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segunda-feira, março 9, 2026

Petróleo Bate Recorde e Ultrapassa US$ 119; Quais São as Consequências e o Impacto no Brasil?

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Nesta segunda-feira (9), os preços do petróleo ultrapassaram US$ 119 (R$ 622,17) por barril, alcançando níveis que não eram registrados desde meados de 2022. Segundo relatório da XP, a principal razão para a disparada está no impacto do conflito sobre a oferta global de petróleo — principalmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias energéticas do mundo e símbolo de tensões no Golfo.

Com o bloqueio da rota, fluxos equivalentes a 20% da demanda mundial de petróleo ficaram temporariamente interrompidos, criando um choque de oferta que pressionou as cotações para cima.

Os preços ficaram ainda mais elevados depois que, no domingo (8), pela primeira vez desde o início dos conflitos entre Irã e a coalizão entre Estados Unidos e Israel, instalações de petróleo iranianas foram atacadas. Quatro tanques de armazenamento de petróleo e um terminal de transferência de derivados foram destruídos nos arredores de Teerã.

Além disso, a escolha de Mojtaba Khamenei — filho do líder supremo Ali Khamenei — como possível sucessor no comando do país é vista pelos analistas como um sinal de continuidade da linha dura do regime, reduzindo as expectativas de uma desescalada rápida do conflito.

Pela manhã, o Brent já acumulava alta próxima de 24% desde o início do conflito, sendo negociado em torno de US$ 115 por barril após a abertura do mercado no domingo. Os contratos de gasolina dos EUA também atingiram US$ 3,22 (R$ 16,84) por galão — maior valor desde 2022.

Para as companhias brasileiras produtoras, como Petrobras e PRIO, o aumento do preço internacional do petróleo tende a se traduzir em maior geração de caixa. As projeções indicam que, caso o Brent se mantenha próximo de US$ 100 por barril ao longo de 2026, a Petrobras poderia gerar rendimentos superiores a 20%. Enquanto isso, a PRIO poderia superar 30%, refletindo o impacto da commodity sobre a rentabilidade das empresas do setor.

A XP analisa que dada a escalada da crise, levou apenas uma semana para que os preços do petróleo ultrapassassem a projeção do início da guerra. “Agora, acreditamos que talvez seja necessário atualizar nossas tabelas de sensibilidade com cenários de preços do petróleo ainda mais altos”.

Brasil

No caso brasileiro, a Petrobras pode se beneficiar da alta do petróleo — principalmente se decidir repassar o aumento dos preços internacionais para gasolina e diesel no mercado doméstico. Segundo o estudo, cada elevação de US$ 10 no valor do barril pode adicionar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões à geração de caixa da companhia.

Esse impacto ocorre porque a empresa atua em duas etapas da cadeia de petróleo. Primeiro, na produção, quando o preço internacional do barril sobe, o petróleo vendido pela Petrobras também se valoriza.

O segundo efeito vem do refino, processo em que o petróleo bruto é transformado em combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação. A diferença entre o preço desses derivados e o custo do petróleo é chamada de spread de refino — representando a margem de lucro dessa atividade.

Nos últimos dias, essas margens também se ampliaram. O spread do diesel nos Estados Unidos em relação ao Brent chegou a US$ 66 por barril — aproximadamente US$ 27 acima do nível observado antes da escalada do conflito no Oriente Médio.

Para a estatal, isso cria uma fonte adicional de receita. Cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo pode acrescentar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões ao caixa da empresa apenas pelo efeito das margens maiores no refino de diesel.

Se o Brent permanecer próximo de US$ 100 por barril e os spreads de refino continuarem cerca de US$ 50 acima das projeções consideradas pelos analistas, a Petrobras poderia gerar US$ 28,5 bilhões em fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE), equivalente a um retorno potencial próximo de 25%. Esse indicador representa, em termos simples, o dinheiro que sobra após custos e investimentos e que pode ser usado para pagar dividendos ou reduzir dívidas.

O cenário muda, porém, caso a companhia opte por não repassar a alta internacional aos combustíveis vendidos no Brasil. Nesse caso, o ganho ficaria restrito às exportações de petróleo bruto e a outras vendas vinculadas aos preços globais.

Além disso, a empresa perderia parte da vantagem das margens de refino, já que poderia ser obrigada a importar combustíveis mais caros para atender à demanda interna. Segundo os cálculos do relatório, essa situação poderia gerar uma perda de cerca de US$ 300 milhões para cada aumento de US$ 10 no barril associado às importações.

Nesse cenário, o ganho líquido cairia para algo entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões para cada US$ 10 de aumento no petróleo. Com o Brent em US$ 100 por barril e spreads elevados, a Petrobras geraria cerca de US$ 13 bilhões em fluxo de caixa livre — aproximadamente 11% de retorno, quase metade do potencial observado no cenário de repasse integral dos preços.

Para a XP, no entanto, a tendência é que os reajustes ocorram em algum momento. “O aumento dos preços é uma questão de quando, não de se. Se a Petrobras não fizer isso, distribuidoras e postos enfrentarão uma crescente escassez de diesel em duas ou três semanas”, aponta o relatório.

A análise indica que, nesse caso, os preços nas bombas teriam de subir para incentivar importações. Caso a estatal mantivesse os valores artificialmente baixos por mais tempo, acabaria transferindo parte das perdas financeiras para as distribuidoras que comprariam combustíveis abaixo da paridade internacional.

E os investimentos?

De uma perspectiva macroeconômica, o conflito pode impulsionar o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais.

“Os preços mais elevados da energia elevarão a inflação, reduzirão a margem para cortes nas taxas de juros e poderão desacelerar a atividade econômica global — fatores que são negativos para as ações”, afirma o relatório da XP.

No entanto, nem tudo aponta para uma queda. O petróleo e o gás representam uma parcela significativa do PIB brasileiro e das receitas do governo. Além disso, ações individuais do setor de petróleo e gás se beneficiam dos valores mais altos das commodities.

Mais consequências

O Kuwait, quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), anunciou no sábado (7) cortes preventivos em sua produção de petróleo e em suas refinarias devido a “ameaças iranianas à passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”.

A produção no Iraque, segundo maior produtor da Opep, praticamente entrou em colapso. A produção dos três principais campos petrolíferos do sul do país caiu 70%, para 1,3 milhão de barris por dia. Esses campos produziam 4,3 milhões de barris por dia antes da guerra com o Irã.

Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, afirmaram no sábado que estão “gerenciando cuidadosamente os níveis de produção offshore para atender às necessidades de armazenamento”.

O estreito também é uma via estratégica para o transporte de gás natural liquefeito, derivados refinados e fertilizantes. Com a interrupção parcial dessas cadeias logísticas, o choque de oferta tende a repercutir em outras indústrias, pressionando custos e ampliando o risco de inflação energética em várias regiões do mundo.

[Fonte Original]

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