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quarta-feira, setembro 2, 2026

Encontro com Lula e Janja, visita a Raoni e socorro a espécies: como foi a passagem de Leonardo DiCaprio pelo Brasil

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Um encontro oficial com o presidente Lula, nesta quarta (2), marcou o final de uma viagem de quase uma semana do ator Leonardo DiCaprio no Brasil. Nos últimos seis dias, ele visitou o Cacique Raoni, personagem de um documentário em fase final de produção, e projetos e comunidades da Amazônia, Cerrado e Pantanal apoiados pela Re:Wild, sua ONG ambiental internacional. O Brasil é um país prioritário do programa recém lançado por ele e Jeff Bezos que prevê cerca de R$1 bilhão para o socorro de espécies ameaçadas. Cinco são encontradas somente nas florestas brasileiras.
A agenda com Lula teve ainda a presença da primeira dama Janja, e dos ministros João Capobianco, do Meio Ambiente, Eloy Terena, dos Povos Indígenas e Margareth Menezes, da Cultura. Segundo a equipe da Re:Wild, o encontro serviu para discutirem a “importância de proteger os ecossistemas, a biodiversidade e os territórios indígenas do Brasil, além de garantir os direitos dos povos indígenas”.
Há um mês, a Re:Wild e a Bezos Earth Fund, fundação do dono da Amazon, lançaram o Phoenix Species Project, projeto que vai apoiar iniciativas de conservação e recuperação das 100 espécies mais ameaçadas do mundo, com um aporte inicial de 200 milhões de dólares, cerca de R$1,03 bilhão.
O Brasil é considerado um projeto prioritário pois abriga cinco dessas 100 espécies: a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), o tiê-sangue (Nemosia rourei), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), a perereca-de-capacete (Nyctimantis pomba) e o sapinho-da-restinga (Melanophryniscus setiba).
Documentário de Raoni
Cofundador da Re:Wild junto de DiCaprio, o biólogo Wes Sechrest, CEO da ONG, participou das agendas no Brasil. No sábado, os dois se encontraram com o Cacique Raoni, ao lado de Sônia Guajajara (PSOL), ex-ministra e deputada federal, no Instituto Raoni, no município de Peixoto de Azevedo (MT).
Cacique indígena Kayapó, Raoni tem 94 anos e vem enfrentando problemas de saúde, o que diminuiu suas aparições públicas. A Re:Wild apoia a produção do documentário Raoni: The Voice of the Forest (Raoni: A Voz da Floresta), em finalização, que contará a história de vida de Raoni e sua campanha global para a proteção de territórios, culturas e as florestas indígenas. O filme será narrado por Leonardo DiCpario, e tem parceria da Globoplay/Globo Filmes.
Além do documentário, a Re:Wild apoiou a criação do “Fundo Legado Cacique Raoni”, liderado pelo Instituto Raoni, para proteger mais de 2 milhões de hectares de terras indígenas Kayapó na Amazônia. O fundo oferece uma fonte de financiamento de longo prazo e gestão independente para preservação da cultura e dos conhecimentos tradicionais em prioridades definidas pelas próprias comunidades.
DiCaprio também retornou à comunidade Yawalapiti, no Alto Xingu, onde ele esteve pela primeira vez em 2004. Lá, ele se reuniu com o Cacique Tapi Yawalapiti, Watatakalu Yawalapiti e outras lideranças para conhecer os trabalhos de proteção ambiental e cultural do território, além das ações de prevenção a incêndios e desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis lideradas pela própria comunidade.
Depois, a delegação esteve no sul da Amazônia, na divisa entre Mato Grosso e Pará, no Instituto Libio, no Rio Azul, em Novo Progresso (PA). A Re:Wild, junto com parceiros brasileiros, apoia uma iniciativa na região, onde fica o arco do desmatamento, para proteção de 5,8 milhões de hectares de florestas, rios e outros ecossistemas naturais. A ação visa à conexão de áreas públicas protegidas, territórios indígenas e reservas privadas, fortalecendo a prevenção a incêndios, o monitoramento territorial e a proteção de bacias hidrográficas.
No Pantanal, o grupo visitou o Caiman, uma pousada e reserva privada que abriga diversos projetos de conservação e pesquisa, e a Fazenda Santa Tereza, que integra o Corredor do Alto Pantanal. Além disso, encontraram com parceiros da ONG que trabalham na reabilitação e conservação de de onças-pintadas e outras espécies, liderados pelo Onçafari.
No Pantanal, a Re:wild teve papel central na formação da Pantanal Alliance, coalizão de dez organizações financiadoras e parceiras locais criada para ampliar a proteção do bioma. A meta é apoiar a proteção de aproximadamente 250 mil hectares com a criação e expansão de unidades de conservação públicas e privadas. Até aqui, já houve as ampliações, decretadas pelo governo federal em março de 2026, do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, que recebeu 47.260 novos hectares, e da Estação Ecológica de Taiamã, que recebeu 56.959 novos hectares.
A viagem de Leonardo DiCaprio terminou no Cerrado, onde o grupo visitou a Fazenda Trijunção, que desenvolve iniciativas de restauração ecológica, monitoramento da fauna e turismo. A propriedade protege aproximadamente 30 mil hectares de vegetação nativa em uma área de fronteira agrícola em rápida expansão. O corredor ecológico integrado pela fazenda abriga lobos-guarás, tamanduás-bandeira, antas, onças-pintadas e outros animais silvestres.
Atuação da ONG de DiCaprio no Brasil
Criada por um grupo de cientistas e conservacionistas, com a presença de Leonardo DiCaprio, a Re:wild é dedicada a proteger e restaurar a vida selvagem e os ecossistemas naturais do mundo. Atualmente, a ONG internacional trabalha com mais de 600 parceiros em diferentes regiões do planeta, apoiando a conservação ativa de aproximadamente 239 milhões de hectares e ações que beneficiam mais de 36 mil espécies.
A Re trabalha em parceria com mais de 50 organizações locais no Brasil, incluindo os Kayapó e os Yawalapiti, por meio do Instituto Raoni e da Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), investindo em parcerias que protegem e restauram alguns dos ecossistemas mais importantes do país, incluindo a Floresta Amazônica.
Além de DiCaprio, cofundador da Re:Wild, outro nome importante da organização é Wes Sechrest, biólogo americano, CEO e presidente do conselho da ONG. O ator, que trabalha com causas ambientais há mais de três décadas, tem papel estratégico na captação de recursos, articulação com lideranças indígenas e mobilização da agenda em diferentes setores. Ao longo da sua trajetória, ele já destinou mais de 100 milhões de dólares a projetos ambientais.
A Re:wild atua como uma organização catalisadora ou “multiplicadora de forças”, em parceria com institutos, fundações e ONGs locais. Assim, ela contribui com apoio técnico e científico, mobilização de recursos filantrópicos, fortalecimento institucional, comunicação e articulação junto a setores econômicos e governos. Nessa estratégia, povos indígenas e comunidades locais ocupam uma posição central.
No Brasil, país considerado prioridade global para a ONG, a Re:wild trabalha especialmente com projetos na Amazônia e no Pantanal. Um escritório brasileiro foi criado em 2019, para intensificar essas ações, com parcerias com Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, o ICMBio, governos estaduais, organizações indígenas e institutos da sociedade civil.
As ações da ONG incluem apoiar a criação, expansão e gestão efetiva de áreas protegidas, fortalecer territórios indígenas e organizações lideradas por indígenas, aprimorar o monitoramento de florestas e da biodiversidade, reduzir o desmatamento e outras atividades ilegais, prevenir e responder a incêndios florestais, restaurar populações de animais silvestres e processos ecológicos, mobilizar apoio filantrópico de longo prazo e encontrar alternativas econômicas ambientalmente sustentáveis à pecuária na Amazônia.
Em 2023, os integrantes do Protecting Our Planet Challenge (POP Challenge), considerado o maior compromisso privado para a conservação da biodiversidade, que tem a A Re:wild como uma das fundadoras, anunciaram investimentos de 200 milhões de dólares ao longo de quatro anos para apoiar o Brasil na criação, ampliação e gestão de unidades de conservação e na declaração, demarcação e proteção de terras indígenas, principalmente na Amazônia.
Em 2023 e 2024, a Re destinou aproximadamente 8,5 milhões de dólares a investimentos relacionados ao combate ao fogo no Brasil. Esses recursos ajudaram a equipar 979 bombeiros em oito estados e apoiaram 55 associações indígenas e mais de 1.000 integrantes de brigadas.

[Fonte Original]

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