Crédito, @poolbearlife
- Author, Isabelle Gerretsen
- Role, BBC Future
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Tempo de leitura: 6 min
Quando Brian Gordon descobriu que havia ursos-negros nadando na piscina da casa que estava comprando em Los Angeles, levou um enorme susto.
“Nunca tinha visto um urso pessoalmente. Pensei: ‘Vamos simplesmente construir um muro grande com arame farpado'”, lembra.
Mas agora, quatro anos depois, Gordon se diverte vendo uma família de ursos brincando em sua piscina e correndo pelo jardim. Esses visitantes peludos aparecem várias vezes por semana.
“Não há problema em eles virem aqui, se coçarem nas árvores, tirarem uma soneca e entrarem na piscina se estiver calor, desde que não façamos mal a eles nem coloquemos a nós em perigo”, comenta Gordon.
Gordon e seu companheiro, Ricardo Martínez, decidiram compartilhar pacificamente sua piscina e seu jardim com os ursos.
No entanto, por trás das imagens encantadoras de ursos relaxando na piscina, existe uma história mais profunda de vigilância e medidas de segurança que tornam essa convivência possível.
A casa dos ursos
O casal vive em Monrovia, no condado de Los Angeles (sul da Califórnia), uma região que abriga cerca de 1,6 mil ursos. A casa fica no sopé das montanhas de San Gabriel e faz divisa com a Floresta Nacional de Los Angeles, que abrange 2.830 km².
Quando o casal se mudou para lá, começou a ver ursos quase imediatamente. No início, tentavam afugentá-los gritando, usando buzinas de ar comprimido e, às vezes, uma arma de paintball com projéteis de borracha macia.
“Mas nos sentíamos péssimos”, diz Martínez. “Não achávamos certo. Decidimos que, desde que eles não entrassem em casa nem revirassem o lixo, não havia problema em se aproximarem.”
Eles buscavam uma abordagem que garantisse a segurança tanto deles quanto dos ursos, apesar da grande proximidade.
“Desde então, optamos por métodos menos agressivos e, sinceramente, eles funcionam melhor para nós”, explica Gordon.
Martínez considera que os ursos-negros são “incompreendidos”. “Eles não vão comer você”, garante.
Ataques de ursos-negros são extremamente raros; na verdade, apenas um ataque fatal foi registrado em toda a história da Califórnia.
O casal afirma que sempre mantém uma “distância prudente” dos ursos e permanece dentro de casa quando os animais estão por perto. Ainda assim, às vezes ocorrem encontros inesperados.
“Já tivemos ursos interrompendo churrascos”, conta Gordon. “Mas, se eles veem você, geralmente simplesmente vão embora”.
Conheça os ursos

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Gordon e Martínez dizem que sua ursa visitante favorita é Maddie, que conheceram em 2023, quando ela era jovem e incrivelmente curiosa. Ela adorava brincar na piscina e perambular pelo jardim.
“Ela é a nossa queridinha”, diz Martínez. Um ano depois, Maddie voltou acompanhada de seus filhotes.
“Infelizmente, ela perdeu esses filhotes, então vivemos uma montanha-russa de emoções com ela”, comenta Martínez.
Neste ano, ela trouxe seus novos filhotes para a casa. “São as criaturas mais adoráveis que você já viu. Dá vontade de abraçá-los, mas também são intimidadores, com suas longas garras.”
Punky é outra “bagunceira de 1 ano” que chegou pela primeira vez à casa ainda filhote, junto com a mãe, conta Gordon.
“Ela estourava todos os infláveis da piscina. Uma vez, subiu em um inflável em forma de cupcake e foi levada até o centro da piscina.”
“Ela realmente conquistou nossos corações naquele verão com suas brincadeiras na água”, diz Gordon.
Outra visitante habitual recebeu o apelido de Nappy porque gosta de tirar longas sonecas enquanto flutua na piscina.
“Literalmente, ela vai até os degraus da piscina, entra e apoia a cabeça na beirada. É a única ursa que vi dormir por horas na piscina”, comenta Gordon.
Quando vê o casal, Nappy bufa para eles. “Ela é uma ótima mãe ursa, apenas um pouco mal-humorada com tudo na vida”, brinca Gordon.
Animais selvagens são uma presença cada vez mais comum nos subúrbios de Los Angeles.
“Eles são onívoros realmente inteligentes e adaptáveis. Comem de tudo e aprenderam a obter calorias em áreas habitadas por pessoas”, observa Wilson Sherman, pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles que estuda como as comunidades reagem aos ursos-negros.
No entanto, nem todos os encontros com ursos são tão positivos quanto a experiência de Gordon e Martínez.
“Observamos com bastante frequência incidentes em que os ursos reviram o lixo e entram nas casas”, comenta Sherman.
“O realmente triste nisso é que, quando as coisas dão errado, geralmente são os ursos que pagam as consequências. Nos últimos anos, vários exemplares foram sacrificados”.
Uma ursa-negra chamada Blondie foi sacrificada pelo Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia em março de 2026, depois de ter tentado atacar com uma patada uma mulher que passeava com seu cachorro em Monrovia.

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Blondie também havia visitado o jardim de Gordon e Martínez várias vezes sem nunca causar nenhum problema.
Gordon organizou uma petição para tentar evitar o sacrifício, que foi assinada por quase 6 mil pessoas.
“Foi algo devastador. Blondie representa todas as mães ursos: ela simplesmente tentava encontrar abrigo, criar seus filhotes e viver sua vida”, afirma.
Esses animais fazem parte de um número crescente de ursos-negros que tentam se estabelecer perto dos moradores da Califórnia, o que muitas vezes representa desafios para as comunidades locais.
Há mais de 60 mil ursos-negros na Califórnia, afirma Sherman.
O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia informa que testes de DNA revelaram que a ursa capturada foi a responsável pelo incidente, assim como por um ataque anterior a um morador idoso que estava sentado na varanda de sua casa em Monrovia, em junho de 2025.
“A eutanásia é utilizada apenas como último recurso, quando um animal representa um risco para a segurança pública e não pode ser devolvido ao seu habitat natural com segurança”, afirma um porta-voz.
“A transferência pode parecer uma solução, mas não é uma opção quando poderia colocar em risco a segurança pública. Os ursos têm uma grande memória espacial e frequentemente retornam a áreas que lhes são familiares.”
Os filhotes da ursa estão sendo cuidados em um centro de reabilitação de animais silvestres e serão soltos em um habitat adequado quando estiverem prontos, acrescenta.

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Para minimizar os conflitos com os ursos, Sherman afirma que é importante que as comunidades restrinjam o acesso a elementos que os atraem, como lixeiras e alimentos deixados ao ar livre.
“Para um urso, encontrar uma caixa cheia de pizza depois de passar um tempo cavando em busca de minhocas e raízes representa uma mudança radical.”
As contas nas redes sociais — como as de Martínez e Gordon — e as câmeras de vigilância doméstica permitem que as pessoas “compreendam os ursos como indivíduos e oferecem uma visão íntima de suas vidas”, afirma Sherman.
No entanto, ele faz algumas ressalvas. “Sempre existe o risco da ‘disneyficação’, de oferecer uma imagem açucarada demais. Eles não são ursos de pelúcia; continuam sendo animais selvagens”.
Sherman alerta para a importância de evitar que ursos e humanos se tornem confiantes demais na presença uns dos outros.
“Amar os ursos significa estabelecer limites saudáveis e favorecer que eles tenham sucesso quando, inevitavelmente, atravessarem nossas áreas residenciais”, afirma.
Por meio de sua conta no Instagram, @poolbearlife, Gordon e Martínez esperam conscientizar sobre como se comportar de maneira segura diante dos ursos e como evitar encontros indesejados.
Eles ressaltam que sua relação com os ursos-negros não é necessariamente algo que possa ser aplicado a outros casos.
“Isso funciona para nós, no lugar onde vivemos”, comenta Gordon.
“Trata-se de encontrar esse equilíbrio com a vida selvagem: como podemos prosperar juntos?”, questiona Martínez. “Nós vivemos aqui e os ursos vivem aqui. Não queremos que eles se mudem para lugar nenhum.”