A experiência da Flip contribuiu para revelar um novo modo de habitar e perceber Paraty. Redes de relações, que antes se insinuavam de forma pontual, se tornaram contínuas, alimentando novas formas de cooperação entre especialistas, artistas, instituições, prefeitura, moradores e visitantes. O território, para além do suporte físico da Festa, é uma superfície na qual se inscrevem memórias, afetos e modos de vida ativados pela literatura. Ao longo de 24 edições, a Festa Literária Internacional de Paraty consolidou uma linguagem própria e desenvolveu, junto à cidade, uma consciência renovada de si mesma.
Este ensaio – cuja temática foi originalmente abordada na dissertação de mestrado A borda d’água de Paraty: Revitalização urbana sustentável a partir de seus espaços públicos (que defendi em 2003, ano da primeira edição da Flip, pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) – é fruto de uma longa convivência com o município.
As ideias aqui expostas nasceram de observações sobre as relações entre cidade, paisagem e vida coletiva que remontam à minha convivência com Paraty desde a adolescência na década de 1970. Volto a escrever sobre temas que me ocuparam como pesquisador, agora revistos à luz da experiência da Flip. Não somente como objeto de estudo, mas como campo da prática de arquitetura e da transformação do território: um espaço que continua a renovar as inquietações que deram origem tanto à pesquisa quanto à própria Festa.
Nas pesquisas necessárias aos primeiros projetos de arquitetura
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