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sexta-feira, agosto 28, 2026

Crítica | Absolute Flash – Vol. 3: Espelho, Espelho Meu – Plano Crítico

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  • spoilers. Leiam, aqui, todas as críticas do Universo Absolute.

No primeiro arco de Absolute Flash (edições #1 a 6), Jeff Lemire preocupou-se muito mais com a introdução do maior número possível de personagens do que contar uma história realmente coesa, algo que ele conseguiu corrigir razoavelmente no segundo (edições #7 a 12) que, eu achei, indicaria um rumo mais certeiro para a publicação. Infelizmente, porém, o terceiro arco, Espelho, Espelho Meu (no original Mirror Mirror – edições # 13 a 18), retorna ao vício do primeiro, criando, na verdade, fragmentos de histórias que não só não ganham resoluções, como o conjunto sequer pode realmente ser chamado de arco narrativo. Entendo a ideia de recriar o universo de Flash, seus aliados e inimigos à  moda Absolute, mas Lemire não tem conseguido criar algo coeso e gostoso de ler, pelo menos não até agora, o que considero um problema, já que não podemos exatamente dizer que a história está começando, não com 18 edições já publicadas.

Como Lemire preferiu o caminho de pequenos arcos incompletos dentro de um arco maior que também é incompleto, vou abordar cada um desses pedaços rapidamente.

O primeiro deles, composto pelas edições #13 e 14, dá o título do encadernado americano e introduz a versão Absolute de Samuel Scudder, o Mestre dos Espelhos, o que se dá quando Wally, acompanhado de Linda Park, retornam ao que sobrou do Projeto Olympus e acabam entrando na dimensão do espelho, em que enfrentam cópias do referido vilão que, na verdade, tem sua origem conectada com Barry Allen, Silas Stone e Ray Palmer, todos desaparecidos, no finado Star Labs. Scudder pede que Wally ache Palmer para ajudá-lo a escapar da dimensão dos espelhos, prometendo abrir passagens para o Ponto Fixo e também para o lugar onde Linda vê seu irmão. Trata-se de um mini-arco frustrante, sem direção, que nos dá um fiapo de história para introduzir um novo conjunto de personagens e situações que, porém, fica por isso mesmo, sem maiores detalhes ou cuidado. Claro que isso é Lemire ampliando o escopo de sua HQ, mas não adianta simplesmente jogar personagens, é necessário construí-los com o devido vagar. Não ajuda em nada que a arte de Haining, no estilo mangá, não tenha personalidade alguma.

A edição seguinte (#15), que é construída como um interlúdio, conta com o breve retorno de Nick Robles à arte, acrescenta mais peças nesse quebra-cabeças cada vez maior de Lemire, com o surgimento do Wally West do futuro para avisar à sua contrapartida mais jovem para não mais procurar o pai deles no Ponto Fixo, pois isso desencadeará tragédia na forma do monstruoso Flash Sombrio. Novamente, o que o leitor ganha é um fragmento de história a ser desenvolvida no futuro. Essa mesma edição traz a Galeria de Vilões de volta, que é recrutada pelo Coronel Flag para matar Grodd e uma visita de Wally ao Star Labs, onde vê um holograma de Ray Palmer para Silas Stone em que ele avisa que o Ponto Fixo é muito mais do que Barry Allen achava que era, novamente só salpicando ideias para o futuro.

O mini-arco seguinte (edições #16 e 17) lida com a procura por Grodd depois que o Flash recebe um espasmo psíquico de seu amigo em perigo, o que o faz partir com Linda para o Colorado para enfrentar a Galeria de Vilões e outros soldados controlados pelo pai de Grodd. É uma história repleta de ação com fim trágico que, porém, não tem consequência prática, levando a uma edição final que parece começar tudo do zero, com a reentrada de Thawne, dessa vez em parceria com Brainiac, e da versão Absolute de Hunter Zolomon, mais conhecido no universo prime como Flash Reverso, que passa a caçar Wally em meio ao caos criado em Central City por Abra Kadabra (eu acho) que, por sua vez, abre as portas para a transformação de Ralph Dibny e a morte de sua esposa. A desconexão com tudo o que veio antes no encadernado é enervante e cansativa, pois aquilo que poderia ser a história principal torna-se somente o cliffhanger e todo o restante ganha status de “aguarde e você verá”, sem que nada realmente ande ou chegue a algum semblante de conclusão (e não, não falo de conclusão definitiva, mas sim de fechamento narrativo). E isso sem contar que os novos poderes do Flash vão aparecendo edição por edição, na medida do conveniente para a história, sem nenhum tipo de contexto maior que não seja o famoso “porque sim”.

No afã de povoar seu Absolute Flash com novas versões de tudo que conhecemos da vasta mitologia do Flash em velocidade vertiginosa, Jeff Lemire vem sabotando o potencial da história que quer contar. Falta serenidade ao autor para desenvolver personagens e alongar linhas narrativas mais compactas no lugar de falar pouco de muita coisa, como verbetes em uma enciclopédia. Ainda pretendo continuar a leitura, mas o conjunto da obra, até agora, tem sido decepcionante e frustrante.

Absolute Flash – Vol. 3: Espelho, Espelho Meu (Absolute Flash – Vol. 3: Mirror Mirror – EUA, 2025/26)
Contendo: Absolute Flash #13 a 18
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Haining (#13, 14, 16 e 17 ), Nick Robles (#15 e 18)
Cores: Adriano Lucas
Letras: Tom Napolitano
Editoria: Ash Padilla, Andrew Marino, Katie Kubert, Chris Conroy
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 18 de março, 22 de abril, 20 de maio, 17 de junho, 15 de julho e 19 de agosto de 2026
Páginas: 160



[Fonte Original]

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