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segunda-feira, agosto 24, 2026

Trump Eleva Tarifas sobre Produtos do Canadá para 50% e Amplia Guerra Comercial

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (24) que carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá serão submetidos a tarifas de 50% a partir de 1º de janeiro de 2027. A medida amplia a guerra comercial entre os dois países após o fracasso das negociações para um novo acordo comercial.

Em publicação na rede Truth Social, Trump acusou o Canadá de impor tarifas elevadas sobre agricultores e produtos agrícolas americanos e afirmou que essas políticas contribuíram para um déficit comercial de US$ 60 bilhões entre os dois países.

“Suas tarifas absurdamente altas sobre nossos agricultores e produtos agrícolas tornaram a vida impossível para esses grandes patriotas americanos e criaram um déficit de US$ 60 bilhões entre nossos dois países. Isso não é sustentável, e NÃO ACONTECERÁ MAIS!”, escreveu.

O anúncio ocorre três dias depois de Estados Unidos e Canadá encerrarem uma rodada de negociações sem chegar a um acordo. Na sexta-feira (21), o representante comercial americano Jamieson Greer e o ministro canadense do Comércio, Dominic LeBlanc, concluíram três dias de discussões sem resolver os principais pontos de divergência.

Tarifas já estão em vigor

A nova ameaça de Trump se soma às tarifas de 50% que entraram em vigor no sábado (22) sobre uma série de produtos canadenses.

A primeira rodada atingiu aproximadamente US$ 28 bilhões em mercadorias, segundo o governo canadense. A medida veio depois que a Casa Branca concedeu uma suspensão de três dias para tentar concluir as negociações.

Na terça-feira (18), Trump havia anunciado o adiamento das tarifas após os dois governos indicarem que haviam feito progresso nas conversas. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou na ocasião que havia “progresso substancial”.

O entendimento, porém, não avançou. Na sexta-feira, as negociações foram encerradas. Segundo Carney, Washington apresentou exigências consideradas excessivas e tentou incluir cláusulas que limitariam a capacidade do Canadá de negociar acordos comerciais com outros países. “Washington estava exigindo demais e oferecendo muito pouco”, afirmou o primeiro-ministro.

Canadá prepara retaliação

Em resposta às tarifas americanas, Carney anunciou que o Canadá aplicará tarifas equivalentes, “dólar por dólar”, sobre produtos dos Estados Unidos a partir de 8 de setembro.

A lista de possíveis produtos inclui aço, laticínios, papel, eletrodomésticos, máquinas agrícolas e componentes eletrônicos. O governo canadense também sinalizou que pretende acelerar a diversificação de suas exportações para reduzir a dependência do mercado americano.

O desafio é grande. Cerca de 72% das exportações canadenses de mercadorias tiveram os Estados Unidos como destino em 2025, segundo o Statistics Canada. No mesmo ano, as exportações canadenses para outros países cresceram, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram.

Automóveis são ponto crítico

A ameaça de tarifas de 50% sobre carros e autopeças é especialmente relevante porque a indústria automotiva dos dois países funciona de forma integrada.

Peças produzidas no Canadá são utilizadas por fábricas americanas, enquanto componentes e veículos produzidos nos Estados Unidos atravessam a fronteira em diferentes etapas da cadeia de produção.

Uma tarifa de 50% pode, portanto, aumentar o custo de produção para empresas dos dois lados da fronteira, além de pressionar preços para consumidores.

O setor automotivo é um dos principais exemplos de como a política tarifária de Trump pode produzir efeitos diferentes daqueles pretendidos pela Casa Branca: ao mesmo tempo em que tenta estimular a produção doméstica, a medida encarece componentes importados utilizados pela própria indústria americana.

O que está por trás do conflito

A disputa não envolve apenas tarifas. As negociações entre Washington e Ottawa incluíram acesso ao mercado canadense para leite, aves e ovos, tarifas sobre automóveis, aço e alumínio, compras governamentais, bebidas alcoólicas, serviços digitais, propriedade intelectual, energia, medicamentos e regras trabalhistas.

Também houve divergências sobre políticas culturais canadenses, incluindo medidas de proteção à produção em língua francesa em Quebec.

Outro ponto central foi a chamada Seção 232 da legislação comercial americana, que permite ao governo dos Estados Unidos impor tarifas com base em argumentos de segurança nacional.

Para o Canadá, algumas das exigências americanas representavam uma tentativa de limitar sua autonomia econômica e comercial.

Trump aumenta pressão sobre Carney

Trump já havia elevado o tom contra o governo canadense no domingo (23), um dia depois do fracasso das negociações.

“O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!! Eles também cobraram dos nossos grandes agricultores, durante muitos anos, enormes quantias em tarifas. Chega!!!”, escreveu.

Nesta segunda-feira, Carney afirmou que não estava surpreso com a nova ameaça tarifária e disse que ainda existe espaço para um acordo mutuamente benéfico. O ministro canadense, entretanto, mantém a posição de que Ottawa não aceitará um acordo que comprometa sua autonomia comercial.

Risco para o acordo comercial da América do Norte

A escalada coloca pressão sobre o futuro do USMCA, acordo comercial que reúne Estados Unidos, Canadá e México e substituiu o Nafta.

O problema é particularmente relevante porque as três economias estão profundamente integradas. Empresas construíram cadeias de produção considerando os três países como um mercado regional, especialmente nos setores automotivo, industrial, energético e agrícola.

Se as tarifas permanecerem elevadas, companhias terão incentivo para reorganizar fornecedores e fábricas, aumentando os custos e reduzindo parte dos ganhos obtidos com décadas de integração comercial.

O conflito, portanto, já ultrapassa a discussão sobre o déficit comercial. A questão central agora é quanto da integração econômica construída entre Estados Unidos e Canadá sobreviverá à política tarifária de Trump.

[Fonte Original]

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