O gasto público tem aumentado com força nos últimos anos, numa economia com baixo desemprego e uma renda que avançou significativamente. Não por acaso, os juros estão em níveis elevadíssimos – a Selic, em 14% ao ano, ainda está em quase 10%, descontado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para os próximos 12 meses, enquanto os juros de longo prazo estão na casa de 7,4% acima da inflação. Taxas dessa magnitude jogam nas alturas os gastos financeiros do setor público e sufocam as finanças de muitas famílias e empresas. O próximo governo terá que deter a expansão das despesas públicas se quiser abrir espaço para os juros caírem mais, num quadro em que a atividade perde fôlego e há uma crise de endividamento no setor privado, que pode potencializar a desaceleração da economia.