Mãe com filho portador de transtorno mental apreeendido pela polícia em delegacia do Rio de Janeiro na década de 1970 (Arquivo Nacional/Fundo Correio da Manhã)
As mulheres gestam, parem, criam, cultivam…
mas, são homens, nem todos, que sistematizam publicam
e se tornam donos do feito, colocando seus nomes,
e dizendo sem pudor: esse bloco é meu!
O movimento antimanicomial se confunde com o movimento da reforma psiquiátrica no Brasil, juntando forças reprimidas durante a ditadura militar. Em 1966, dois anos depois do golpe militar – com a unificação dos institutos de aposentadorias e pensões (significando dinheiro acumulado e livre para que, em um governo ditatorial, os donos do poder pudessem dirigir tais recursos para onde seus interesses orientassem) –, observa-se um grande crescimento de hospitais/manicômios.
Não é à toa que o então ministro da Saúde, Leonel Miranda, dono do maior manicômio privado do país (agora extinto, mas que chegou a ter mais de 2.800 leitos), o Hospital Psiquiátrico Dr. Eiras, em Paracambi-RJ, escolhe o modelo de internação psiquiátrica longa e integral como o mais eficaz para os enfermos e mais econômico para o país – contrariando tudo o que já se sabia no pós-guerra: pesquisas no mundo inteiro apontavam que esse era o modelo menos eficiente (considerando, inclusive, a relação entre eficiência e custos), com terríveis resultados de maior cronificação e estigmatização dos internados.
Fica claro que a reforma psiquiátrica não é apenas uma reforma de serviços (embora os serviços também sejam importantes para o cuidado em liberdade – sobretudo se próximos aos locais onde as pessoas habitam e acessíveis a familiares e amigos). Ela é, aci
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