A Mitsubishi Heavy Industries reativará, no ano fiscal de 2027, uma área de construção naval desativada no oeste do Japão para fabricar um navio de reabastecimento para o Ministério da Defesa. A iniciativa busca ampliar a capacidade de produção em meio ao aumento da demanda por embarcações.
A empresa voltará a utilizar uma rampa de lançamento de cerca de 250 metros no principal estaleiro da Mitsubishi Heavy Industries Maritime Systems, subsidiária do grupo na cidade de Tamano, na província de Okayama. A unidade tem duas rampas para construção e reparo de navios em terra e duas docas secas escavadas. Uma das rampas estava desativada.
A instalação pertencia à Mitsui E&S Holdings, hoje Mitsui E&S. A Mitsubishi Heavy assumiu o estaleiro em 2021, depois que a antiga proprietária decidiu abandonar o deficitário negócio de navios militares, permitindo a continuidade das operações.
A rampa a ser reativada não é usada desde a construção de uma embarcação de pequeno porte, em 2024. Será a primeira vez que um navio de grande porte será construído no local desde que a Mitsubishi Heavy assumiu a unidade. Atualmente, o estaleiro fabrica destróieres, embarcações de patrulha da Guarda Costeira japonesa e outros navios especializados.
Para conter os custos, a empresa aproveitará guindastes e outros equipamentos existentes. Também trabalhará com empresas parceiras para ampliar em cerca de 50% o número de profissionais envolvidos na construção naval.
O novo navio transportará combustível e suprimentos e deverá ser o maior de sua categoria na Força Marítima de Autodefesa do Japão, superando as embarcações das classes Towada e Mashu.
A Mitsubishi Heavy já conduz outros projetos militares, entre eles a construção de navios equipados com sistemas de combate Aegis em seu estaleiro de Nagasaki. A empresa também recebeu uma encomenda de fragatas de nova geração para a Austrália, que marcará a primeira exportação japonesa de navios de guerra no pós-guerra.
Os gastos de defesa do Japão aumentaram acentuadamente desde o ano fiscal de 2023. Tóquio também antecipou para o ano fiscal de 2025 a meta de elevar essas despesas a 2% do Produto Interno Bruto (PIB), originalmente prevista para 2027.
Em abril, o governo suspendeu restrições à exportação de equipamentos de defesa com capacidade ofensiva. Outros possíveis contratos de exportação de navios de guerra estão em análise.
Apesar do aumento da demanda por embarcações militares no Japão e no exterior, a capacidade de construção naval continua limitada. Durante anos, os estaleiros japoneses reduziram sua capacidade de fabricar navios militares, enquanto o orçamento de defesa do país permaneceu estagnado.
A reativação de instalações ociosas permitirá à Mitsubishi Heavy ampliar a produção, mas a contratação de profissionais especializados em atividades como projeto e soldagem continua sendo um desafio.
A retomada de estruturas desativadas também avança na construção naval comercial. A Hakodate Dock, na ilha de Hokkaido, subsidiária da Namura Shipbuilding, decidiu reabrir uma doca comercial sem uso desde 1993.
Os esforços para reconstruir a indústria naval japonesa, reduzida durante uma prolongada crise do setor, ganham força tanto na área militar quanto na comercial.