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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Volume de serviços prestados no Brasil cai 0,4% em dezembro, mas fecha 2025 com alta de 2,8%

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O volume de serviços prestados no Brasil caiu 0,4% em dezembro, ante novembro, mas fechou o ano de 2025 com alta de 2,8%, mostra a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este foi o quinto ano seguido de alta nos serviços no país, após a queda de 7,8% em 2020, primeiro ano da pandemia. Em 2024, o aumento foi de 3,1%.

No resultado mensal, ante o mês imediatamente anterior, o recuo de 0,4% vem após estabilidade em novembro (inicialmente divulgada como retração de 0,1%) e nove taxas positivas, entre fevereiro e outubro de 2025. Nesses dez meses, a alta acumulada foi de 3,6%.

A queda de 0,4% em dezembro, ante novembro, ficou abaixo da mediana das estimativas de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de recuo de 0,2%. O intervalo dessas estimativas ia de retração de 1% a alta de 0,6%.

O recuo de 0,4% do volume de serviços prestados no Brasil em dezembro, ante o mês anterior, foi a maior queda mensal registrada pela PMS desde novembro de 2024, quando foi de 1,4%. Na comparação apenas dos meses de dezembro, esta retração de 0,4% é a mais intensa desde 2016 (-0,7%).

Para o gerente do IBGE Rodrigo Lobo, responsável pela PMS, é preciso cautela na comparação porque a economia brasileira era muito diferente no fim de 2025 e no fim de 2016.

“Os contextos [de dezembro de 2025 com dezembro de 2016] são absolutamente distintos. A queda de 0,4% de agora vem após o setor atingir o pico da série, em novembro de 2025. Dezembros de meses anteriores tinham contextos distintos. Os anos de 2015 e de 2016 tiveram uma crise acentuada, por exemplo.”

Além disso, defende, a série da pesquisa que compara o resultado com o mês anterior já é ajustada sazonalmente, para descontar efeitos específicos de cada período do ano. Por isso, a comparação mais adequada do resultado de determinado mês é com qualquer outro mês da série histórica da PMS e não apenas de meses iguais.

O setor de serviços cresceu por nove meses seguidos – de fevereiro a outubro de 2025 – e permaneceu estável em novembro, nessa série que compara com o mês imediatamente anterior. É esse contexto que deve ser levado em consideração, segundo Lobo, para avaliar o desempenho do último mês de 2025.

“Dezembro é uma primeira informação negativa. Temos uma sequência de resultados positivos e o setor alcançou o ápice de sua série. É preciso aguardar”, disse o gerente do IBGE.

Para o resultado fechado de 2025, a projeção mediana do mercado, medida pelo Valor Data, era de expansão de 2,9%. Foram coletadas estimativas de dez instituições, que variavam entre 2,6% e 3%.

Com o desempenho de dezembro, os serviços estão em patamar 19,6% superior ao do pré-pandemia, em fevereiro de 2020, apenas 0,4% abaixo do pico histórico da pesquisa.

Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 3,4% no último mês de 2025. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de expansão de 3,5% na comparação anual. O intervalo dessas estimativas ia de aumento de 2,5% a 4,6%.

Três das cinco atividades acompanhadas pela PMS tiveram queda na passagem entre novembro e dezembro. A retração mais intensa, de 3,1%, ocorreu em transportes, com taxas negativas em todos os segmentos: terrestre (-1,7%); aquaviário (-1,4%); aéreo (-5,5%); e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%).

As outras atividades em queda foram outros serviços (3,4%) e de serviços profissionais e administrativos (0,3%). As únicas taxas positivas do mês vieram de informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%).

Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços subiu 3,4% e todas as cinco atividades tiveram alta. Os maiores impactos positivos, no entanto, vieram de informação e comunicação (6,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (4,4%).

— Foto: Divulgação/Comunicação ANTT

Quatro das cinco atividades investigadas pela PMS acompanharam a média do setor e registraram alta em 2025. A pesquisa apontou alta de 2,8% no ano passado, ante 2024. Mais da metade (53,6%) dos 166 tipos de serviços acompanhados também registraram aumento.

A maior influência positiva veio do ramo de informação e comunicação (5,5%). Em expansão desde o período da pandemia, o segmento foi favorecido, segundo o IBGE, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos de portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet; desenvolvimento e licenciamento de softwares; consultoria em tecnologia da informação; tratamentos de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet; desenvolvimento de programas de computador sob encomenda; e suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação.

As demais altas vieram de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,3%); dos profissionais, administrativos e complementares (2,6%); e dos prestados às famílias (1,1%). Em transportes, o IBGE destacou a influência positiva dos seguintes tipos de serviços: transporte aéreo de passageiros; rodoviário de cargas; logística de cargas; operação de aeroportos; e navegação interior de carga.

Entre os serviços profissionais, por sua vez, houve crescimento das empresas que atuam em agenciamento de espaços de publicidade; consultoria em gestão empresarial; intermediação de negócios em geral por meio de aplicativos ou de plataformas de e-commerce; atividades de limpeza; e gestão de ativos intangíveis não financeiros. Serviços de bufê, hotéis e produção e promoção de eventos esportivos destacaram-se entre os serviços prestados às famílias.

A atividade de outros serviços foi a única no campo negativo (-0,5%). Neste caso, pesaram sobre o resultado empresas que atuam em atividades auxiliares dos serviços financeiros; manutenção e reparação de veículos automotores; administração de cartões de crédito; manutenção e reparação de computadores e de equipamentos periféricos; e corretores e agentes de seguros, de previdência complementar e de saúde.

O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 0,8% no quarto trimestre de 2025, ante o terceiro trimestre.

Este foi o terceiro trimestre seguido de expansão na série que compara com o trimestre imediatamente anterior. No primeiro trimestre de 2025, houve estabilidade. Depois disso, o setor registrou altas de 1,1% no segundo trimestre e de 1% no terceiro trimestre.

Ao divulgar os dados, Lobo, reforçou que existem diferenças de metodologia entre a PMS e as Contas Nacionais, que calculam o Produto Interno Bruto (PIB).

O conceito de serviços é mais restrito na PMS, enquanto no PIB engloba atividades como comércio, educação, saúde e serviços financeiros mais robustos, como os grandes bancos comerciais, explicou Lobo. Além disso, o cálculo de periodicidade é diferente: o dado é mensal na PMS – e depois adaptado para o trimestre – e trimestral no PIB.

Na comparação anual, com igual trimestre de 2024, o crescimento dos serviços no quarto trimestre foi de 2,8%. Todos os trimestres de 2025 foram positivos, nesta base de comparação: 2,4% no primeiro trimestre, 2,9% no segundo trimestre e 3,1% no terceiro trimestre.

[Fonte Original]

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