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quarta-feira, janeiro 14, 2026

Crítica | Mulher-Leopardo e Lince Roubam a Liga da Justiça – Plano Crítico

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A única coisa que eu tive certeza quando soube, lá em meados de 2025, que a DC Comics lançaria uma minissérie intitulada Mulher-Leopardo e Lince Roubam a Liga da Justiça (no original, com os nomes bem mais sonoros das vilãs, Cheetah and Cheshire Rob the Justice League) era que eu simplesmente tinha que lê-la. Pouco me importava o roteirista, o desenhista ou qualquer outra informação que não estivesse contida no bem didático e até cômico título. Era só uma questão de esperar que as seis edições saíssem entre agosto de 2025 e janeiro de 2026 para eu mergulhar no que eu achava que seria a mais pura galhofa em quadrinhos que provavelmente se passaria em algum universo paralelo para não atrapalhar a linha temporal principal, em que duas vilãs que, vamos combinar, simplesmente não são páreo para a Liga da Justiça em qualquer formação, tentariam roubar qualquer coisa da todo-poderosa entidade.

No entanto, eu me enganei feio. Não só a minissérie é canônica, como ela decorre diretamente dos eventos de Poder Absoluto, com a revitalização do satélite Torre de Vigilância como sede da Liga da Justiça e a criação da Liga de Justiça sem Limites, em que todos os super-heróis existentes passam quase que automaticamente a serem membros. Quando percebi isso, quase não acreditei que a coisa era para ser séria, mas o roteiro de Greg Rucka parece conseguir estabelecer um equilíbrio muito atraente entre uma pegada decididamente mais séria e até violenta em alguns momentos e uma abordagem leve bem no estilo de filmes de assalto na linha de Onze Homens e um Segredo. E, exatamente como Danny Ocean, o roteirista faz a Mulher-Leopardo, sofrendo com sua luta interna contra a divindade Urzkataga, contactar sua amiga Lince para que as duas, então, recrutem uma equipe de vilões risíveis com o objetivo hilário de roubar o power bank, uma espécie de bateria que armazena todos os superpoderes dos membros da Liga da Justiça para evitar que eles os percam como aconteceu em Poder Absoluto, lá do impenetrável cofre do QG da Liga.

Não vou entrar no mérito sobre o quão imbecil é o conceito do tal power bank, mas, aqui, ele não passa de um MacGuffin esperto para que um plano mirabolante da dupla vilanesca seja colocado em prática com a ajuda de uma equipe improvavelmente composta ainda por Hazard, capaz de manipular as probabilidades, Klarion e sua gata familiar Teekl, responsáveis pelo lado mágico do plano, Featherweight, personagem nova que é prima de Damian Wayne e extremamente forte apesar de seu nome, que poderia ser traduzido como Peso Pena, e aparência frágil, e, finalmente, Lian Harper, filha adolescente de Lince com Roy Harper, o Arsenal, que não tem poder algum a não ser a capacidade de convencer a mãe a deixar que ela ajude. É quase como se Rucka estivesse de brincadeira com o leitor, mas ele não está e não está porque o que ele escreve é convincente do jeito “plano deliciosamente impossível e muito divertido” que uma premissa dessas simplesmente precisa seja nos quadrinhos, seja na literatura, seja no audiovisual. Portanto, Mulher-Leopardo e Lince Roubam a Liga da Justiça é uma história séria que, porém, não é para ser levada a sério, se é que me entendem, e quem quiser encarar a minissérie vestindo a carapuça do chato que estraga prazeres e fica dizendo coisas como “fulaninho jamais seria enganado por cicraninha”, é melhor nem começar a ler.

Aliás, o bacana da minissérie é justamente a distância abissal que existe entre esse grupo quase amador formado pela Mulher-Leopardo de um lado e a Liga da Justiça INTEIRA (de Deslizante ao Superman, passando pelos Desafiadores do Desconhecido e, claro, a onipresente e onisciente I.A. do Tornado Vermelho que controla a Torre de Vigilância) do outro e um plano tão cheio de partes móveis que é impossível não abrir um sorriso a cada reviravolta perfeitamente adivinhável, vale dizer. E tem de tudo no que Rucka escreve: traição, reviravoltas, embates épicos, reviravoltas, um milhão de personagens diferentes, reviravoltas e, claro, mais e mais reviravoltas até praticamente o último quadro da última página. Ajuda muito que a arte de Nicola Scott está em perfeita sintonia com a imaginação e ambição do roteirista, não só criando versões muito boas das duas vilãs principais, como povoando as páginas com uma maravilhosa infinitude de personagens que por vezes me lembra o grande e saudoso George Pérez e sua inimitável capacidade de lidar com o caos visual como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Todo o meu simples objetivo com a leitura de Mulher-Leopardo e Lince Roubam a Liga da Justiça era ter alguns momentos de relaxamento com uma bobagem completamente descartável que eu esquecesse assim que virasse a última página, mas Greg Rucka e Nicola Scott surpreendentemente tornaram isso impossível e criaram uma minissérie que, sendo muito sincero, eu queria que um dia ganhasse o tratamento cinematográfico multimilionário (e não falo de uma animação!) que a premissa e a execução mostradas aqui merecem. Afinal, como resistir à pretensão de meia dúzia de vilões pés de chinelo em enfrentar praticamente todos os super-heróis do Universo DC? É bom demais para isso ficar confinado só a essa HQ!

Mulher-Leopardo e Lince Roubam a Liga da Justiça (Cheetah and Cheshire Rob the Justice League – EUA, 2025/26)
Contendo: Cheetah and Cheshire Rob the Justice League #1 a 6
Roteiro: Greg Rucka
Arte: Nicola Scott
Cores: Annette Kwok
Letras: Troy Peteri
Editoria: Jessica Berbey, Rob Levin
Editora: DC Comics
Datas originais de publicação: 08 de agosto, 03 de setembro, 02 de outubro, 05 de novembro e 03 de dezembro de 2025; 07 de janeiro de 2026
Páginas: 160



[Fonte Original]

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