A Microsoft afirmou nesta quarta-feira que não acredita que a agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) esteja usando sua tecnologia para vigilância em massa de civis, mas acrescentou que fornece ferramentas de produtividade e colaboração baseadas em nuvem para a ICE.
A declaração da empresa de tecnologia veio em resposta a uma reportagem do “The Guardian” que afirmou que o ICE intensificou sua dependência da tecnologia em nuvem da Microsoft no ano passado, à medida que a agência ampliava as operações de prisão e deportação. O jornal citou documentos vazados.
O ICE mais que triplicou a quantidade de dados armazenados na plataforma de nuvem Azure da Microsoft nos seis meses que antecederam janeiro de 2026, período em que o orçamento da agência aumentou consideravelmente e sua força de trabalho se expandiu rapidamente, informou o “The Guardian”, acrescentando que o ICE parece estar utilizando uma variedade de ferramentas de produtividade da Microsoft, bem como produtos baseados em IA, para pesquisar e analisar os dados que mantém no Azure.
“Como já dissemos anteriormente, a Microsoft fornece ferramentas de produtividade e colaboração baseadas na nuvem para o DHS [Departamento de Segurança Interna, do qual o ICE faz parte] e para o ICE, disponibilizadas por meio de nossos principais parceiros”, disse um porta-voz da Microsoft em um comunicado.
“As políticas e os termos de serviço da Microsoft não permitem que nossa tecnologia seja usada para a vigilância em massa de civis, e não acreditamos que o ICE esteja envolvido em tal atividade.”
A empresa afirmou que o Congresso dos EUA, o Poder Executivo e os tribunais devem estabelecer “diretrizes legais claras” em relação ao uso permitido de tecnologias emergentes pelas forças da lei.
O ICE afirmou que não comentará detalhes específicos sobre técnicas de investigação, ferramentas e tecnologias utilizadas em investigações criminais em andamento, mas disse que utiliza diversas formas de tecnologia para auxiliar na prisão de criminosos.
A política de imigração restritiva do presidente dos EUA, Donald Trump, tem sido alvo de críticas por parte de defensores dos direitos humanos, que afirmam que ela cria um ambiente inseguro e carece de devido processo legal. O ICE tornou-se o símbolo dessa política, especialmente após os assassinatos de dois cidadãos americanos no mês passado.
Trump afirmou que suas ações visam melhorar a segurança interna e conter a imigração ilegal.
Durante seu segundo mandato, as empresas de tecnologia tentaram estreitar os laços com Trump.
A Microsoft também já enfrentou críticas anteriormente pelo uso de sua tecnologia por governos. Em setembro passado, a empresa afirmou ter desativado alguns serviços usados por uma unidade militar israelense após evidências preliminares corroborarem uma investigação da mídia que denunciava a vigilância em massa de ligações telefônicas palestinas. Os laços com as forças armadas de Israel levaram a protestos internos na empresa, e alguns manifestantes foram demitidos.