O volume de atividades ilícitas cometidas com criptoativos bateu recorde em 2025, impulsionado pela evasão de sanções, segundo estudo da empresa de análise de blockchain Chainalysis.
Ao todo, carteiras de criptomoedas ligadas a algum tipo de crime receberam US$ 145,9 bilhões no ano passado, em um crescimento de 155% na comparação com 2024. O crescimento dos valores recebidos por entidades sancionadas foi de 656%. As stablecoins, criptomoedas de valor atrelado ao de alguma divisa tradicional, como o dólar, responderam por 88% de todo o volume ilícito transacionado.
De acordo com a Chainalysis, o ano de 2025 trouxe como novidade os volumes sem precedentes de atividades ilícitas cometidas pelo próprio Estado de diversas nações. Embora o exemplo mais conhecido seja o da Coreia do Norte, cujos hackers roubaram US$ 2 bilhões no ano passado, o caso da Rússia se tornou bastante significativo.
O país criou uma legislação em 2024 flexibilizando a regulação de criptoativos e, com isso, facilitou a evasão de sanções com ativos digitais. Desde o início da Guerra da Ucrânia se fala em como as moedas digitais poderiam ser usadas para driblar as sanções internacionais que o país sofreu, principalmente a exclusão de bancos russos do sistema Swift.
Agora, o estudo aponta que a quantificação deste efeito ficou mais fácil com o sucesso da criptomoeda A7A5, um token atrelado ao rublo lançado em fevereiro de 2025, e que registrou um total de US$ 88,7 bilhões em transações.
Quem também usou o ecossistema blockchain, especialmente para lavagem de dinheiro, foi o Irã. A nação persa atuou com venda ilícitas de petróleo e aquisição de armas e commodities on-chain.
“Organizações terroristas alinhadas com o Irã, incluindo o Hezbollah libanês, o Hamas e os Houthis, estão utilizando criptomoedas em escalas nunca antes vistas, apesar de vários reveses militares”, diz a Chainalysis.
Outro tipo de atividade que cresceu no ano passado foi a de redes chinesas de lavagem de dinheiro. De acordo com o estudo, são operações sofisticadas que expandiram a tendência de diversificação e profissionalização do crime cibernético, oferecendo uma ampla gama de serviços especializados, incluindo lavagem de dinheiro como serviço e outras infraestruturas criminosas.
“Aproveitando a estrutura estabelecida por operações como a Huione Guarantee, essas redes criaram organizações criminosas completas que dão suporte a tudo, desde fraudes e golpes até lucros de ataques cibernéticos à Coreia do Norte, evasão de sanções e financiamento do terrorismo”, apontam os pesquisadores.
Por fim, outra tendência notória em 2025 foi o crescimento das conexões entre a atividade on-chain e crimes violentos. Operações de tráfico de pessoas e ataques de coerção nos quais criminosos forçam as vítimas a transferirem criptomoedas aumentaram e coincidem com momentos em que os ativos estão batendo máximas.