O Bitcoin opera abaixo dos US$ 79 mil nesta quarta-feira (26), em leve queda no dia, mas ainda sustentando uma alta semanal de mais de 20% após o rali que levou a criptomoeda a encostar nos US$ 80 mil. O movimento mostra um mercado em pausa depois de uma forte sequência de ganhos, enquanto traders realizam lucros e aguardam novos sinais do Federal Reserve.
Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 1,9%, cotado a US$ 78.682 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 406.090, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, recua 1,5%, a US$ 2.464. Já o XRP tem forte queda de 5,3%, enquanto a Solana cai 4,2% e a BNB recua 1,3%.
Entre os destaques negativos, o Zcash recuava mais de 6%, para pouco acima de US$ 794, mesmo mantendo alta de 55% na semana após a estreia de um ETF à vista nos EUA.
A realização vem depois de uma semana em que o Bitcoin rompeu resistências importantes, puxado pela ampliação das recompras de títulos longos pelo Tesouro dos Estados Unidos, entradas em ETFs, queda do dólar e uma forte liquidação de posições vendidas. Agora, a dúvida é se a alta recente será sustentada por demanda real ou se parte do movimento foi apenas uma reação exagerada após semanas de pessimismo.
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Ganância volta ao mercado cripto
Um dos principais sinais de atenção está no humor dos investidores. O Crypto Fear & Greed Index, indicador acompanhado pelo mercado para medir o sentimento dos traders, chegou a 74 pontos na terça-feira, depois de estar em 27 pontos em 12 de agosto. Nesta quarta, o índice recuou para 65, mas ainda permanece em zona de ganância.
A virada foi rápida. O indicador ficou em território de medo todos os dias entre o fim de julho e 19 de agosto, chegando a 25 pontos em 6 de agosto, nível considerado de “medo extremo”. Leituras acima de 50 indicam ganância e mostram que investidores voltaram a assumir risco.
O ponto de alerta é que o índice não prevê o futuro; ele mostra o comportamento atual do mercado. A última vez em que o indicador esteve nesse patamar foi em 5 de outubro de 2025, poucos dias antes de uma liquidação recorde de cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas. Isso não significa que uma nova queda desse tamanho vá se repetir, mas indica que o mercado voltou rapidamente de cautela para euforia.
A rotação para ativos mais arriscados reforça essa leitura. Além da alta das grandes criptomoedas, memecoins e tokens com menor liquidez também dispararam nos últimos dias. Dogecoin subiu cerca de 24% na semana, enquanto tokens menores chegaram a mais que dobrar de preço. Esse tipo de movimento costuma mostrar apetite por risco, mas também aumenta a chance de correções rápidas se o mercado perder força.
Outro indicador acompanhado por traders, o Bull Score da CryptoQuant, também subiu de 30 para 80 em uma semana, maior nível desde 6 de outubro de 2025, quando o Bitcoin negociava perto de US$ 124 mil. Oito dos dez indicadores acompanhados pela métrica estão agora em sinal positivo, com demanda à vista e em futuros crescendo ao mesmo tempo pela primeira vez desde o início de outubro do ano passado.
O pano de fundo macro será decisivo para definir se o Bitcoin consegue sustentar os US$ 79 mil e tentar nova aproximação dos US$ 80 mil. O mercado aguarda dados do PIB dos Estados Unidos, o índice de inflação PCE de julho e, principalmente, o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole na sexta-feira, em sua primeira fala no simpósio como presidente do Federal Reserve.
A queda recente do petróleo ajudou bolsas asiáticas nesta quarta-feira ao aliviar parte das preocupações com inflação. O índice MSCI Ásia-Pacífico subia 1%, puxado por Samsung Electronics e SK Hynix, enquanto investidores também acompanhavam os resultados da Nvidia nos Estados Unidos.
Para o Bitcoin, o cenário segue dividido. A sustentação perto dos US$ 79 mil mostra que o rali não foi totalmente devolvido, mas a realização nas altcoins e a rápida volta da ganância indicam que o mercado já não está barato nem pessimista como há duas semanas. Se os dados de inflação vierem mais fracos e Warsh adotar um tom mais favorável a cortes de juros, o BTC pode tentar buscar novamente a faixa dos US$ 80 mil. Se o Fed frustrar essa expectativa, a alta recente pode passar por um teste mais duro.
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