Anúncio do laboratório CIBA Pharmaceuticals da década de 1970, em que se lê “Ritalina ajuda ‘a criança-problema’ a se tornar amável novamente” (REPRODUÇÃO/CIBA PHARMACEUTICALS)
Quando pensamos a infância, imediatamente a associamos a imagens de doçura e inocência. Ela mobiliza impulsos de afeto e cuidado, consideramos que representa o futuro. Em termos históricos e sociais, a infância vem sendo considerada um problema há algum tempo. Pensadores como Nikolas Rose, Jacques Donzelot, Julia Varela e Fernando Álvarez-Uria, e mesmo Michel Foucault, entre tantos outros, têm estudado os problemas que suscitaram a infância desde que a Revolução Industrial modelou Estados capitalistas cujas preocupações incluíam a defesa de fronteiras, e as conquistas foram além delas mesmas, tanto políticas quanto econômicas.
Essas iniciativas exigiam uma população saudável e forte que pudesse produzir mercadorias e guerrear com afinco. Onde entrariam as preocupações sobre a infância? Justamente, a saúde e o bem-estar da criança e da infância era assunto de especial relevância, já que com eles estava em jogo o destino das nações e as responsabilidades dos Estados. A infância era então (e podemos perguntar se o é agora) um segmento da população muito especial, capaz de condensar múltiplas possibilidades: podia ser o futuro governante, o futuro trabalhador, o futuro soldado, o futuro delinquente, o futuro médico, o futuro louco, os futuros pai ou mãe de família, o futuro revolucionário, o futuro intelectual, o futuro professor, entre muitos outros.
Toda essa potencialidade simultânea tinha de ser enquadrada e orientada. Para tal, multiplicaram-se projetos, programas e estratégias estatais e de agentes e instituições privada
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