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sábado, agosto 29, 2026

Colômbia tem piora fiscal que pode levar novo governo ao FMI, dizem analistas

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A proposta de orçamento apresentada pelo novo governo da Colômbia ao Congresso traz uma perspectiva fiscal bem pior do que antecipava o mercado para 2026 e 2027, disseram nesta sexta-feira analistas ouvidos pela Reuters, que avaliam que o país poderá precisar de apoio financeiro de organismos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Comitê Fiscal Autônomo alerta que as finanças públicas enfrentarão, na Colômbia, uma situação “bem mais crítica” se a proposta de orçamento for aprovada pelo Congresso.

O governo do presidente Abelardo de la Espriella, que precisa lidar com as consequências de um terremoto ocorrido dias depois da posse, apresentou um orçamento total, para 2027, de 634,9 trilhões de pesos, o correspondente a US$ 203,6 bilhões, acima de estimativa preliminar, de 575,7 trilhões de pesos.

Juan Carlos Ramirez, presidente do Comitê Fiscal Autônomo, disse à Reuters que, com a proposta de orçamento do novo governo, o nível de endividamento do país chegará a 67% do PIB e que, em um ano, a situação fiscal se mostrará bem mais grave do que já está hoje.

O governo projeta déficits públicos de 7,2% do PIB para 2026 e de até 9,4% do PIB para 2027, comparados a estimativas anteriores, respectivamente, de 5,3% e 4,5%.

Ramirez mostra ceticismo de que o governo alcance o corte de gastos pretendido, de 21,9 trilhões de pesos, o correspondente a US$ 7,02 bilhões, em 2026, em proposta que o Ministério de Finanças prometeu encaminhar ao Congresso nos próximos dias.

“A situação é muito complicada”, disse Camilo Perez, diretor de Pesquisa Econômica do Banco de Bogotá, acrescentando que a magnitude da deterioração superou as expectativas, para pior.

Para a economista-chefe do DAVIbank, Jackeline Pirajan, o desequilíbrio fiscal mais acentuado do que se esperava deve levar os investidores a recalibrar as expectativas, abrindo a porta para a reprecificação dos prêmios de risco soberano no país.

O diretor de estratégia macroeconômica da XP Investimentos para América Latina, Andrés Pardo, considera que a Colômbia deve buscar um pacote financeiro junto a organismos multilaterais, o que poderia incluir, além do FMI, instituições como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

[Fonte Original]

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