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sexta-feira, janeiro 9, 2026

‘União perfeita’ de Maduro com a China esconde ruptura econômica

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O líder venezuelano deposto Nicolás Maduro pode ter feito mais para esvaziar a presença da China em sua economia do que Donald Trump jamais poderia.

À medida que o presidente dos Estados Unidos se move para eliminar rivais e adversários como a China poucos dias após derrubar Maduro, perde-se de vista que seus 12 anos de governo já haviam levado ao desmantelamento dos laços financeiros com Pequim. A parceria enfraquecida que perdurou contradiz o que Maduro descreveu como a “união perfeita” de seu país com a China — em comentários feitos ao enviado do presidente chinês, Xi Jinping, poucas horas antes da captura surpreendente no último fim de semana.

Embora a China ainda seja a maior compradora de petróleo bruto da Venezuela, o comércio bilateral atingiu o pico no ano anterior à posse de Maduro. Os empréstimos de Pequim também atingiram uma máxima histórica em 2012 e depois passaram a diminuir, de acordo com Tang Xiaoyang, professor de relações internacionais na Universidade de Tsinghua.

Desde então, porém, os laços econômicos com a Venezuela esfriaram à medida que o país mergulhava no caos e os preços das commodities recuavam, mesmo com a China se posicionando como defensora do Sul Global e como contrapeso à ordem mundial liderada pelos EUA.

A relação hoje enfraquecida significa que Pequim provavelmente não entrará em conflito direto com Trump, enquanto os EUA buscam ampliar sua influência econômica na Venezuela. Apesar das manifestações de descontentamento da China com a queda de Maduro e a importância de manter o fluxo de petróleo da Venezuela, é provável que a China evite a abordagem adotada durante a escalada da guerra comercial com os EUA.

Em 2025, as importações da China provenientes da Venezuela caminhavam para encolher apenas 8% das compras feitas há 13 anos, mostram dados oficiais. Seu investimento estrangeiro direto em aberto na Venezuela totalizou US$ 318 milhões em 2024, menos de um décimo do montante registrado em 2018, de acordo com um relatório anual, divulgado pelo governo chinês em setembro.

“Já faz quase uma década que a China começou a se proteger contra seu risco remanescente”, disse Stephen Kaplan, professor associado da Escola Elliot de Assuntos Internacionais da Universidade George Washington. “Na maior parte do tempo, vemos uma China que está recuando em seus compromissos e protegendo seus riscos.”

Caracas ainda deve cerca de US$ 20 bilhões à China, incluindo atrasos acumulados nos últimos anos, segundo Kaplan, autor do livro “Globalizing Patient Capital: The Political Economy of Chinese Finance in the Americas” (“Globalizando o Capital Paciente: A Economia Política das Finanças Chinesas nas Américas”, em tradução livre). A Venezuela solicitou uma moratória da dívida em 2016 e foi autorizada a pagar os juros, mas não o principal, afirmou.

A China tornou-se um importante credor da Venezuela em 2007, quando forneceu pela primeira vez fundos para projetos de infraestrutura e petróleo sob o governo do falecido presidente Hugo Chávez. Estimativas sugerem que Pequim concedeu mais de US$ 60 bilhões de dólares em empréstimos lastreados em petróleo por meio de bancos estatais até 2015.

A Venezuela sofreu décadas de má gestão que corroeram a infraestrutura petrolífera do país, desencadearam períodos prolongados de hiperinflação e levaram milhões de migrantes econômicos e políticos a fugir para países vizinhos e para os EUA. As compras de petróleo da Venezuela representaram apenas 4% das importações de petróleo bruto da China em 2025, visto que a produção caiu drasticamente durante o regime de Maduro.

Embora a China tenha se retirado gradualmente da Venezuela, continua a oferecer novos empréstimos a economias latino-americanas como o Brasil e a Argentina, que exportam minerais críticos ou metais para baterias, de acordo com uma análise do Instituto Lowy.

“A Venezuela ocupa uma posição próxima ao fim da lista em termos de conexão econômica atual da China com os países da América Latina”, disse Tang, da Universidade Tsinghua, que liderou diversos projetos de pesquisa encomendados pelo Ministério das Relações Exteriores da China.

Xi Jinping recebe Nicolás Maduro em visita à China em 2013 — Foto: Palácio de Miraflores/Reuters

[Fonte Original]

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