Bom dia. Estamos na sexta-feira, 4 de setembro.
Cenário
A semana se encerra com o indicador de emprego mais importante dos Estados Unidos, o relatório de emprego não-agrícola (“non farm payroll”) do mês de agosto. A mediana das expectativas é de uma leve subida na atividade, com a criação de 55 mil vagas líquidas. Em julho, o resultado foi inesperadamente negativo, com o fechamento líquido de 23 mil vagas. Esse é o indicador mais acompanhado pelos investidores, pois é considerado o indicador mais preciso da temperatura do mercado de trabalho.
Ao longo da semana foram divulgados vários números do emprego nos Estados Unidos, mostrando uma desaceleração nas contratações. Na terça-feira (01) foi divulgada a pesquisa JOLTs de julho, equivalente ao Caged brasileiro. Os números mostraram a abertura líquida de 7,271 milhões de vagas. O número ficou abaixo da expectativa, que era de 7,33 milhões de vagas.
O resultado de junho foi corrigido para baixo. O dado preliminar era de 7,359 milhões de vagas, mas o número definitivo foi bem menor, 7,182 milhões, com a redução de 177 mil vagas. Correções tão expressivas mostram que as contratações estão desacelerando.
Na quarta-feira (02) foi divulgado o relatório de empregos privados da ADP, empresa de tecnologia que processa as folhas de pagamento de milhares de empresas americanas. O resultado de agosto mostrou a contratação líquida de 38 mil pessoas, abaixo tanto das 46 mil contratações de julho quanto da expectativa de 47 mil contratações
O emprego é a variável econômica com mais atraso em relação às alterações no nível de atividade. É fácil entender o motivo. Contratar e dispensar trabalhadores são atividades complexas para as empresas. No caso das contratações, exceto para funções muito básicas, é preciso um tempo para integrar o novo colaborador às práticas e rotinas da empresa. E as demissões têm custo, dissipando uma energia da empresa que deveria ser empregada na produção e nas vendas.
As companhias tendem a postergar essas decisões. Por isso, os resultados de julho e de agosto dos indicadores já divulgados, e o relatório de emprego não agrícola que será conhecido nesta manhã são tão importantes. Um “non farm payroll” que mostre contratações abaixo do esperado, e uma eventual revisão dos números de julho, podem confirmar a desaceleração da economia e alterar as expectativas para os juros na próxima reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, agendada para os dias 15 e 16 deste mês.
Segundo a ferramenta FedWatch, da bolsa de Chicago (CME), as expectativas para essa decisão dos juros estão indefinidas. Na quinta-feira (03) a probabilidade maior, com 52,4%, era de alta de 0,25 ponto percentual nos juros, para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. No entanto, há uma semana essa probabilidade era de 57,0%, e na quarta-feira (02) ela havia se tornado minoritária por pouco, caindo para 49,4%.
Essa oscilação mostra a indefinição do mercado, que o relatório de emprego não agrícola pode ajudar a dissipar.
Perspectivas
Os contratos futuros dos principais índices americanos estão sem tendência definida no pré-mercado, com leves baixas no Dow Jones e no S&P 500 e uma alta mais nítida do Nasdaq. As ações brasileiras negociadas em Wall Street estão em alta, e o petróleo Brent recua 0,5% mas está em um nível de preços elevado, a US$ 95.
Indicadores
BRASIL
Balança Comercial (Ago)
Esperado: US$ 7,14 bilhões
Anterior: US$ 7,07 bilhões
ESTADOS UNIDOS
Relatório de Emprego não-agrícola (Ago)
Esperado: – 55 mil
Anterior: – 23 mil
Ganho Médio por Hora Trabalhada (Ago)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,1%
Taxa de Desemprego (Ago)
Esperado: 4,1%
Anterior: 4,1%
Salário Médio por Hora (12M)
Esperado: 3,0%
Anterior: 3,2%