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quarta-feira, março 11, 2026

M. M. Izidoro: E depois do Oscar, Brasil?

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Mas eu preciso fazer uma pergunta chata: e o que acontece depois do dia 15?

Acompanhei essa jornada toda. Cannes, Critics Choice, Globo de Ouro. E cada vez que celebrava uma conquista, uma voz ficava me cutucando: “tá lindo, M.M., mas o Brasil tá assistindo?”

O cinema brasileiro fechou 2025 com 11% de market share. “O Agente Secreto” fez quase 2,5 milhões de espectadores, a maior bilheteria nacional do ano. Parece muito. Mas 2,5 milhões em 213 milhões? Pouco mais de 1% do país viu o filme que pode ganhar o Oscar de Melhor Filme. Agora é torcer para muitas pessoas verem no streaming depois de estrear essa semana.

A gente adora contar a história da Coreia. “Parasita” ganhou em 2020 e o mundo perguntou: “o que mais vocês têm?” Mas a Coreia não improvisou. Foram décadas de investimento, cotas de tela, incentivo fiscal, formação de público. Política de Estado, não de governo. Na Coreia existe o “Clube dos 10 milhões”, clube feito por produtores de cinema que tiveram mais de 10 milhões de espectadores em seus filmes. A Coreia do Sul tem 51 milhões de habitantes, ou seja, esses filmes chegaram a 20% da população.

Muita diferença do nosso 1%, né?

E o Brasil? Talento a gente tem. Ficou óbvio. Mas talento sem distribuição, sem formação de público, sem política consistente, é fogos de artifício. Bonito, barulhento, e acaba rápido.

[Fonte Original]

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