O Ibovespa reduziu o fôlego e fechou com um acréscimo modesto nesta terça-feira (17), apoiado principalmente no desempenho das ações da Petrobras em mais um dia de avanço do petróleo no exterior, enquanto Natura disparou após resultado operacional acima das expectativas no mercado.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,3%, a 180.409,73 pontos, após alcançar 182.800,30 pontos na máxima do dia, perdendo fôlego sob pressão principalmente dos bancos. Na mínima, marcou 179.849,79 pontos.
Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a bolsa paulista encontrou suporte nesta sessão em um certo alívio no mercado externo, mas a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã continua, assim como o barril do petróleo persiste acima de US$ 100.
Ele destacou que há também expectativa para os desfechos das reuniões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, o que pode ter corroborado a perda de fôlego no pregão, refletindo cautela antes das decisões do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro, que serão conhecidas na quarta-feira.
No caso do Brasil, ele afirmou que prevalece a aposta de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 15% ao ano. Mas há mais ou menos duas semanas, citou, a expectativa era de um corte de 0,50 ponto. Na visão dele, será uma decisão difícil, com o comunicado possivelmente com um tom de cautela.
Petróleo
PETROBRAS PN avançou 1,76% e PETROBRAS ON subiu 1,22%, com o barril de petróleo sob o contrato Brent fechando em alta de 3,2%, a US$ 103,42.
A estatal também decidiu exercer o direito de preferência para comprar a participação de 50% atualmente detida pela Petronas nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III), na Bacia de Campos. A Brava anunciou em janeiro acordo para comprar as participações da Petronas como parte de sua “estratégia de longo prazo”, antes que a Petrobras decidisse exercer sua opção. BRAVA ON fechou em queda de 3,33%.
Os preços do petróleo subiram mais de 3%, com os novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos aumentando as preocupações sobre o agravamento das perspectivas para a oferta global, caso não haja uma solução rápida para a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, agora em sua terceira semana.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 3,21, ou 3,2%, para fechar a US$103,42 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$ 2,71, ou 2,9%, para fechar a US$ 96,21.
A guerra do Irã não mostra sinais de diminuir. Embora os futuros do petróleo não tenham repetido o breve aumento de quase US$ 120 por barril do início do mês, os ataques às instalações de petróleo pelo Irã e a contínua interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz – uma porta de entrada vital para cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito – fazem com que os investidores se preparem para o comprometimento de longo prazo do fornecimento, o que poderia manter os preços elevados.
Dólar
O dólar fechou em baixa ante o real e novamente na faixa dos R$ 5,20, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, ainda que a guerra no Oriente Médio siga em curso, com o petróleo sendo negociado em alta.
O dólar à vista fechou a sessão com queda de 0,57%, aos R$ 5,2005, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
No ano, a divisa passou a registrar queda de 5,26%.
Na segunda-feira o dólar já havia fechado em baixa firme ante o real, em meio ao alívio nos mercados globais com a possibilidade de avanços diplomáticos para desbloquear o Estreito de Ormuz, por onde são transportados cerca de 20% do petróleo mundial.
Nesta terça-feira, porém, o petróleo voltou a exibir ganhos, com o barril do tipo Brent sendo negociado acima dos US$ 103 em Londres no fim da tarde.
O recuo do dólar ocorreu a despeito de no mercado de renda fixa o cenário ter se deteriorado durante a tarde, com as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) ganhando força em meio a especulações sobre possível greve dos caminhoneiros nos próximos dias.
Reunião do Copom
As dúvidas sobre a decisão da noite de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre juros também permearam os negócios, com o mercado especulando entre um corte de 25 pontos-base da Selic ou a manutenção da taxa básica em 15% ao ano.