A compra e venda de artigos de luxo pela internet movimentaram R$ 4,12 bilhões nos primeiros oito meses deste ano, um salto de 2,1% comparado a 2025. O ticket médio subiu 2,4% para R$ 663,29 enquanto os pedidos registrados recuaram 0,3%, registrando 6,22 milhões entre 01 de janeiro de 31 de agosto.
O brasileiro, no entanto, parece ir menos às compras mas encher o carrinho quando tem a oportunidade: a média de itens saltou de 2,05 para 2,19 por pedido e registrou um total de 13,58 milhões de produtos, alta de 6,5%.
O preço médio por item caiu 4,1%, para R$ 303,51.
Os dados fazem parte de um levantamento da Confi, por meio de sua solução de inteligência de mercado Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil.
Para Pedro Chiamulera, CEO da Confi, o resultado aponta para uma mudança na dinâmica das compras. “Os dados mostram que o consumidor está alterando o seu comportamento, formando cestas maiores, mas a partir de produtos mais baratos”, analisa.
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Moda e Acessórios, responderam por 59,8% das compras e movimentaram R$ 2,47 bilhões, queda de 1,8% na comparação anual. Apesar do destaque, o setor acumulou queda de 3,6% no período. Em segundo lugar, Beleza e Perfumaria movimentou R$ 609,7 milhões, alta de 17,3%, ocupou 14,8% do carrinho.
“O levantamento mostra que o consumidor de alto padrão não é homogêneo e que as oportunidades de crescimento estão se deslocando entre categorias”, acrescenta Chiamulera.
Utilidades Domésticas, historicamente com menor participação, cresceu 49,1% e atingiu R$ 66,5 milhões; saúde avançou 30,8%. A categoria de Móveis registrou o maior ticket médio da cesta, de R$ 1.934, à frente de Banho, Cama e Mesa (R$ 1.300) e Relógios e Joias (R$ 1.121).
Do lado das quedas, Relógios e Joias caíram 4,7% e movimentaram R$ 487,6 milhões, com ticket médio de R$ 1.121. A categoria também aprofundou sua retração nos dois últimos meses analisados, passando de -4,5% no primeiro semestre para -5,3% em julho e agosto.
Norte apresenta crescimento regional
Todas as cinco regiões apresentaram crescimento: Norte avançou 5,6%, o Sul cresceu 4,4%, Nordeste ganhou 3,9% e Centro-Oeste subiu 3,0% em ritmo superior ao principal mercado do país.
“O Norte liderar o crescimento, com alta de 5,5%, e o Centro-Oeste apresentar o maior ticket médio do Brasil são sinais interessantes de como o consumo premium digital vem ganhando força em diferentes mercados. Existe um consumidor de alto padrão fora dos centros tradicionalmente associados ao luxo, e os dados ajudam a dimensionar melhor essa oportunidade”, afirma Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil.
Sul e Centro-Oeste registraram os maiores tickets médios da cesta, R$ 705 e R$ 703, acima inclusive do Sudeste com R$ 654.
Embora o Sudeste ainda concentre 59% de todo o faturamento da cesta analisada, foi a região que menos cresceu nos oito meses: 0,1%, perdendo 0,9 ponto percentual de participação.
Para Pati, essa leitura regional pode ajudar as marcas a identificar novas avenidas de crescimento. “O mercado de alto padrão brasileiro tem novas oportunidades surgindo. Quanto mais inteligência tivermos sobre esse consumidor, mais qualificadas serão as decisões de expansão, posicionamento e relacionamento”, conclui.
O recorte acompanhou 92 cadastros de loja de e-commerce de alto padrão, abrangendo segmentos como moda autoral, joalheria, alta perfumaria, beleza, casa, revenda de luxo e shoppings.