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sábado, agosto 29, 2026

Veja o que se sabe sobre o acordo de Trump que dá aos EUA acesso às reservas de petróleo da Venezuela

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Além de uma publicação do presidente Donald Trump nas redes sociais, a Casa Branca disse pouco sobre o que ele está chamando de “O MAIOR ACORDO PETROLÍFERO DA HISTÓRIA MUNDIAL” na Venezuela.

Trump afirmou que o acordo anunciado na noite de sexta-feira dará aos Estados Unidos uma participação nas vastas reservas de petróleo da Venezuela, um passo em direção a seu objetivo de extrair energia do país depois que forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro em uma operação realizada no meio da madrugada em janeiro e o levaram a Nova York para responder a acusações federais de narcotráfico.

Trump anuncia acordo sobre reservas de petróleo da Venezuela — Foto: Reprodução/Truth Social

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, descreveu o acordo como um passo em direção à recuperação econômica que modernizará a indústria petrolífera do país.

Mas as respostas para questões como em quanto tempo essas reservas poderão ser exploradas e quem pagará para que isso aconteça não ficaram imediatamente claras. Nenhum texto do acordo foi divulgado.

Veja o que se sabe e o que ainda não se sabe:

O governo dos EUA e um operador privado não identificado na Venezuela criaram uma nova empresa privada, que recebeu direitos por 100 anos sobre vastos campos de petróleo ainda inexplorados.

Um comunicado de Rodríguez afirmou que o acordo envolve o desenvolvimento de 17 campos com potencial comprovado de 65 bilhões de barris. Segundo o texto, o acordo poderia atrair US$ 100 bilhões em investimentos para a indústria petrolífera venezuelana e gerar mais de US$ 209 bilhões em impostos para Caracas.

Trump afirmou que o acordo foi negociado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e por Rodríguez.

O acordo dá aos EUA o equivalente a 55% da produção da nova empresa privada, incluindo uma participação acionária e direitos de comprar petróleo a preço de custo. As compras americanas desse petróleo serão destinadas às reservas estratégicas de petróleo dos EUA e também às Forças Armadas, segundo uma autoridade americana que não tinha autorização para discutir publicamente o assunto e falou sob condição de anonimato.

A empresa se tornaria a segunda maior detentora corporativa de reservas comprovadas, atrás apenas da Saudi Aramco, segundo a autoridade.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa durante uma coletiva de imprensa sobre a resposta do governo aos terremotos consecutivos em Caracas, Venezuela, na quinta-feira, 2 de julho de 2026 — Foto: AP/Pedro Mattey
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa durante uma coletiva de imprensa sobre a resposta do governo aos terremotos consecutivos em Caracas, Venezuela, na quinta-feira, 2 de julho de 2026 — Foto: AP/Pedro Mattey

Os preços da gasolina vão cair?

Provavelmente não tão cedo.

Trump afirma que o acordo ajudará a reduzir os preços da gasolina para os americanos. Esse é um objetivo importante para o presidente republicano, enquanto a guerra com o Irã reduz o transporte de petróleo do Golfo Pérsico e mantém os preços elevados a poucos meses das eleições de novembro nos Estados Unidos.

Especialistas, porém, têm alertado repetidamente que a deteriorada infraestrutura petrolífera da Venezuela levará anos e exigirá bilhões de dólares para ser recuperada. Não se espera um aumento substancial da produção no curto prazo.

O acordo pode ser “útil no longo prazo, mas não fará nada para mudar o preço da gasolina nos postos no fim de semana do Dia do Trabalho”, afirmou Amy Myers Jaffe, diretora do Laboratório de Energia, Justiça Climática e Sustentabilidade da Universidade de Nova York.

Nenhum dos lados esclareceu quem pagará pelos investimentos em infraestrutura nem qual será seu custo.

O preço médio da gasolina nos Estados Unidos estava em cerca de US$ 4,08 por galão neste sábado, segundo a AAA. No mesmo período do ano passado, a média era de US$ 3,20.

O preço da gasolina é exibido em um posto de gasolina próximo à rodovia em Encinitas, Califórnia, EUA, em 30 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Mike Blake/Foto de Arquivo
O preço da gasolina é exibido em um posto de gasolina próximo à rodovia em Encinitas, Califórnia, EUA, em 30 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Mike Blake/Foto de Arquivo

Como os venezuelanos vão reagir?

Alguns venezuelanos consideram o acordo uma traição ao que seu governo afirmou repetidamente durante décadas: que os recursos da Venezuela pertencem à Venezuela e que seus líderes não permitiriam que o governo dos Estados Unidos colocasse as mãos nesses recursos.

Em um mercado no leste de Caracas neste sábado, Douglas Borjas disse estar indignado com o anúncio.

“Acho que estão fazendo isso para se agarrar ao poder”, afirmou sobre os líderes venezuelanos. “É como dizer: ‘Estou lhe dando uma enorme quantidade de petróleo desde que você me deixe aqui no poder.’”

“O povo venezuelano merece mais”, acrescentou. “A Venezuela tem recursos que podem ser explorados, mas em benefício do povo, não em benefício da elite corrupta.”

O professor da Universidade Harvard Ricardo Hausmann, ex-ministro do Planejamento da Venezuela, classificou o entendimento como um “acordo vergonhoso”.

“Os venezuelanos não respeitarão esse acordo ilegítimo, e nenhuma grande petroleira americana o levará a sério porque sabe que ele não vai durar”, afirmou Hausmann nas redes sociais, acrescentando que Rodríguez “não tem legitimidade nem poder constitucional para comprometer a Venezuela com um acordo desse tipo”.

Homem segura a bandeira da Venezuela em manifestação perto da Assembleia após invasão do país pelos Estados Unidos — Foto: Maxwell Briceno/Reuters
Homem segura a bandeira da Venezuela em manifestação perto da Assembleia após invasão do país pelos Estados Unidos — Foto: Maxwell Briceno/Reuters

Quais questões permanecem em aberto?

Muitos detalhes importantes continuam pouco claros, incluindo a identidade do operador privado, quem arcará com os investimentos necessários e como será estruturada a participação americana na empresa.

Os EUA terão o equivalente a 55% da produção da companhia, mas não ficou claro que parcela disso virá da participação acionária e quanto decorrerá do direito de comprar petróleo a preço de custo.

Também não está claro como o setor reagirá. Convencer grandes petroleiras americanas a retornar à Venezuela pode ser um desafio diante da incerteza política e da infraestrutura deteriorada.

A Chevron, única petroleira americana que atualmente produz na Venezuela, não quis comentar. Separadamente do anúncio de Trump, a Chevron já vinha negociando a ampliação de seus investimentos no país.

David Oxley, economista-chefe de clima e commodities da Capital Economics, afirmou que, à primeira vista, o acordo poderia dobrar as reservas de petróleo dos Estados Unidos e reduzir a dependência do petróleo bruto do Canadá e do México. Oxley, porém, alertou em um comentário que existem obstáculos logísticos e afirmou que o valor das reservas venezuelanas pode ter sido exagerado durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez.

Mesmo com garantias jurídicas e de segurança, não está claro se as petroleiras americanas “estariam dispostas a investir”, escreveu. Segundo Oxley, “pode simplesmente haver oportunidades comerciais mais atraentes disponíveis em outros lugares”.

[Fonte Original]

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