A TV Globo realizou, nesta semana, uma série de entrevistas diárias com os candidatos à Presidência da República, transmitidas ao vivo sempre após a exibição do Jornal Nacional. Neste sábado, Augusto Cury (Avante) foi o sexto e último postulante sabatinado. De segunda a sábado, os seis mais bem colocados na última pesquisa Quaest foram entrevistados pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
O desempenho do candidato na sabatina foi definido como “não convicente” pelos colunistas do GLOBO, que deram a ele uma nota média 1 numa escala que vai de 1 a 5. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. A nota final é calculada a partir de uma média das pontuações atribuídas por cada colunista ao entrevistado.
Estreando as sabatinas, na segunda-feira, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) teve um desempenho que recebeu uma nota média 2. Já na terça-feira, a performance do ex-governador de Goiás (PSD) Ronaldo Caiado rendeu a ele uma nota média 1,4. Na quarta-feira, a entrevista do candidato do Missão, Renan Santos, foi avaliada com uma nota média 2,6. Na quinta-feira, o desempenho do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi classificado com uma nota média 3. Já Flávio Bolsonaro (PL) teve uma nota média de 2,4.
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio com a presença de representantes dos partidos.
Veja as avaliações dos colunistas do GLOBO:
Vera Magalhães (Nota 1): “A entrevista de Augusto Cury em pleno sábado ressaltou o caráter aleatório dessa candidatura. “Esqueça o drone, Renata”, pediu o candidato e escritor, ao rapidamente descartar uma das propostas randômicas que tem apresentado. Duro de prestar atenção”.
Thomas Traumann (Nota 1): “Suspeito de comprar seguidores nas redes sociais, Augusto Cury mostrou na entrevista à Tv Globo que nao é candidato a presidente, mas a vendedor de livros e cursos. ao se mostrar como “o melhor da direita e o melhor da esquerda”, Cury se mostrou um melhor coach do que candidato”.
Bela Megale (Nota 1): “Augusto Cury não convence como candidato de centro. Ou melhor, não convence nem como candidato. Ele se comunicou de maneira confusa e propôs projetos sem nenhum sentido, como trocar funcionários públicos por inteligência artificial e treinar embaixadores para serem influenciadores digitais para “vender melhor o Brasil” no exterior”.
Fabio Graner (Nota 1): “Um candidato que demonstra não ter muita percepção do tamanho do país e da viabilidade de suas ideias e do seu programa. Com questionamentos mais duros sobre algumas delas, como na ideia de usar drones para combater a violência contra a mulher, desistiu da proposta ao ficar claro que não tem o menor sentido. Transmitiu incômodo ao ser confrontado com a inviabilidade de várias propostas, ainda que não tenha perdido a linha com entrevistadores”.
Manoel Ventura (Nota 1): “Augusto Cury não soube detalhar como faria o ajuste fiscal necessário para reduzir a dívida pública, hoje em 81,9% do PIB e em trajetória de crescimento. Confundiu o arcabouço fiscal com a Reforma Tributária e prometeu alta real do salário mínimo, uma das causas da alta das despesas do governo federal. Falou em aumentar o Bolsa Família e manter o benefício para quem for empregado com carteira assinada — regra que já existe. Questionado sobre detalhes de seu plano, insistiu no discurso do uso de inteligência artificial”.
Bernardo Mello Franco (Nota 1): “Augusto Cury citou Tolstói, Gandhi e Jesus Cristo, mas pareceu não ter lido o programa de governo que registrou no TSE. Instado a detalhar uma proposta, gracejou: “Vote em mim que você vai descobrir”‘.