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sexta-feira, março 13, 2026

Novo Jato Falcon 10X: “Mansão no Ar” de R$ 440 Milhões Já Tem Dois Compradores Brasileiros

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O mercado global de aviação executiva ganhou um de seus lançamentos mais aguardados da última década na terça-feira, 10 de março, quando a Dassault Aviation apresentou o novo Dassault Falcon 10X em um evento para convidados em uma das casas da marca em Mérignac, na região de Bordeaux, na França. O jato, considerado o projeto mais ambicioso da fabricante em mais de dez anos, já tem dois brasileiros entre os primeiros compradores do mundo (foram os primeiros).

Os nomes dos clientes permanecem em sigilo, prática comum nesse segmento, mas a aquisição simboliza o apetite de empresários brasileiros por aeronaves capazes de realizar voos intercontinentais sem escalas. O novo jato custa US$ 86 milhões (cerca de R$ 440 milhões), embora o valor final possa variar até a entrega.

Isso porque o modelo ainda está em fase de certificação. O programa levou quatro anos de projeto e ainda restam cerca de dois anos de testes, com entregas previstas para 2030. A aeronave é montada na nova linha final de produção da Dassault em Bordeaux-Mérignac, na França.

No mercado de ultralongo alcance, o Falcon 10X chega para disputar espaço com dois dos modelos mais sofisticados da aviação executiva: o Gulfstream G700 e o Bombardier Global 7500.

Segundo Carlos Brana, vice-presidente executivo da Dassault Aviation, a aeronave foi projetada exatamente para atender o perfil de clientes que fazem viagens intercontinentais frequentes — característica comum entre empresários brasileiros.

“Esse avião foi feito para pessoas que querem viajar longas distâncias. E acho que os clientes brasileiros viajam para a Europa, para os Estados Unidos e para a Ásia. Muitos países estão fazendo negócios com essas regiões”, disse Brana em entrevista exclusiva à Forbes Brasil.

Uma cabine do tamanho de um apartamento

Se o desempenho é importante para o cliente de alto luxo, o que realmente diferencia o Falcon 10X é o espaço interno. A aeronave possui a maior cabine já desenvolvida para um jato executivo, com volume total de 2.780 pés cúbicos (79 m³).

As dimensões de dentro da cabine ajudam a entender por que muitos especialistas já apelidaram o avião de “mansão no ar”:

  • Altura da cabine: 2,03 metros
  • Largura máxima: 2,77 metros
  • Comprimento: 16,4 metros

A largura é cerca de 20 centímetros maior do que a dos concorrentes, e a cabine chega a ser comparada à de aviões comerciais regionais como o Embraer E190.

O interior foi projetado para permitir uma configuração altamente modular. A cabine é dividida originalmente em quatro zonas, mas as divisórias podem ser reorganizadas conforme a necessidade do proprietário.

Entre as possibilidades estão: suíte traseira com cama queen size, área de jantar ou conferência, sala de mídia ou espaço privado para reuniões, lavabo ampliado com chuveiro.

A iluminação natural também é um destaque. O jato conta com 38 janelas, cerca de 50% maiores que as do Falcon 8X, criando uma cabine mais clara e aberta.

No compartimento de bagagem — o maior do segmento de longo alcance — cabem até 10 malas, com volume total de 198 pés cúbicos (5,6 m³).

Autonomia para cruzar continentes

Projetado para voos intercontinentais, o Falcon 10X tem alcance máximo de 7.500 milhas náuticas (13.890 km) a Mach 0,85. Na prática, isso permite trajetos sem escalas entre cidades como:

  • Nova York – Xangai
  • Los Angeles – Sydney
  • Paris – Santiago
  • Hong Kong – Nova York
  • São Paulo – Dubai
  • São Paulo – Los Angeles

A velocidade máxima operacional chega a Mach 0,925, enquanto o teto de serviço é de 51.000 pés (15.545 m).

Mesmo com o tamanho maior, o jato mantém uma característica tradicional da família Falcon: capacidade de operar em aeroportos típicos da aviação executiva, incluindo pistas mais curtas ou com aproximações desafiadoras, como o aeroporto London City.

Tecnologia militar aplicada à aviação executiva

Grande parte das tecnologias do Falcon 10X deriva diretamente da experiência da Dassault na fabricação de aeronaves militares, como o caça Dassault Rafale.

Um dos destaques é o sistema digital de controle de voo, que incorpora recursos de segurança inéditos na aviação executiva.

Entre eles está um modo de recuperação automática, capaz de estabilizar a aeronave em qualquer atitude inadvertida — inclusive em voo invertido — com o acionamento de um único botão.

A cabine de comando utiliza o conceito HOTAS (Hands-On-Throttle-And-Stick), típico de caças militares, permitindo que os pilotos operem a aeronave mantendo os olhos fora do painel e utilizando simbologia projetada em visores head-up duplos.

O sistema FalconEye combina visão sintética e visão aprimorada para melhorar a segurança em aproximações e pousos, podendo permitir operações com visibilidade extremamente baixa.

Nova asa e motor de última geração

O Falcon 10X também traz uma nova arquitetura aerodinâmica. A aeronave utiliza uma asa composta em fibra de carbono, que reduz peso em aproximadamente 900 libras e melhora o desempenho aerodinâmico.

A asa tem 33,7 graus de enflechamento, maior do que em modelos anteriores da Dassault, além de uma relação de aspecto mais alta, reduzindo o arrasto e aumentando a eficiência em voos de alta velocidade.

A propulsão fica por conta de dois motores Rolls-Royce Pearl 10X, capazes de gerar mais de 18.000 libras de empuxo cada.

O motor incorpora tecnologias avançadas de combustão, novos materiais e sistemas de monitoramento de saúde do motor, que analisam milhares de parâmetros de operação para melhorar confiabilidade e manutenção.

Nos testes, o motor já operou com 100% de combustível de aviação sustentável (SAF), e a aeronave será certificada para operar integralmente com esse tipo de combustível.

Um projeto pensado do zero

Ao contrário de muitos jatos executivos que evoluem a partir de plataformas existentes, o Falcon 10X foi projetado inteiramente do zero.

A Dassault concluiu que adaptar um modelo anterior não permitiria atingir as metas de cabine, desempenho e autonomia. O desenvolvimento exigiu inclusive novas instalações industriais, como o centro de produção de asas compostas em Anglet, na França, além de um novo hangar de montagem final em Bordeaux-Mérignac.

A aposta da fabricante é que a combinação entre cabine maior, tecnologias derivadas da aviação militar e autonomia intercontinental coloque o modelo entre os mais desejados do mercado de ultralongo alcance.

Se depender do interesse inicial, o Brasil já garantiu um lugar privilegiado nessa história: dois dos primeiros compradores do Falcon 10X no mundo são brasileiros. E, quando as primeiras entregas começarem, no fim da década, eles estarão entre os primeiros a transformar a nova aeronave em uma verdadeira mansão voadora.

[Fonte Original]

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