Amazon lançará documentário sobre fraude da FTX com entrevistas de Sam Bankman-Fried na prisão

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O Prime Video, serviço de streaming da Amazon, anunciou uma série documental sobre Sam Bankman-Fried, fundador da exchange de criptomoedas FTX, que faliu em 2022 após a descoberta de um esquema de fraude bilionária. A produção terá três episódios e contará com entrevistas inéditas do ex-executivo, atualmente preso nos Estados Unidos, onde cumpre uma condenação de 25 anos.

Batizada de The Boy Who Stole Billions? (O garoto que roubou bilhões?, em tradução livre), a série estreia em 30 de novembro e estará disponível em mais de 240 países e territórios, segundo informações divulgadas pelo Prime Video.

A produção pretende apresentar uma nova perspectiva sobre a ascensão e a queda da FTX, que chegou a ser avaliada em US$ 32 bilhões antes de entrar em colapso, em novembro de 2022.

O principal diferencial será o acesso a Bankman-Fried na prisão. De acordo com a Amazon, o documentário reúne depoimentos exclusivos do empresário, que contará sua versão dos acontecimentos que levaram à falência da exchange e à condenação por fraude.

A produção também inclui entrevistas com pessoas que participaram da construção da FTX, além de explorar os bastidores da companhia e a relação de Bankman-Fried com Caroline Ellison, ex-CEO da Alameda Research e sua ex-namorada.

A Alameda era uma empresa de negociação de criptomoedas ligada à FTX e teve papel central no esquema que resultou no desaparecimento de bilhões de dólares pertencentes aos clientes da corretora.

As investigações demonstraram que recursos dos usuários eram transferidos indevidamente para a Alameda, onde eram utilizados em operações financeiras, investimentos e outras despesas.

Bankman-Fried foi considerado culpado por um júri americano em novembro de 2023, após responder a acusações de fraude e conspiração relacionadas ao uso indevido de aproximadamente US$ 8 bilhões de clientes.

Em março de 2024, ele foi condenado a 25 anos de prisão. O ex-executivo nega ter agido com intenção de cometer fraude e tem contestado sua condenação na Justiça.

O documentário é dirigido por Nanette Burstein, conhecida por produções como Hillary e The Kid Stays in the Picture.

Em declaração sobre o projeto, a diretora afirmou que passou quase três anos acompanhando o caso e entrevistando Bankman-Fried, buscando compreender como um jovem empresário que defendia ideias de altruísmo e transformação do sistema financeiro acabou envolvido em um dos maiores escândalos financeiros dos Estados Unidos.

A série é produzida pela Amazon MGM Studios, pela Propagate e pela West Buttermilk. Todos os três episódios serão disponibilizados simultaneamente na estreia.

Netflix também lançará série sobre a FTX em novembro

O Prime Video não será o único serviço de streaming a abordar o escândalo da FTX nas próximas semanas.

A Netflix também prepara uma produção sobre a história de Sam Bankman-Fried e Caroline Ellison. A minissérie , que terá oito episódios, estreia em 19 de novembro, onze dias antes do documentário da Amazon.

Diferentemente da produção do Prime Video, que terá formato documental e entrevistas com os envolvidos, a Netflix aposta em uma dramatização dos acontecimentos, com atores interpretando os principais personagens da história.

Anthony Boyle, conhecido por seus trabalhos em Mestres do Ar e House of Guinness, interpretará Bankman-Fried. Já Julia Garner, de Ozark e Inventando Anna, viverá Caroline Ellison.

A trama acompanhará a trajetória dos dois jovens, que inicialmente pretendiam transformar o sistema financeiro por meio das criptomoedas, mas acabaram envolvidos em decisões que contribuíram para o colapso da FTX.

O projeto tem Graham Moore e Jacqueline Hoyt como criadores e roteiristas, além de contar com a participação de Barack e Michelle Obama na produção executiva, por meio da Higher Ground Productions.

A Netflix divulgou o primeiro trailer da série em 8 de outubro, apresentando cenas da relação entre Bankman-Fried e Ellison, da expansão da exchange e das decisões que levaram à crise.

Em entrevista divulgada pela plataforma, Moore afirmou que o relacionamento entre os protagonistas será um dos elementos centrais da narrativa.

Segundo o roteirista, ambos começaram com a intenção de causar um impacto positivo no mundo, mas acabaram convencendo um ao outro a tomar decisões criminosas.

Ellison, que colaborou com as autoridades americanas durante as investigações, declarou-se culpada de acusações relacionadas ao caso e cumpriu parte de sua condenação na prisão.

A produção da Netflix é inspirada em reportagens publicadas pela revista New York Magazine e busca explorar não apenas a fraude financeira, mas também as relações pessoais e profissionais por trás da FTX.

Escândalo da FTX volta aos holofotes quatro anos após falência

As duas produções chegam ao streaming praticamente quatro anos depois da falência da FTX, anunciada em 11 de novembro de 2022.

Na época, a exchange era uma das maiores plataformas de negociação de criptomoedas do mundo, competindo com empresas como Binance e Coinbase.

Bankman-Fried havia construído uma imagem pública de empresário bilionário, participava de eventos com autoridades e investidores e defendia o chamado altruísmo eficaz, filosofia que propõe utilizar recursos e decisões pessoais para gerar o maior impacto positivo possível na sociedade.

Entretanto, a empresa entrou em crise depois que informações sobre a situação financeira da Alameda Research provocaram dúvidas sobre a capacidade da FTX de honrar os saques dos clientes.

A tentativa de retirada de bilhões de dólares em poucos dias expôs um déficit financeiro que a exchange não conseguiu cobrir.

Após o colapso, as investigações revelaram que recursos pertencentes aos clientes haviam sido utilizados indevidamente em operações da Alameda e em outras despesas do grupo.

O episódio provocou perdas para investidores, abalou a confiança no mercado de criptomoedas e contribuiu para uma série de falências e processos envolvendo empresas do setor.

Além da condenação de Bankman-Fried, outros executivos da FTX e da Alameda foram responsabilizados por sua participação no esquema.

A recuperação dos recursos dos credores também se tornou uma das maiores operações de falência da história do mercado de ativos digitais, envolvendo bilhões de dólares em ativos e milhares de clientes distribuídos por diferentes países.

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