O Bitcoin volta a cair nesta sexta-feira (11), perdendo a faixa dos US$ 77 mil, pressionado por uma nova rodada de aversão a risco após dados de inflação ao produtor nos Estados Unidos acima do esperado. O BTC recuava enquanto investidores aumentavam as apostas de que o Federal Reserve pode elevar os juros na reunião da próxima semana.
Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 1,4%, cotado a US$ 76.989 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 394.445, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, fica estável a US$ 2.463. Já o XRP cai 2,9%, enquanto a Solana tem queda de 1,7% e a BNB perde 0,8%.
O gatilho veio do PPI, índice de preços ao produtor dos EUA, que subiu 5,4% em agosto na comparação anual, acima da projeção de 5,1% citada pelo mercado. Na comparação mensal, o avanço foi de 0,4%, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. O dado reforçou a leitura de inflação persistente em meio à alta do petróleo e pressionou os juros dos Treasuries.
A pressão não ficou restrita ao Bitcoin. Entre os destaques negativos, o Zcash (ZEC) caiu cerca de 12%, para perto de US$ 1.134, devolvendo parte da forte alta recente. Mesmo assim, o token ainda acumula ganho de aproximadamente 34% na semana e quase 145% em um mês.
O cenário macro voltou a pesar sobre o Bitcoin por dois canais: inflação e juros. O petróleo avançou com força, com o WTI superando US$ 100 por barril e atingindo o maior fechamento desde maio, enquanto o Brent também passou da marca de US$ 100. A alta da energia aumenta o risco de novos repasses para a inflação e dificulta o trabalho do Fed.
Ao mesmo tempo, os juros dos títulos americanos renovaram máximas. O rendimento do Treasury de 10 anos se aproximou de 5%, enquanto o de 30 anos atingiu patamar visto pela última vez há quase duas décadas. Juros reais mais altos costumam pressionar ativos como o Bitcoin porque tornam a renda fixa mais competitiva e encarecem posições alavancadas no mercado cripto.
A piora também aparece nos derivativos. O sentimento em futuros voltou a ficar negativo, com a relação entre compras e vendas agressivas indicando maior força vendedora. O interesse em aberto acumulado caiu cerca de 2%, para US$ 139 bilhões, enquanto o volume subiu 5%, sinal de rotação e saída moderada de capital.
Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA também já vinham mostrando perda de fôlego. Na quarta-feira, os fundos registraram cerca de US$ 120 milhões em saídas líquidas, mais que o dobro do dia anterior. Enquanto isso, ETFs de Ethereum, XRP e Solana receberam entradas no mesmo período, indicando uma rotação pontual para outros criptoativos.
O próximo teste vem nesta sexta, com a divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA. A expectativa citada pelo mercado é de inflação cheia em 3,4% na comparação anual e núcleo em 2,4%. Um dado acima do esperado pode reforçar ainda mais as apostas de alta de juros na reunião do Fed dos dias 15 e 16 de setembro.
“Os mercados já estão posicionados para um Fed mais duro e uma provável alta de juros”, disse Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group.
Sinal técnico falha e suporte fica no radar
A queda do Bitcoin também frustra, ao menos no curto prazo, a leitura positiva gerada pela chamada cruz dourada. O sinal acontece quando a média móvel de 50 dias cruza acima da média de 200 dias e costuma ser visto por parte do mercado como um indicativo de tendência de alta.
Desta vez, porém, o movimento segue um padrão já visto em outros ciclos. O Bitcoin subiu de cerca de US$ 62 mil para US$ 82 mil antes da formação do sinal e, depois disso, recuou para a região dos US$ 77 mil. Em outras ocasiões, como em 2021, 2023, 2024 e 2025, o BTC também acumulou boa parte da valorização antes do cruzamento e corrigiu logo depois.
Isso não torna a cruz dourada irrelevante, mas reforça que ele pode funcionar como um indicador atrasado. Quando aparece no gráfico, uma parcela importante do rali já pode ter acontecido.
Agora, o mercado observa a região dos US$ 76.270, apontada por analistas como suporte técnico importante. O Bitcoin não negocia abaixo desse nível desde o início do rali de agosto. Uma perda dessa faixa poderia indicar enfraquecimento maior da recuperação recente. Por outro lado, uma inflação mais fraca na sexta-feira poderia aliviar os juros, reduzir apostas de alta pelo Fed e dar espaço para o BTC tentar voltar à faixa dos US$ 80 mil.
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