O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% nesta sexta-feira (20), mais uma vez contaminado pela aversão a risco global com os receios envolvendo o conflito no Oriente Médio e seus reflexos na economia mundial.
O índice de referência do mercado acionário brasileiro recuou 2,25%, a 176.219,40 pontos, após os ajustes, acumulando na semana uma perda de 0,81% e ampliando a queda no mês para 6,66%. No ano, ainda sobe 9,37%.
Em pregão também marcado por vencimento de opções sobre ações na B3, o Ibovespa chegou a 175.039,34 pontos na mínima da sessão, piso intradia desde 22 de janeiro. Na máxima do dia, alcançou 180.305,22 pontos. O volume financeiro somou R$49,45 bilhões.
Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse que não vê um fim óbvio para o conflito no Oriente Médio no curto prazo. A fala ocorreu após ele se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv.
“O conflito vai se arrastando e cada semana praticamente funciona como um ‘tic tac’ na inflação”, observou o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, destacando receios com o movimento dos juros, principalmente nos EUA.
Operadores de contratos de juros de curto prazo precificavam nesta sexta-feira uma chance acima de 50% do Federal Reserve elevar a taxa em dezembro, uma mudança drástica em relação às expectativas do início desta semana de um corte.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,51%, em pregão também marcado por vencimentos de opções e futuros em Nova York.
O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,3796%, de 4,283% na véspera, em pregão também marcado pela valorização do dólar frente a outras divisas no mundo, incluindo o real. No fechamento, acusou alta de 1,84%, a R$5,3125.
Tal cenário desacelerou o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mas a B3 ainda registra um saldo positivo, de quase R$4,6 bilhões até o dia 17. Em fevereiro, houve entrada líquida de R$15,4 bilhões. Em janeiro, de R$26,3 bilhões.
Petróleo
O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de mais de 3%, a US$112,19, maior valor desde julho de 2022, com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura três semanas, sem sinais de arrefecimento.
Na última sexta-feira de fevereiro, antes dos primeiros ataques contra o Irã, o Brent tinha fechado a US$72,48.
– PETROBRAS PN caiu 2,37%, em dia de correção, com agentes financeiros também buscando entender os potenciais reflexos para a companhia de medidas recentes do governo para atenuar os efeitos da disparada do petróleo na economia brasileira. Até a véspera, a ação acumulava alta de quase 19% desde o começo da guerra no Irã. No ano, a valorização chegava a quase 52%. No setor, PETRORECONCAVO ON recuou 5,29% e BRAVA ON perdeu 3,32%. Na contramão, PRIO ON subiu 3,14%, com analistas do UBS BB elevando o preço-alvo para R$75 ante R$56 e reiterando compra.
– VALE ON caiu 1,41%, sucumbindo à correção negativa no mercado como um todo, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian subiu 1,05%.
Dólar
O dólar fechou a sexta-feira com alta firme no Brasil e novamente acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em meio aos receios sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista fechou a sessão com alta de 1,84%, aos R$5,3125. Foi a maior alta em um único dia desde 3 de março, na primeira semana da guerra, quando subiu 1,91%
Nesta semana, a divisa acumulou leve baixa de 0,08% e, no ano, recuo de 3,22%.
O avanço global do dólar ganhou força no fim da manhã, com a percepção de que a guerra no Oriente Médio pode durar mais do que o inicialmente esperado.
Três autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros para o Oriente Médio. As fontes, que falaram sob condição de anonimato, não especificaram qual seria o papel dos soldados adicionais.
Além disso, Israel e Irã continuaram seus ataques na região, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou seus aliados da Otan por conta da falta de apoio à guerra, chamando-os de “covardes”.
Neste cenário, o dólar subiu ante praticamente todas as demais divisas, incluindo pares do real como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
“Essa percepção do mercado de que a guerra pode se prolongar está fazendo o mercado ajustar a perspectiva — e as apostas — sobre o Fed”, comentou no início da tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ao justificar a aceleração do dólar ante o real. “O ‘driver’ (vetor) dos negócios (no câmbio) é 100% o externo hoje.”
Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,3268 (+2,12%) às 16h38, para depois encerrar pouco abaixo deste nível — mas acima dos R$5,30, um ponto de resistência técnica importante.