O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, começou sua campanha neste domingo (16) no Largo São Francisco, no Centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da USP, onde estudou antes de abandonar o curso para se dedicar à política. Após criticar Flávio Bolsonaro e Lula e exaltar o combate violento ao crime, o candidato fez uma apresentação musical, com violão e gaita, em uma tentativa de emular um Bob Dylan à direita.
Renan subiu ao parlatório de colete à prova de balas. Nos últimos dias, ele afirmou que foi ameaçado de morte para o ato de início de campanha — durante o discurso, ele voltou a falar sobre as supostas ameaças. Ele começou o ato criticando o evento de Lula, realizado mais cedo em São Bernardo:
— Não há nada mais significativo do Brasil tornado zumbi do que aquele maldito comício, organizado por aquele maldito bêbado e sua maldita esposa, naquele maldito local.
Ele também criticou a família Bolsonaro, dizendo que buscam o poder pelo poder. Em diversos momentos, Renan mirou ataques a Flávio em tentativa de roubar votos para ir ao segundo turno:
— Uma parte importante do brasileiro que trabalha e produz, que é cristão, que é trabalhador, que não aceita vagabundo, está endossando de maneira crítica, porque ainda não tá ligando pras eleições. Um cara que é o Flávio Bolsonaro, que ele próprio aliado à duas principais facções do Rio, que é o Comando Vermelho, grupo do Bacelar, grupo do TH Joias, e as milícias do Rio de Janeiro, que foram inclusive condecoradas pelo gabinete dele. Flávio Bolsonaro é parte do grupo político mais corrupto do Brasil, que são as lideranças políticas do Rio de Janeiro.
O discurso falou sobre violência e combate ao crime, e prometeu operações já em 6 de janeiro, dizendo que vai manchar o chão de vermelho com as operações. Renan afirmou que, logo no início de seu governo, pretende utilizar as forças policiais e de segurança nacional para “devastar os primeiros inimigos” em cidades tomadas pelo crime. Ele afirmou que o destino de líderes do PCC e do Comando Vermelho será a prisão ou a morte. A plateia responda com um grito: “Prendeu, matou. Prendeu, matou”
Ao final, ele tocou violão e gaita ao entoar o hino da campanha com pegada folk e execução desafinada.
Durante o evento, o Missão anunciou Guto Schiavetto como candidato ao Senado por São Paulo. A candidatura faz parte da estratégia do partido de lançar nomes próprios nas principais disputas eleitorais do país e ampliar a presença no Congresso.
Entre os políticos que discursaram antes de Renan estão a vereadora paulistana Amanda Vettorazzo, o ex-deputado estadual Arthur do Val e o deputado federal Kim Kataguiri.
A escolha do Largo São Francisco foi ponto de conflito entre a campanha e estudantes da USP. Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Centro Acadêmico XI de Agosto convocaram manifestações contra o ato e criticam o uso do espaço da faculdade pelo político — nenhuma confusão foi registrada durante o evento. Nos discursos, o deputado federal Kim Kataguiri provocou a UNE e foi acompanhado da plateia, que entoou xingamentos.
— Eu não estou vendo ninguém da UNE aqui. Eu não estou vendo a resistência. Nós vamos passar o trator em vocês — falou o deputado.
O partido, criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), aposta no empresário e dirigente da legenda para representar uma direita que busca se apresentar como alternativa tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo. Renan tem como candidato a vice o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar Aroldo Medina.
O evento também ocorreu em meio à disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o Missão. Na quinta-feira (13), o sistema da Justiça Eleitoral passou a registrar Flávio como filiado ao partido de Renan, no lugar do PL. A alteração impediu temporariamente o registro da candidatura de Flávio à presidência. O senador afirma que não autorizou a mudança e atribui o episódio a uma fraude. O TSE posteriormente restabeleceu a filiação de Flávio ao PL e determinou o encaminhamento do caso para investigação.
O episódio provocou uma troca de acusações entre os dois lados. Flávio afirmou que não autorizou a mudança e que houve uma tentativa de impedir sua candidatura. Renan, por sua vez, diz que o partido tem registros de que a filiação foi confirmada por meio do endereço de e-mail oficial do senador e questiona a versão apresentada por Flávio. O Missão levou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu investigação sobre a autoria da filiação.
Na última rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na sexta-feira (14), Renan aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e à frente de Romeu Zema (Novo), que tem 2%. Lula lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 31%.
O percentual de Renan se mantém estável em relação à pesquisa anterior, de 5 de agosto, quando também registra 4%. Em um eventual segundo turno contra Lula, o candidato do Missão aparece com 36%, contra 44% do petista.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.