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quarta-feira, agosto 26, 2026

ONU premia projeto no Brasil como Iniciativa Pioneira da Restauração Mundial

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Três projetos que prometem restaurar 5 milhões de hectares de terra até 2030 foram premiados, nesta terça-feira, pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. A área equivale a quase 7 milhões de campos de futebol.

O prêmio “Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial” foi concedido para projetos no Brasil, no Sahel e na Arábia Saudita, que buscam restaurar ecossistemas degradados em regiões que enfrentam secas, desertificação e mudanças climáticas.

Restauração do Cerrado brasileiro

No Brasil, o foco é restaurar o Cerrado, a savana tropical mais biodiversa do mundo. O bioma também fornece água para cinco das oito maiores bacias hidrográficas do país.

A Iniciativa Araticum “Restaurando o Cerrado Savannah do Brasil” reúne mais de 180 organizações, povos indígenas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros.

O representante da ONG Cerrado de Pé, Claudomiro Cortés falou sobre os efeitos que já consegue observar na região da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. 

“Quando você restaura uma área, você atrai a fauna, atrai pássaros para aquela área porque tem comida, tem o habitat dele, tem as espécies que ele precisa, o ambiente que eles precisam. Então quando a gente está restaurando uma área a gente está trazendo vida para aquela área. A gente consegue trazer o Cerrado, trazer a fauna e trazer tudo que tinha ali que aacba voltando por causa das condições que a gente trouxe para aquela área degradada”.

A medida é implementada por meio da regeneração natural, semeadura direta, restauração e agrofloresta com espécies nativas.

Até junho de 2026, mais de 27 mil hectares foram colocados em restauração. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas foram coletadas e utilizadas em atividades de recuperação do ecossistema. A iniciativa visa restaurar 2 milhões de hectares até 2030.

© Unesco/Adriana Zehbrauskas
Mata preservada é capaz de suportar melhor as mudanças climáticas e manter o equilíbrio das bacias hidrográficas

159 milhões de árvores plantadas na Arábia Saudita

Na Arábia Saudita, o Programa Nacional de Esverdeamento tem como objetivo transformar paisagens degradadas em pastagens, florestas, desertos, áreas urbanas e ecossistemas costeiros, incluindo manguezais. 

A meta do programa é restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030, além de gerar até 187 mil empregos e melhorar a qualidade do ar urbano.

Liderado pelo Centro Nacional para o Desenvolvimento da Cobertura Vegetal e Combate à Desertificação, o programa havia restaurado, até junho, 1 milhão de hectares de terras degradadas e plantado 159 milhões de árvores. 

As atividades incluem reflorestamento, regeneração natural, pastoreio controlado, reintrodução de espécies nativas de vida selvagem, captação de chuva e tratamento de águas residuais. 

Mais de 4 milhões de pessoas beneficiadas no Sahel

Em toda a região do Sahel, conflitos, degradação da terra, secas, insegurança alimentar e mudanças climáticas exercem uma pressão crescente sobre ecossistemas e comunidades. 

A Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel, implementada em Burquina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, está recuperando terras degradadas e, ao mesmo tempo, fortalecendo meios de subsistência e sistemas alimentares. 

O projeto envolve apoio a refugiados que cruzam as fronteiras vindos do Sudão, país arrasado pela guerra.

A iniciativa, liderada pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, já havia restaurado mais de 335 mil hectares de terras degradadas até junho, beneficiando mais de 4 milhões de pessoas em toda a região. A meta é restaurar 470 mil hectares até 2030.

Unfpa/Karel Prinsloo
Uma menina carrega água no campo de refugiados sudaneses de Farchana, no Chade.

Melhores exemplos globais

Os três projetos se juntam a uma rede crescente de 27 iniciativas reconhecidas sob a Década da ONU para a Restauração de Ecossistemas, que constituem os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em larga escala e de longo prazo.

A premiação foi anunciada durante um evento de alto nível na 17ª Sessão da Conferência das Partes, COP17, da Convenção das Nações Unidas para Combater a Desertificação, Unccd, que acontece na Mongólia até esta sexta-feira. 

A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, declarou que as três iniciativas mostram que restaurar ecossistemas traz benefícios significativos para todos, “incluindo segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas”.

Já o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que cada hectare restaurado é um passo rumo a um futuro mais sustentável.

Promessa de restaurar 1 bilhão de hectares

Os países já prometeram restaurar 1 bilhão de hectares, uma área maior que a China, como parte de seus compromissos com o acordo climático de Paris, as metas de Aichi para biodiversidade, as metas de Neutralidade da Degradação da Terra e o Desafio de Bonn

No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade dessa restauração.

Com o prêmio Iniciativas Pioneiras da Restauração Mundial, a ONU busca destacar exemplos positivos e de grande impacto, e se compromete a monitorar o progresso desses projetos de forma transparente. 

[Fonte Original]

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