No dia 17 de outubro de 2025, o jovem poeta, jornalista e ativista palestino Mohammed El-Kurd conversou – por chamada de vídeo – com a Cult. Convidamos a escritora e jornalista saudita Nada Alturki para participar da entrevista.
Nascido em 1998, em Jerusalém, El-Kurd acaba de publicar no Brasil, pela Tabla, com tradução de Gabriel Seremeni, seu livro de estreia, a coletânea de poemas Rifqa, de 2021, que catapultou o poeta para uma carreira internacional. El-Kurd é, atualmente, uma das vozes palestinas de maior expressão – já tendo sido incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. A Tabla também já havia publicado, em 2025, sua não ficção Vítimas perfeitas e a política do apelo, com tradução de Rogerio W. Galindo.
Sua língua materna é o árabe. Como foi para você escrever poesia em inglês? Mais restritivo? Mais libertador? E por que tomou essa decisão?
Para ser completamente honesto, eliminando qualquer romantismo, comecei a escrever poesia em inglês porque minha mãe não lia em inglês – e eu não queria que ela lesse meus poemas. Ela era uma poeta em árabe e uma crítica ferrenha. Naquele momento, a ideia de ouvir suas críticas não me entusiasmava (nem a ideia de que ela me “espionasse”, por eu ser adolescente). Mas depois percebi que a verdadeira razão, técnica, foi ter compreendido que há muito a se fazer na língua inglesa: sendo inventivo, expandindo fronteiras em relação ao que pode e ao que não pode ser dito. Muito da literatura relacionada à Palestina no Ocidente é, i
Assine a Revista Cult e
tenha acesso a conteúdos exclusivos
Assinar »