A Manufatura de Brinquedos Estrela (ESTR3; ESTR4) protocolou na Justiça o seu Plano de Recuperação Judicial em 14 de agosto de 2026, cumprindo o prazo legal de 60 dias previsto na Lei nº 11.101/2005 e apresentando o documento no último dia do período.
A companhia comunicou o protocolo ao mercado por meio de fato relevante na quinta-feira (20), informando que o plano reúne as medidas e condições para reestruturar suas obrigações e superar a situação econômico-financeira do grupo.
O processo tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais.
A recuperação judicial da fabricante de brinquedos foi deferida em 15 de junho de 2026, quando o juízo reconheceu o cumprimento dos requisitos legais e autorizou o processamento em regime de consolidação processual e substancial — mecanismo que permite tratar em conjunto os ativos e passivos das oito empresas do grupo, dada a integração operacional e societária entre elas.
A partir daquele deferimento passou a correr o prazo de 180 dias, conhecido como stay period, em que ficam suspensas as cobranças e execuções sujeitas ao processo.
O pedido de recuperação judicial havia sido protocolado em 20 de maio de 2026 e representa o terceiro processo do tipo enfrentado pela Estrela em pouco mais de duas décadas — os anteriores ocorreram em 2004 e 2008.
Fundada em 1937 e responsável por clássicos como Banco Imobiliário, Genius e Autorama, a companhia atribuiu a crise à combinação de aumento do custo de capital e restrição de crédito, à mudança no comportamento de consumo diante da concorrência de alternativas digitais e aos impactos acumulados sobre a estrutura financeira do grupo, segundo fato relevante assinado pelo diretor de relações com investidores, Carlos Antonio Tilkian.
O endividamento consolidado do grupo era de aproximadamente R$ 109,2 milhões à época do pedido, cifra superior ao valor de mercado da companhia, estimado em torno de R$ 42,7 milhões em maio de 2026. O pedido de recuperação foi apresentado semanas depois de um pedido de falência protocolado em abril de 2026 pela Ipiranga Factoring contra uma das empresas do grupo. Antes disso, em setembro de 2025, a Estrela havia firmado acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar R$ 747,8 milhões em débitos tributários, montante que, após descontos e uso de créditos fiscais, recuou para R$ 72,4 milhões, parcelados em até dez anos.
O plano agora protocolado será submetido à análise e votação dos credores em assembleia e, se aprovado, homologado pela Justiça. O documento completo está disponível no site de Relações com Investidores da companhia. Mais informações no site da Forbes Brasil e no canal Forbes Money no WhatsApp.