Crédito, Reuters
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou nesta terça-feira (24/3) sobre a guerra no Irã durante uma longa conversa com jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca.
Trump afirmou que os EUA estão negociando com o Irã um possível fim do conflito e disse que, como parte dessas negociações, o regime iraniano teria concordado que nunca terá uma arma nuclear — uma declaração que ele já fez em outras ocasiões. O Irã não comentou a afirmação.
Apesar disso, o presidente americano deu poucos detalhes sobre como um cessar-fogo ou um acordo de paz poderia ser alcançado.
Questionado sobre a mudança de postura, afirmou que os iranianos agora estão “conversando conosco” e “agindo com bom senso”.
As declarações de Trump ocorrem um dia após autoridades iranianas negarem qualquer contato com os Estados Unidos e classificarem como “fake news” as alegações de que haveria negociações em curso.
É possível, contudo, que negociações estejam acontecendo nos bastidores.
Durante o encontro na Casa Branca, Trump mencionou ainda um “prêmio muito significativo” que teria sido oferecido aos Estados Unidos por negociadores iranianos. Sem dar detalhes, disse que a proposta estaria relacionada a petróleo, gás e ao Estreito de Ormuz.
“Eles querem muito fechar um acordo”, afirmou, ressaltando que sua administração está “falando com as pessoas certas” no Irã.
Segundo Trump, as negociações estão em andamento e contam com a participação do vice-presidente, JD Vance, e do secretário de Estado, Marco Rubio.
Questionado sobre com quem exatamente sua equipe tem negociado, o presidente americano respondeu: “Eliminamos toda a liderança deles, e então eles se reuniram para escolher novos líderes e eliminamos todos eles também”.
“Agora temos um novo grupo… vamos ver como eles se saem”, afirmou.
Ele também disse que os ataques realizados pelos EUA e Israel levaram a uma “mudança de regime” em Teerã, mas fez uma ressalva: “Não confio em ninguém”.
Ao ser questionado sobre as chances de um acordo de paz com o Irã, Trump afirmou: “Esta guerra foi vencida”, sem explicar, contudo, como um eventual fim do conflito poderia ser alcançado.
Mobilização de tropas americanas
Cerca de uma hora antes da reunião, veículos de imprensa relataram que o Pentágono estaria próximo de finalizar uma ordem para enviar milhares de soldados americanos ao Irã.
As informações, no entanto, são conflitantes, e não está claro se o presidente já aprovou o plano ou se o Pentágono deu a ordem final.
Trump não falou sobre este assunto ao comentar a guerra durante a conversa no Salão Oval.
Segundo a CBS News, parceira da BBC nos EUA, tropas da 82ª Divisão Aerotransportada — incluindo forças terrestres e uma unidade de comando — estariam entre as mobilizadas.
A BBC questionou a Casa Branca sobre a possibilidade de envio de tropas. Pouco depois do fim da fala de Trump, houve uma resposta oficial.
“Todos os anúncios sobre envio de tropas serão feitos pelo Departamento de Defesa”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado. “Como já afirmamos, o presidente Trump sempre tem todas as opções militares à sua disposição.”
Especialistas militares avaliam que um eventual envio teria como objetivo aumentar a pressão sobre o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O país passou a atacar petroleiros comerciais que utilizam a rota após o início do conflito com os EUA, no mês passado.
Uma das possibilidades discutidas seria a tomada da Ilha de Kharg, que concentra instalações de armazenamento e carregamento de petróleo e responde por cerca de 90% das exportações iranianas.
Segundo ex-integrantes do Departamento de Defesa e analistas militares, tropas americanas poderiam assumir o controle da ilha com relativa facilidade.
Ainda assim, a ilha fica a cerca de 800 quilômetros do Estreito de Ormuz, o que significa que uma operação no local não impediria necessariamente o Irã de interromper o fluxo de petróleo na região. Além disso, exporia tropas americanas a possíveis ataques de forças iranianas.
Trump também mencionou a possibilidade de garantir o controle do urânio enriquecido do Irã, o que gerou especulações sobre o envio de tropas para esse fim. Especialistas, no entanto, avaliam que esse tipo de operação seria mais arriscado e menos provável.
*Com informações de Daniel Bush e Bernd Debusmann Jr.