Os investidores se preparam para um dia de fortes oscilações nos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter vencido a eleição contra Flávio Bolsonaro, o candidato de direita preferido pela maior parte do mercado financeiro. Os primeiros indícios projetam uma forte correção no mercado acionário: um ETF (fundo de índice) que acompanha ações brasileiras despencou até 16% em Tóquio, a maior queda intradiária desde 2020, e um contrato de derivativos cambiais na Bolsa Mercantil de Chicago cotava o real a R$ 5,55 por dólar – embora não seja um indicador direto de preços, o movimento sinaliza uma alta da moeda americana de mais de 10% em relação ao fechamento de sexta-feira.
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Por ora, os investidores se preparam para o que Homin Lee, estrategista da Lombard Odier em Cingapura, chamou de reversão “inevitável” da alta que tinha sido impulsionada pela vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno.
A corretora Monte Bravo estima que o índice de referência da Bolsa brasileira, o Ibovespa, poder cair mais de 10% na primeira hora de negociação. Em uma pesquisa do Citigroup, com 73 investidores, publicada na sexta-feira, a maioria esperava que a derrota de Bolsonaro levasse a uma queda de pelo menos 5% do real, com as taxas de juros futuros subindo mais de 1 ponto percentual, à medida que os investidores descartarem as apostas em cortes de juros que haviam feito após Bolsonaro ultrapassar Lula no primeiro turno, no início deste mês.
Com a vitória de Lula, “espera-se que todos deem um passo atrás”, disse Cathy Hepworth, que chefia a equipe de dívida de mercados emergentes da gestora de ativos PGIM, da gigante americana Prudential, com US$ 1,5 trilhão em ativos sob gestão.
“Haverá uma reprecificação muitos significativa, talvez por um tempo.“Mas ainda é o Brasil, e Lula é um animal político, então as coisas acabarão se estabilizando,, disse ela.
Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, diz que movimentos de queda tendem a envolver mais pânico e ordens motivadas por emoções”, disse Abbud.
— Lula poderia eventualmente adotar uma abordagem mais cautelosa em relação aos gastos públicos, mas é improvável que o mercado lhe dê o benefício da dúvida.
Os investidores, em grande parte, estavam posicionados para uma vitória de Bolsonaro depois que sua surpreendente liderança no primeiro turno das eleições, no início deste mês, desencadeou uma forte alta, atraindo bilhões em fluxos estrangeiros na expectativa de um aperto fiscal muito solicitado, que permitiria a redução das taxas de juros no futuro. Empresas como UBS Global Wealth Management, Morgan Stanley, JPMorgan Chase. e Citigroup correram para emitir recomendações otimistas para os ativos brasileiros.
À medida que as pesquisas continuavam a apontar para um segundo turno apertado, com Lula implementando uma série de medidas favoráveis aos eleitores e Flávio Bolsonaro anunciando medidas econômicas incongruentes, muitos começaram a reforçar suas estratégias de proteção para resguardar seus portfólios. Mas uma vitória de Bolsonaro ainda era vista como o cenário mais provável.
Desde que retornou ao poder em janeiro de 2023, Lula tem buscado melhorar a vida dos trabalhadores brasileiros, impulsionando o consumo e dando continuidade à expansão do crédito. Mas ele fez pouco para lidar com o crescente déficit do país, que, segundo a maioria dos economistas, é a razão pela qual a nação tem algumas das taxas de juros reais mais altas do mundo.
Ainda assim, os mercados brasileiros seguiram, em última análise, um cenário positivo durante seu terceiro mandato. A taxa de desemprego caiu a níveis inéditos e a renda médias dos trabalhadores cresceu. As altas taxas de juros, embora restritivas para a economia, tornam a moeda atraente para investidores que buscam manter suas posições em um cenário de dólar mais fraco e afastamento dos mercados americanos, o que contribuiu para impulsionar os mercados emergentes de forma mais ampla.