A percepção dos brasileiros sobre a situação econômica do país registrou uma piora nos últimos meses, indicando uma reversão parcial da melhora observada no final de 2025, aponta pesquisa Datafolha divulgada hoje (10). O percentual de entrevistados que avaliam que a economia piorou subiu de 41% para 46% entre dezembro do ano passado e março deste ano.
O pessimismo também cresceu em relação ao futuro, abrangendo tanto a condição financeira pessoal quanto as expectativas para o desemprego e a inflação. Isso ocorre mesmo com o indicador de desemprego nas mínimas históricas.
O histórico mostra que o número está em patamar intermediário, em comparação:
– 35% nas três pesquisas de 2023, durante o primeiro ano do governo Lula 3;
– e 55% verificados em abril de 2025;
– 46% em Março de 2026.
A avaliação de que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24% na última pesquisa. O levantamento, realizado com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros entre 3 e 5 de março, tem margem de erro de dois pontos percentuais (para mais ou para menos), com nível de confiança de 95%.
A percepção de piora econômica varia significativamente conforme o grupo: atinge 57% entre evangélicos (contra 41% entre católicos), chega a 65% entre empresários e alcança 77% entre eleitores de Flávio Bolsonaro, contrastando com 14% entre eleitores de Lula.
Projeções para o futuro
A parcela de brasileiros que acredita em uma piora da economia subiu para 35% na pesquisa mais recente, um aumento considerável em relação aos 21% registrados em dezembro. Esse índice já havia alcançado 45% em julho do ano passado.
Em contraste, a expectativa de melhora econômica, que era de 46% em dezembro, caiu para 30% no levantamento atual. Em julho, esse otimismo estava em 28%.
O otimismo em relação à economia é mais acentuado em certos grupos:
- Renda: Pessoas com até dois salários mínimos (33%) são mais otimistas do que aquelas com renda acima de dez salários mínimos (11%).
- Região: O Nordeste (36%) demonstra mais otimismo do que o Sudeste (25%).
- Raça: O otimismo é maior entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%).
O otimismo é mais forte entre os potenciais eleitores de Lula (51% esperam melhora), mas é significativamente menor entre os que pretendem votar em Flávio (14%), Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%).
A avaliação positiva do governo Lula se manteve em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026, enquanto a negativa variou de 37% para 40%, oscilando dentro da margem de erro.
Esse início de ano foi marcado pela desaceleração confirmada da economia e pelo início da guerra no Irã. O período também foi caracterizado por juros altos e um aumento no endividamento de famílias e empresas, apesar de uma melhora nos indicadores de renda e inflação.
A percepção dos brasileiros sobre a própria situação econômica piorou. O percentual dos que avaliam que sua situação pessoal regrediu subiu para 33%, comparado a 26% em dezembro. Em contrapartida, a fatia dos que viram melhora na própria economia caiu de 36% para 30% no mesmo período.O otimismo diminuiu: após atingir 60% no final de 2025 (e 45% em meados de 2025), o percentual de otimistas caiu para 51%.
Dados de emprego
A pesquisa Datafolha indica um aumento na percepção de piora no mercado de trabalho. A parcela de entrevistados que espera o aumento do desemprego subiu para 48%, um avanço em comparação aos 42% registrados no levantamento anterior, feito em junho do ano passado.
Este novo índice representa o patamar nominal mais elevado no atual mandato presidencial, embora esteja tecnicamente empatado, dentro da margem de erro, com os 46% observados em setembro de 2023 e março de 2024.
Em contrapartida, apenas 21% dos participantes acreditam que o desemprego diminuirá, uma queda em relação aos 22% de junho. Este é o menor índice registrado na atual gestão, igualando os 21% de abril do ano passado.
Os dados divulgados na semana anterior pelo IBGE apontam que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026 permaneceu em 5,4%, o mesmo nível do trimestre anterior, que serve como base de comparação. Esses números são os mais baixos da série histórica comparável.
Apesar de analistas do setor privado ainda considerarem o mercado de trabalho robusto, a projeção é de um leve crescimento no desemprego ao longo do ano.
A expectativa de um aumento no desemprego é mais acentuada entre os grupos de maior poder aquisitivo (59% na faixa acima de dez salários mínimos) do que entre os mais carentes (46% no grupo de até dois salários mínimos).
O percentual também é notavelmente maior entre evangélicos (57%) em comparação com católicos (45%). Destacam-se ainda os índices entre estudantes (52%), empresários (64%) e eleitores de Flávio (65%).
Expectativas Econômicas dos Brasileiros
A maioria (61%) dos brasileiros acredita que a inflação subirá nos próximos meses, percentual estável em relação aos meses anteriores (59% a 62%). Apenas 11% preveem queda, e 23% esperam estabilidade. Essa percepção diverge da projeção do mercado financeiro, que espera uma desaceleração do IPCA (de 4,44% em 12 meses até jan/26 para 3,91% no final de 2026).
O pessimismo também cresce sobre o poder de compra: 39% esperam queda salarial (ante 36% antes), e 32% preveem aumento.
A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-03715/2026.