Alguns analistas atribuíram a alta do preço do ouro ao anúncio feito pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos na manhã de quarta-feira de que dobraria o volume de suas operações de recompra para dar liquidez a títulos com vencimentos de 10 a 30 anos.
Em uma nota citada pela Reuters, a TD Securities afirmou que o anúncio do Tesouro deu um “impulso de vida” aos metais, dizendo que os investimentos em ouro poderiam “retornar rapidamente em meio ao suporte de liquidez do Tesouro, a um Fed disposto a desconsiderar temporariamente um choque de energia e a uma narrativa de estagflação crescente, fatores que, em última instância, devem levar a taxas reais mais baixas”.
Ole S. Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, também atribuiu a alta do preço do ouro à fraqueza do dólar, em uma publicação no X na manhã de quarta-feira. O índice do dólar americano recuava cerca de 0,7% até a tarde de quarta-feira.
“A combinação de rendimentos mais baixos e um dólar mais fraco, oferecendo um novo impulso, reforça a recuperação observada desde o início de agosto”, escreveu Hansen.
Os preços do ouro vêm subindo recentemente, depois de permanecerem praticamente estagnados durante a maior parte de junho e julho. No início deste mês, o ouro registrou sua melhor semana em sete meses, com alta de cerca de 7%, impulsionado principalmente pela fraqueza do dólar, pela queda dos rendimentos dos Treasuries e por uma desaceleração inesperada nos dados de emprego.
Antes da alta de agosto, porém, o ouro permaneceu em grande parte entre US$ 4.000 (R$ 20.000) e US$ 4.200 (R$ 21.000) durante boa parte do verão, depois de registrar seu pior trimestre em mais de uma década. Nos três meses encerrados em 30 de junho, o ouro perdeu cerca de 16% de seu valor, sua maior queda percentual desde 2013.
Naquele momento, tanto o ouro quanto a prata haviam recuado para mínimas de cerca de sete meses, com o ouro caindo abaixo de US$ 4.000 (R$ 20.000). Na época, analistas atribuíram o movimento à força do dólar, que estava em seu maior nível em mais de um ano, e às expectativas de que o Federal Reserve poderia elevar os juros em algum momento deste ano.
A prata também registrou uma alta moderada na quarta-feira, subindo cerca de 3% e atingindo uma máxima intradiária de US$ 66,16 (R$ 330,80). Diferentemente do ouro, a prata não está em uma máxima de dois meses. O metal chegou a preços mais altos, de cerca de US$ 67 (R$ 335), na semana passada, e anteriormente havia ultrapassado US$ 70 (R$ 350) em meados de junho.
É possível que o Federal Reserve eleve as taxas de juros ainda este ano. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indica que a probabilidade de uma alta de juros na reunião do Fed em dezembro é de cerca de 69,2%, enquanto a possibilidade de uma alta anterior é bem menor: 36,6% em setembro e 49,2% em outubro.
Taxas de juros mais altas geralmente estão associadas à queda dos preços dos metais, o que significa que uma elevação dos juros poderia potencialmente provocar uma queda nos preços do ouro e da prata.
O ouro e a prata recuaram em relação às máximas históricas atingidas no início deste ano. Em janeiro, os metais encerraram uma alta histórica que havia durado meses, com o ouro atingindo um pico de cerca de US$ 5.600 (R$ 28.000), enquanto a prata alcançou o recorde de US$ 121 (R$ 605). Desde então, a prata perdeu quase metade desse valor.
Os dois metais, em geral, recuaram ao longo da guerra no Irã, à medida que passaram a ser negociados em sentido inverso aos preços do petróleo, que dispararam durante o conflito.
Antes de perderem grande parte de seu valor, ouro e prata haviam subido de forma tão expressiva devido a fatores que incluíam cortes nas taxas de juros, as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, tensões internacionais e o aumento da demanda por metais por parte das indústrias de tecnologia.
*Matéria publicada originalmente em Forbes.com