilhão apurado um ano antes.
Entre abril e junho, a companhia registrou receita de US$ 7,8 bilhões, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo período do ano passado. Essa é uma alta de 91,9%.
O Ebitda ajustado (indicador que mede a geração de caixa) somou US$ 3,54 bilhões, alta de 191,4% sobre o mesmo período de 2025.
Desde o IPO recorde realizado em junho, quando a companhia foi avaliada em US$ 1,75 trilhão, as ações acumulam queda de 8%. A expectativa é de que a volatilidade aumente a partir desta quinta-feira (6), com o fim do período de lock-up (fração de tempo após o IPO em que acionistas não podem vender suas ações, limitando a oferta de papéis no mercado).
Altos e baixos
A divisão de conectividade, liderada pela Starlink, permaneceu como o principal motor financeiro da SpaceX. No trimestre, o segmento gerou US$ 4,3 bilhões em receita, acima da expectativa de US$ 3,8 bilhões.
O desempenho, no entanto, foi parcialmente ofuscado pelo número de novos assinantes, que ficou abaixo das projeções do mercado. Para William Castro, estrategista-chefe da Avenue, esse foi um dos principais fatores por trás da reação negativa dos investidores.
“Quando a gente vai para o número de subscribers da Starlink, se esperava um pouco mais do que a empresa entregou”, afirmou. “Esse foi o primeiro ponto negativo que ajuda a explicar a queda das ações.”
Ao longo do dia, os papéis chegaram a acompanhar a valorização generalizada das empresas de tecnologia nos Estados Unidos. Após a divulgação do balanço, porém, o movimento perdeu força e as ações passaram a cair cerca de 7% na sessão desta terça-feira (4).
Já a área espacial da companhia — que engloba lançamentos comerciais, contratos governamentais e o desenvolvimento da nave Starship — apresentou desempenho acima das expectativas. No trimestre, o segmento faturou US$ 962 milhões. Apesar da evolução, essa divisão ainda representa uma fatia reduzida do faturamento total da SpaceX e permanece atrás da Starlink em geração de receita.
IA concentra os investimentos da companhia
Enquanto a Starlink continua financiando boa parte das operações, é o ecossistema de inteligência artificial que absorve a maior parcela dos investimentos da empresa. O segmento reúne xAI, Grok, X e a expansão da infraestrutura de data centers.
Segundo Castro, a dinâmica financeira da companhia é clara. “O segmento de conectividade continua sendo lucrativo e gerando lucro operacional, mas grande parte desse lucro operacional vai para sustentar os financiamentos necessários para o universo de AI.”
Os investimentos totais da SpaceX cresceram seis vezes no trimestre e atingiram US$ 18,4 bilhões. Desse montante, US$ 15,8 bilhões foram destinados às iniciativas ligadas à inteligência artificial, superando a expectativa do mercado, que era de US$ 13 bilhões.
Na avaliação de Castro, a combinação entre o elevado volume de investimentos e o crescimento mais lento da base de assinantes da Starlink explica o comportamento das ações após a divulgação dos resultados. “Acho que esses foram os dois principais pontos que ajudam a explicar por que a ação não está reagindo positivamente.”