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domingo, agosto 30, 2026

Guerra pesa sobre economia do Irã em meio à intensificação das sanções dos EUA

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Líderes iranianos estão reconhecendo o impacto econômico da guerra com os Estados Unidos, com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, pedindo ao governo que enfrente as dificuldades e o presidente, Masoud Pezeshkian, afirmando que o comércio exterior encolheu em um terço devido às sanções e ao bloqueio americanos.

Teerã, no entanto, não deu sinais de recuo neste sábado, prometendo resistir à pressão dos EUA, buscar a via diplomática e manter o que afirma ser seu controle sobre o Estreito de Ormuz. Com o conflito, a hidrovia estratégica passou a dar ao Irã poder de pressão por sua capacidade de afetar os mercados globais de energia.

O governo afirmou em comunicado divulgado pela mídia estatal que enfrentar as pressões econômicas provocadas pelas sanções e pela guerra é uma prioridade, incluindo conter a inflação, administrar os mercados, criar empregos, direcionar investimentos para a produção doméstica e reduzir gradualmente a dependência do dólar.

Seis meses depois de EUA e Israel iniciarem a guerra, as negociações estão em um impasse, e o governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços para punir financeiramente o Irã com o que chamou de um “Dia D Econômico”.

Na mesma esteira, Washington alertou outros países para que reduzam seus vínculos comerciais com a República Islâmica, caso contrário, enfrentarão sanções secundárias, embora o Departamento do Tesouro tenha evitado impor penalidades contra grandes parceiros comerciais iranianos, como China e Índia. Medidas do tipo poderiam ter repercussões para as economias americana e global.

Na sexta-feira, o Tesouro americano impôs medidas contra o Banque Misr, do Egito, por fazer negócios com Teerã, propondo uma regra que impediria as filiais do banco nos Emirados Árabes Unidos de realizar transações em dólares.

O banco central do Egito afirmou que ele e o Ministério das Relações Exteriores estavam em contato com autoridades americanas sobre o assunto e acrescentou que a medida se limitava às transações em dólares do Banque Misr UAE com bancos correspondentes.

Neste sábado, o Banque Misr afirmou que estava analisando a notificação do Tesouro americano e acrescentou que sua filial nos Emirados Árabes Unidos continuava prestando serviços bancários a seus clientes.

Os EUA também impuseram sanções contra uma entidade sediada em Hong Kong e uma pessoa ligada ao Bank Melli, do Irã, segundo um comunicado publicado no site do Tesouro.

A ofensiva de sanções agrava o impacto da guerra sobre a economia iraniana, onde a inflação anual chegou a 66% no mês passado.

Mojtaba Khamenei — que não é visto em público desde que ficou ferido no ataque inicial de 28 de fevereiro, que matou seu pai e antecessor, o aiatolá Ali Khamenei —, pediu ao governo que enfrente as dificuldades econômicas.

“É necessário enfrentar seriamente a cadeia de desafios econômicos e relacionados ao custo de vida, como inflação, desemprego e a gestão dos preços e do mercado de bens e serviços”, afirmou, segundo uma declaração por escrito atribuída a Khamenei.

O presidente do regime autocrático, por sua vez, disse à mídia estatal que as exportações e importações iranianas despencaram quase 35% devido às sanções dos EUA e ao bloqueio naval dos portos do Irã.

Ele afirmou, porém, que Teerã conseguiu vender cerca de 90 milhões de barris de petróleo durante o breve período em que esteve em vigor o memorando de entendimento assinado por EUA e Irã em junho, quando Washington permitiu as vendas de petróleo iraniano.

Mais tarde neste sábado, Pezeshkian defendeu, em declaração à televisão estatal, a retomada do acordo provisório, assinado em 17 de junho, mas que rapidamente se desfez em meio a divergências sobre o que havia sido acertado, especialmente em relação à situação do Estreito de Ormuz.

“Podemos resolver nossos problemas e garantir nossos direitos com o memorando de entendimento”, afirmou sobre o documento, que oferecia ao Irã, entre outras medidas, alívio imediato das sanções americanas e a liberação de seus ativos congelados.

Um homem passa de moto por um outdoor com a mensagem em persa “Devemos nos levantar” e uma imagem do falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, morto durante os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, em Teerã, Irã, em 15 de agosto de 2026 — Foto: AP Photo/Vahid Salemi

Irã promete buscar diplomacia e defesa

Enquanto Washington concentra esforços em sua campanha de pressão econômica, outros países têm buscado reativar as iniciativas diplomáticas para encerrar a guerra.

O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, reuniu-se com líderes iranianos em Teerã na quinta-feira. Ele afirmou ter ressaltado durante o encontro a importância de restabelecer a situação anterior à guerra, com a navegação aberta pelo Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou na sexta-feira as conversas com Al Thani como “criativas”.

No comunicado deste sábado, o Irã afirmou que diplomacia e defesa são “duas asas complementares, coordenadas e inseparáveis” para proteger os interesses nacionais, a segurança e a integridade territorial do país. Teerã disse que buscará as duas vias de maneira equilibrada.

Catar, aliado dos Estados Unidos e vizinho do Irã no Golfo, e Paquistão ajudaram a mediar o memorando de entendimento de junho.

Antes da guerra, o Estreito de Ormuz respondia pela passagem de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo. Comandantes militares americanos afirmam que as forças dos EUA retiraram do estreito minas marítimas que haviam sido instaladas meses antes pela Guarda Revolucionária do Irã.

Trump afirmou repetidamente que o estreito está aberto, mas a Marinha da Guarda Revolucionária disse em comunicado que essas afirmações “são uma mentira evidente” e reiterou que a hidrovia permanece fechada a embarcações que não tenham autorização iraniana.

Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em uma rua de Teerã, Irã, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em uma rua de Teerã, Irã, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

[Fonte Original]

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