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segunda-feira, março 2, 2026

Conflito entre EUA e Irã Reacende Temor de Choque Global no Petróleo; Entenda Razão

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No sábado (28), os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, em uma operação que matou o líder supremo iraniano Ali Khamenei. Explosões foram registradas na capital Teerã e em outras cidades iranianas. Os EUA indicaram que a investida não é isolada — devido ao longo conflito histórico entre Estados Unidos e Irã, além da falta de negociações diplomáticas. Em resposta, o país persa disparou mísseis contra Israel, atacando bases americanas no Oriente Médio e países aliados, como os Emirados Árabes Unidos.

Como consequência, na manhã desta segunda-feira (2), o preço do petróleo subia perto de 8%, depois que os ataques retaliatórios interromperam o transporte marítimo no Estreito de Ormuz — uma das principais vias energéticas do mundo e símbolo de tensões no Golfo.

O estreito é a única rota marítima de saída do Golfo Pérsico para a maioria dos exportadores de petróleo da região. Para grandes  produtores como Iraque, Kuwait e Catar, todas as suas exportações marítimas de petróleo e gás devem passar por Ormuz.

Apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos que podem contornar parcialmente o estreito, mas, mesmo assim, esses condutores conseguem escoar apenas uma fração do total exportado. De acordo com um estudo do Grupo Mirabaud, dois terços do petróleo são destinados aos principais importadores, como China, Coreia do Sul, Japão, Singapura e Índia.

Segundo Andressa Durão, economista do ASA, se o bloqueio no estreito for breve, o efeito tende a ser limitado, já que empresas podem antecipar embarques, recorrer a estoques já acumulados e utilizar rotas alternativas. Porém, caso a interrupção se estenda por meses, os estoques se esgotam, as rotas alternativas tornam-se insuficientes e ocorre uma redução da oferta global.

A OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) concordou em aumentar a produção de petróleo em 206 mil barris por dia, acima dos 137 mil barris por dia previstos, para mitigar possíveis choques de oferta, mas Durão afirma que isso não foi suficiente para conter o impacto do evento nos preços.

“A China atualmente é o país que sairia mais prejudicado, já que recebe em torno de 14% das suas importações totais de petróleo do Irã”, aponta a economista.

O diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson Investors, Adam Hetts, destaca que ​​uma incerteza generalizada suprime o sentimento dos investidores, afetando negativamente os ativos de risco globalmente. “Isso provavelmente tornaria os títulos soberanos de mercados desenvolvidos, incluindo os títulos do Tesouro dos EUA, e as moedas consideradas refúgio seguro mais atraentes”, comenta.

Em um período prolongado de incerteza, o aumento dos preços do petróleo poderia gerar um temor inflacionário global. Isso reduziria a probabilidade de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), atualmente previstos para o final deste ano.

Os futuros do petróleo Brent subiram cerca de 13%, para US$ 82,37 (R$ 427,76) o barril, no maior valor desde janeiro de 2025. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA chegou a atingir uma alta intradiária de US$ 75,33 (R$ 391,20), aumento de mais de 12% e o maior valor desde junho.

Apesar da apreensão dos investidores, os valores na retomada das negociações após o fim de semana foram menores do que apontavam algumas previsões de analistas, de cerca de US$ 90 (R$ 467,38) o barril.

Gargalo do petróleo global

Não é de hoje que os olhares do mercado convergem para o mesmo ponto sempre que a tensão aumenta no Oriente Médio. Em junho do ano passado, quando Israel realizou uma série de ataques aéreos contra o Irã, tendo como alvo instalações nucleares e centros científicos do programa atômico, o temor de uma retaliação que afetasse o tráfego no Estreito de Ormuz voltou a ganhar força.

Isso acontece porque ali passam, diariamente, 21 milhões de barris de petróleo e derivados – cerca de 30% do consumo mundial. Além disso, um terço do gás natural liquefeito (GNL) do planeta também passa pela hidrovia.

De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a região é considerada “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”. Isso porque não há rotas alternativas viáveis para o transporte de petróleo e de GNL, tornando o fluxo extremamente vulnerável. Ou seja, qualquer instabilidade na área pressiona os mercados globais e eleva o risco de choques nos preços de energia.

O canal tem 34 km de largura em seu ponto mais estreito e, na prática, essa passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao norte, está a costa do Irã; ao sul, ficam os Emirados Árabes Unidos (EAU) e um enclave pertencente ao Omã.

Em outras palavras, o estreito é cercado por países com interesses e alinhamentos distintos. De um lado está o Irã, historicamente em conflito com os Estados Unidos e seus aliados. Do outro, os EAU, que mantêm uma relação estratégica próxima com Washington — alinhado à Israel. Em meio a esses polos, há um território controlado pelo Omã, que adota uma postura de neutralidade e atua como mediador entre os países do Golfo.

O tráfego marítimo é organizado em dois corredores estabelecidos pela Organização Marítima Internacional (IMO), por meio de um sistema de separação de vias (Traffic Separation Scheme – TSS). Um desses canais é reservado para embarcações que entram no Golfo Pérsico e o outro para as que saem. Cada rota tem, em média, 3 quilômetros de largura.

Isso significa que os navios têm pouco espaço para navegar, aumentando o risco de acidentes. Ou seja, qualquer problema em uma das vias pode interromper o trânsito e afetar as commodities energéticas.

Mesmo sem dominar a região completamente, a geografia confere ao Irã um poder quase soberano, pois toda a costa norte — maior em extensão costeira — pertence ao país persa.

[Fonte Original]

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