O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central disse, na ata de sua última reunião, divulgada nessa manhã, que os riscos para o seu cenário inflacionários se intensificaram desde o encontro anterior, em janeiro, em virtude da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
“Com relação ao balanço de riscos, o Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, diz o documento.
“Após debater alterações no balanço de riscos, o Comitê julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada em relação à evolução de seus elementos, segue a ata, na descrição do balanço de riscos para a inflação.
O Copom cita entre os riscos altistas para a inflação: uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Entre os riscos baixistas, o Copom ressalta uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
Expectativas de inflação
Ainda conforme a ata do Copom, as expectativas de inflação, que estavam em trajetória de redução, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio. O colegiado destacou que as expectativas permaneceram acima da meta de inflação em todos os horizontes. A meta é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Como já fez em atas anteriores, o Copom ressaltou que o custo de desinflação sobre o nível de atividade é maior quando as expectativas estão desancoradas.
“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo”, informa trecho da ata.
O Copom ainda manteve a sinalização de que a principal conclusão, compartilhada por todos os membros do colegiado, é de que um ambiente como o atual com expectativas desancoradas exige “uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Sobre a inflação corrente, o Copom destacou que antes do início dos conflitos, havia indicação de “algum arrefecimento” no índice cheio e nas aberturas e medidas subjacentes. Na ata anterior, de janeiro, o Copom indicava um “arrefecimento” sem o uso do termo “algum”.
Ao avaliar por setores, a análise do comitê continuou a mesma sobre a redução inflação de bens de bens industrializados e alimentos antes dos conflitos. Segundo o Copom, o câmbio mais apreciado e de um comportamento “mais benigno” de commodities contribuíam com esse movimento.
Já a inflação de servidores “apresentava algum arrefecimento” antes do início dos conflitos “ainda que mais resiliente”.
“Mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.