O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, que já deu declarações afirmando ser contra interferência dos Estados Unidos no Brasil, criticou nesta quarta-feira (23) o discurso adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre “não terceirizar” a defesa das fronteiras do Brasil e o combate às facções criminosas. Para Santos, caso Lula seja reeleito, não haverá nenhum tipo de enfrentamento ao crime organizado.
“Muito pelo contrário, o PT, toda vez que ele tenta falar de segurança pública, ou é para diminuir a capacidade de ação das polícias, ou é para concentrar poder do governo federal, não para salvar o Brasil do crime. O Lula é um sujeito para bandido, sempre foi um sujeito para bandido”, afirmou a jornalistas em Sorocaba (SP), durante caravana de campanha itinerante pelo Sul e Sudeste do país.
Ao discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), Lula enfatizou a questão da soberania, alertando contra o risco de ingerência externa no processo eleitoral, num recado ao governo de Donald Trump, embora sem citar os EUA. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou o presidente, sob aplausos. Ele disse que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e rejeitou qualquer intervenção externa.
Santos, que na última pesquisa Quaest aparece com 3% das intenções de voto, voltou a afirmar que não vai apoiar Lula ou Flávio em um eventual segundo turno. “Eu não vou votar em ladrão, não vou mandar as pessoas votarem em ladrão. Minha mãe me ensinou quando eu era criança a não andar com bandido. Aí eu vou recomendar às pessoas que votem em bandido?”, disse.
Nas redes sociais, o candidato do Missão criticou os adversários líderes nas pesquisas por se recusarem a ir ao debate dos presidenciáveis na Record, que ocorreria no próximo domingo (27). Nesta quarta, a emissora informou que cancelou o debate. “É um boicote ao processo eleitoral. Ambos querem manter o eleitor em eterno estado de paralisia. Não à toa estamos vivendo a pior eleição da história”, escreveu Santos.
Autonomia do Banco Central
Ainda na agenda em Sorocaba (SP), o candidato do Missão disse que, se eleito, vai defender a autonomia do Banco Central (BC), desde que a autarquia federal, diante de um ajuste fiscal pelo eventual governo, diminua a taxa básica de juros (Selic).
“O Banco Central tem que ter autonomia. O que eu defendo é o seguinte: se você faz um corte de gastos muito forte, naturalmente, o Banco Central tem que cortar a taxa Selic, que é o que eu espero”, afirmou Santos.
Em seu plano de governo, Santos pretende fazer um corte de despesas de até R$ 250 bilhões ao ano. Segundo ele, diante da execução da proposta, ele espera que a taxa Selic reduza de 5 até 7 pontos percentuais. Atualmente fixada em 13,75% ao ano, uma queda dessa magnitude levaria a taxa básica de juros para a faixa de 6,75% a 8,75% ao ano.
“É para a taxa Selic cair 5, 6 e 7 pontos já no primeiro ano. E aí, com base nisso, você consegue fazer uma política de investimento e infraestrutura sólida de longo prazo. Todo ajuste fiscal tem que ser feito na área da despesa, porque ele permite o outro lado, que é o ajuste fiscal também pelo crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]. Então, com base nisso, a gente consegue reajustar e resolve também a questão da dívida PIB”, disse.
Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral do Brasil atingiu 82,51% do PIB em julho de 2026, somando aproximadamente R$ 10,9 trilhões. Em entrevista no mês passado, o presidente Lula reconheceu a autonomia do BC, mas afirmou que cabe ao governo manter “bastante seriedade fiscal” para criar condições que permitam a redução dos juros.